“Rombo do orçamento está na dívida pública, não nos gastos com serviço público”, apontam servidores em live


05/02/2021 - Shuellen Peixoto
Em transmissão online na manhã desta sexta-feira, 5 de fevereiro, representantes de entidades apresentaram a Carta Aberta às autoridades, protocolada no Congresso Nacional, sobre a 'reforma' administrativa.

A Auditoria Cidadã da Dívida, em conjunto com mais de 60 entidades, realizou na manhã desta sexta-feira, 5 de fevereiro, uma live para apresentar e tirar dúvidas sobre a Carta Aberta que questiona parlamentares brasileiros sobre a PEC 32, conhecida como ‘reforma’ administrativa. O Sintrajud subscreve a carta e esteve representado na transmissão ao vivo pelo diretor Fabiano dos Santos.

O bate-papo virtual contou com a presença também de Paulo Lindesay, diretor da ASSIBGE; Rivânia Moura, do Andes; Rosária Barbato, do Sindicato dos professores de universidades federais de Belo Horizonte (APUBH), e Maria Lucia Fattorelli, da Auditoria Cidadã.

O documento, protocolado no dia 1º de fevereiro, expõe 25 questionamentos sobre a PEC 32, demonstrando que o projeto causará um desmonte da estrutura do Estado e do serviço público, e trará danos graves à sociedade.

Segundo Maria Lucia Fatorelli, auditora fiscal aposentada e coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, o objetivo principal foi apresentar questionamentos sobre inconsistências encontradas no Projeto de Emenda Constitucional que acabam mascarando dados e colaboram para a extinção de serviços públicos no país. “Analisamos a PEC e vimos inconsistências, a começar que verificamos que não houve aumento de gasto com pessoal no funcionalismo público, na verdade, houve uma redução se comparado aos números de 2012″, destacou a auditora fiscal .

Para Fatorelli, estes números são parte de um mascaramento de dados que tentam convencer a opinião pública de que os servidores são os responsáveis pela crise econômica. ” O rombo no orçamento não está nos servidores públicos, está justamente no gasto com a dívida pública, isso significa que o déficit está no Banco Central e não nos gastos sociais”, afirmou a coordenadora da ACD.

Na opinião de Fabiano dos Santos, também coordenador da Fenajufe, a campanha do governo Bolsonaro e do Congresso Nacional pela aprovação da ‘reforma’ administrativa visa a retirada de direitos não só do funcionalismo público, mas da classe trabalhadora em geral. “O fracasso da política de combate à pandemia evidenciou a importância dos serviços públicos nos últimos meses e, na contramão disso, o governo quer empurrar como solução para a crise econômica e social uma ‘reforma’ administrativa que vai promover o desmonte do serviço público, omitindo da população que todos continuarão pagando os mesmos impostos, no entanto,  não terão mais acesso aos serviços de forma gratuita”, ressaltou.

Ainda para o sindicalista, é fundamental iniciativas como esta Carta Aberta, para conscientizar a população do verdadeiro objetivo da PEC 32. “Iniciativas que demonstrem para os trabalhadores as consequências de projetos como a ‘reforma’ administrativa são passos importantes, precisamos de unidade do conjunto do serviço público e dos trabalhadores da iniciativa privada para enfrentar estes ataques, como muita unidade e mobilização é possível impedir a retirada de direitos e [caminhar] rumo a uma sociedade mais justa”, disse Fabiano.

A diretoria do Sintrajud também tem participado da construção da mobilização contra a ‘reforma’ em conjunto com  o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) e o Fórum dos Trabalhadores do Serviço Público no Estado de São Paulo, participando de atos, panfletagens e carreatas. Saiba mais sobre as consequências da PEC 32 para os servidores aqui.

Veja a íntegra da live aqui:

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