Mulheres protestam em todo o país contra reforma da Previdência

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Milhões de mulheres foram  às ruas no Brasil e no mundo nesta quarta-feira, 8, para exigir o fim do machismo, da discriminação e da violência contra as mulheres.  Em São Paulo, a manifestação que marcou o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras reuniu cerca de 20 mil pessoas, numa prévia do que pode ser o dia 15, quando haverá greve nacional contra a reforma da Previdência.

A reforma foi alvo das manifestações que marcaram o 8 de março no Brasil, com protestos contra a retirada de direitos prevista na proposta do governo Temer (PMDB), principalmente a equiparação da idade mínima para o requerimento da aposentadoria, que passaria a ser de 65 anos tanto para homens como para mulheres. Pela reforma, para se aposentar com o benefício integral, a pessoa também deve ter 49 de contribuição à Previdência.

A servidora da JT e diretora do Sintrajud Inês Leal lembrou que este ano a data virou um chamado de paralisação internacional das mulheres trabalhadoras. “É um dia de luta das mulheres que, junto com os homens, estão lutando para que seus direitos não sejam retirados”, afirmou. “A classe trabalhadora não ganha nada com machismo e opressão, temos que juntar homens e mulheres na luta por uma sociedade mais justa.”

Diversas categorias paralisaram suas atividades, fizeram assembleias e manifestações. Em São José dos Campos, por exemplo, dez fábricas pararam suas atividades por algumas horas.

Na Baixada Santista, um ato público em frente à JF Santos reuniu, além dos servidores do Judiciário Federal, servidores da Previdência, do Judiciário Estadual, servidores municipais de Santos, peritos criminais da Policia Federal, auditores da Receita Federal e trabalhadores do setor de minérios.

No final da tarde, coletivos feministas da região promoveram atividades culturais na Estação da Cidadania e uma marcha em defesa dos direitos das mulheres.

“A participação das mulheres é fundamental; representamos a maior fatia do serviço público, não raro sofremos com assédio e somos preteridas nas promoções,  muitas vezes até por questões de maternidade”, disse a diretora do Sintrajud Lynira Sardinha, servidora da JT Cubatão.

“Agora vem essa tentativa de desmonte da Previdência, seremos duramente atacadas: além das mudanças com os critérios de aposentadoria, já fomos atacadas na concessão da pensão”, acrescentou Lynira, que também defendeu uma forte paralisação dos servidores no dia 15.

Na capital, após a assembleia geral, os servidores uniram-se aos professores estaduais e municipais e a outras categorias e movimentos sociais que fizeram uma grande passeata da Avenida Paulista à sede da Prefeitura.

Outro ato começou na Praça da Sé e também se deslocou para a Prefeitura, formando uma extensa concentração de manifestantes, com milhares de pessoas exigindo respeito aos direitos das mulheres.