Servidores aprovam paralisação de 24h no dia 28 de novembro

Os servidores do Judiciário Federal em São Paulo vão paralisar suas atividades por 24 horas no dia 28 de novembro, em protesto contra as reformas da Previdência e trabalhista, o aumento da contribuição previdenciária e os diversos ataques do governo Temer ao funcionalismo. No mesmo dia, caravanas seguirão para Brasília a fim de participar de manifestações contra as medidas do governo.

O objetivo é preparar uma greve de todo o funcionalismo público no início de 2018, provavelmente em fevereiro, segundo a indicação do Fórum Nacional dos Servidores Federais (Fonasefe), aprovada pela categoria em assembleia (foto) nesta sexta-feira, 10, em frente ao Fórum Pedro Lessa da Justiça Federal, na Avenida Paulista.

A indignação contra as reformas se intensificou nas últimas semanas com a edição da Medida Provisória 805, que aumenta a contribuição previdenciária dos servidores (PSS) de 11% para 14% a partir de fevereiro e adia reajustes de diversas categorias de servidores do Poder Executivo.

“Precisamos fazer uma grande manifestação nesse 28 de novembro, que mostre para o governo toda a nossa revolta”, defendeu a servidora da JF Caraguatatuba Fausta Fernandes, diretora do Sintrajud.

Referindo-se á reforma trabalhista, em vigor a partir deste sábado, o servidor do TRT Marcus Vergne, também diretor do Sindicato, alertou a categoria para que não se sinta imune aos efeitos da nova legislação, que muda mais de 100 artigos da CLT. “Todos os ataques aos trabalhadores acabam nos atingindo”, afirmou. “Quando os trabalhadores da iniciativa privada perdem direitos, as categorias que mantêm esses direitos passam a ser consideradas privilegiadas”, declarou. Marcus lembrou que esse mesmo discurso do “combate aos privilégios” está sendo usado para justificar o ataque aos servidores na reforma da previdência.

Dia de Luta

Outras categorias de servidores e de trabalhadores da iniciativa privada, além de movimentos sociais, realizaram assembleias, atos, paralisações, bloqueios de estradas e uma série de protestos em todo o país nesta sexta. O Dia de Luta contra as reformas do governo Temer – mais especificamente, a reforma trabalhista – foi convocado pelas centrais sindicais e contou com a participação de milhares de trabalhadores.

Em São Paulo, eles se concentraram ás 9h30 na Praça da Sé, de onde seguiram em passeata até a Avenida Paulista. Houve ainda uma série de atos de protesto na periferia da cidade e em outros municípios.

Nos demais estados, a mobilização também reuniu grande número de categorias, inclusive em Campo Grande, onde a Plenária da Fenajufe teve sua programação alterada para que observadores e delegados participassem de um ato no centro da cidade.

“Os governos estão atacando todos os segmentos de trabalhadores”, apontou Roberto Nicolosi, da oposição sindical do Sinteps, que representa os trabalhadores do Centro Paula Souza (escolas técnicas e faculdades de tecnologia ligadas ao governo do Estado de São Paulo). Ele participou da assembleia dos servidores do Judiciário Federal e observou que o governo Geraldo Alckmin tenta aprovar na Assembleia Legislativa um projeto para congelar por dois anos os salários do funcionalismo estadual. “Somos uma categoria formada por celetistas e estatutários, o que significa que somos atacados de dois lados”, afirmou.

Servidores estaduais participaram dos protestos do Dia de Luta e organizavam uma caminhada até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, Já os trabalhadores técnico-administrativos das instituições de ensino superior federais, organizados pela Fasubra, deflagraram uma greve a partir desta sexta-feira.

Veja mais fotos da assembleia.