“Não vai ter cura, vai ter luta”, afirmam LGBTs no Congresso da CSP-Conlutas

Pouco antes do início do painel sobre opressões e movimentos populares e estudantis, participantes LGBTs do 3° Congresso da CSP-Conlutas entraram no ginásio onde transcorria a atividade, em Sumaré (SP), entoando palavras de ordens que reafirmavam a diversidade e as posições da central contra o preconceito e a homofobia. “Não vai ter cura, vai ter […]

Pouco antes do início do painel sobre opressões e movimentos populares e estudantis, participantes LGBTs do 3° Congresso da CSP-Conlutas entraram no ginásio onde transcorria a atividade, em Sumaré (SP), entoando palavras de ordens que reafirmavam a diversidade e as posições da central contra o preconceito e a homofobia. “Não vai ter cura, vai ter luta”, disseram em coro, numa referência à recente decisão da Justiça, em Brasília, favorável à atuação de psicólogos em tratamentos voltados para LGBTs.

Os delegados e delegadas ao congresso votaram, na manhã do domingo (15), quarto e último dia da atividade, uma moção em defesa da diversidade e contrária à decisão judicial. O texto afirma que na prática a liminar “ataca os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, reforçando a opressão e a discriminação por LGBTfobia” e defende que os movimentos sindicais e sociais abracem o combate a isso. “É preciso colorir as lutas, pela criminalização da homofobia, nenhuma LGBT a menos, por um mundo sem opressão e sem exploração”, diz a moção aprovada.

Os “100 anos da Revolução Russa” foram lembrados durante as falas contra as opressões. O servidor Carlos Daniel disse que a restauração capitalista naquele país levou a grandes retrocessos, ao ponto de, neste ano de 2017, LGBTs serem colocadas em campos de concentração no território russo da Chechênia. “Mas o que acontece na Rússia neste momento não é algo isolado, o que acontece na Rússia é reverberado, infelizmente, como ataque aos setores oprimidos, em outros lugares”, disse.

A ‘cura gay’ também foi criticada por ele e apontada como resultado desse conservadorismo, que tenta retroceder uma conquista da década de 1980, quando se lutou muito, disse, para retirar a LGBT da lista das doenças. “Este ano nos deparamos com a realidade de ter sido realizado também o projeto da cura gay, desta vez pelas mãos do Judiciário. Não temos nenhuma confiança no Judiciário, que julga muito contra nossa classe, julga contra as LGBTs e que agora o juiz diz que nós podemos ser tratadas pelos psicólogos”, disse.

A morte este ano da travesti Dandara, em Fortaleza, também foi mencionada pelo orador. “A certeza da impunidade foi tão grande que ela foi filmada. Dandara foi morta a pedradas, a chineladas e foi posta num carrinho de mão. É uma morte típica contra LGBTs, eles querem nos exterminar, é feita com requintes de crueldade”, disse.

No entanto, afirmou, nada disso se passa sem que haja resistência. “Há três semanas, 15 mil pessoas foram à avenida Paulista [dizer] que quem é doente não são as LGBTs, mas o sistema capitalista, que mata todos os dias, pouco a pouco, a nossa classe”, disse.

Para ampliar essa resistência e avançar, defendeu prioridade para a questão. “É fundamental que essa central faça movimentos que colora, torne negra torne feminina nossa luta”, disse. Propôs que no próximo congresso a mesa das opressões tenha mais “centralidade” e mais tempo e não fique para o último dia, o que acabou ocorrendo devido a atrasos na programação. “Porque o nosso direito de lutar para existir é essencial”, disse, pouco antes de concluir o discurso afirmando que a construção de outro mundo é possível. “Temos a convicção e a certeza que com a revolução do proletariado, com a revolução colorida, nós vamos poder viver, ser e amar sem medo de sermos mortos”, disse.

 

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