Polícia lança bombas, mas multidão permanece na Esplanada

Foto retirada da página da CSP-Conlutas

Uma quantidade incalculável de bombas de gás lacrimogênio, de efeito moral e tiros de balas borracha está sendo lançada, nas primeiras horas da tarde desta quarta-feira (24), contra manifestantes do #OcupaBrasília, protesto organizado por todas as centrais sindicais pelo Fora Temer e pelo arquivamento das reformas da Previdência e Trabalhista. Mas, apesar disso, uma multidão resiste e permanece ocupando os gramados da Esplanada dos Ministérios. Servidores do Judiciário Federal e do MPU participam.

Durante mais de uma hora, os manifestantes resistiram em deixar os gramados do Congresso Nacional. “Não vamos sair, é um direito legítimo nosso a manifestação”, disse um dirigente sindical do carro de som da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular). Em vários momentos, a cavalaria avançou, mas teve que recuar diante da resistência de homens e mulheres, boa parte jovens. Mas também senhoras, como a deputada federal Luiza Erundina, que teve que descer do carro de som da CSP em decorrência da forte quantidade de gás que chegava ao local. ”Isso aqui é um ato de resistência, lutamos muito na ditadura militar e não vão conseguir nos tirar das ruas”, disse à reportagem, com dificuldade natural de quem ainda respirava o gás lançado pela Tropa de Choque da PM.

Soldados da Força de Segurança Nacional também participam da repressão e cercam alguns ministérios, entre eles o da Fazenda. Não há informações confiáveis ainda sobre feridos e possíveis detenções. O ato começou antes do previsto porque os organizadores avaliaram que a concentração de gente nas proximidades do estádio Mané Garrincha era muito grande. Há informações de que mais e mais policiais estão se dirigindo à Esplanada. “Estamos sem almoço e tivemos agora a informação de que não vai ter rendição porque a situação piorou”, disse à reportagem um policial militar que atua na retaguarda dos ministérios.

Não há previsão para o término do ato. Algumas centrais sindicais, como a CTB, já anunciaram o fim do protesto, mas os manifestantes permanecem nas ruas, aos milhares. “Temer tremeu hoje”, disse uma mulher de São José dos Campos que pela primeira vez participava de um protesto em Brasília. Pelo visto, se ela estiver certa, continuará tremendo nesta tarde de sol, nuvens e gás nas ruas do Planalto Central.