LutaFenajufe: Bolsonaro coloca vidas em risco e tem que sair

O Coletivo LutaFenajufe realizou live com debate sobre a campanha “Fora Bolsonaro” durante a pandemia do coronavírus.próximo debate promovido pelo Coletivo LutaFenajufe, com transmissão ao vivo por aqui

Nesta sexta-feira (03 de abril), às 11h, acontece o próximo debate promovido pelo Coletivo LutaFenajufe, com transmissão ao vivo pelo Facebook, com o tema “Pandemia e Crise Econômica: o governo Bolsonaro e os desafios para os trabalhadores”. O economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), será o convidado do programa, que terá as participações da servidora Luciana Carneiro, da direção do Sintrajud, e de Saulo Arcangeli, do Sintrajufe-MA.

Na primeira live do Coletivo, realizada na quinta-feira (26 de março), os servidores debateram como, ao buscar atender interesses de grandes empresários, o governo do presidente Jair Bolsonaro está colocando a vida das pessoas em grave risco quando vai na contramão do que a ciência defende para combater o coronavírus. A afirmação foi defendida pela servidora Inês Leal de Castro e pelos servidores Cristiano Moreira e Fabiano dos Santos, durante debate com transmissão ao vivo promovido pelo Coletivo LutaFenajufe (clique para assistir).

A iniciativa teve como teme “Por que #ForaBolsonaro? Para salvar nosso salário, direitos e vidas, ele não pode continuar”. Todos os debatedores defenderam a campanha pelo fim do atual governo federal e que a federação nacional dos servidores do Judiciário Federal e do MPU (Fenajufe) aprove a participação neste movimento nacional. Pouco depois da live, parte dos diretores da federação defenderam a participação na campanha ‘Fora Bolsonaro’, mas a maioria da direção da Fenajufe votou contra a proposta.

A servidora Inês Leal de Casto, da direção do Sintrajud, criticou o uso da pandemia por parte do governo para aplicar medidas como a redução salarial e defendeu a campanha “Fora Bolsonaro”. “Não é possível que se aproveite dessa situação, onde nós estamos em casa, para se efetivar a redução salarial. Infelizmente, essa é a postura do Bolsonaro. Um colega aqui comenta que as pessoas ainda apoiam o Bolsonaro. O que se tem que entender é que esse é o projeto dele, por isso ele hoje é o nosso inimigo principal. Ou a gente barra, põe para fora esse governo, ou ele vai implementar essas medidas. A Fenajufe precisa se debruçar sobre isso, precisa fazer parte de uma campanha nacional pelo fim desse governo, que já existe, porque não é para sair o Bolsonaro e vir outro Mourão para continuar a política – acho muito importante que esse debate seja feito”, disse.

Integrante da diretoria do Sintrajud e da Fenajufe, Fabiano dos Santos disse que é preciso construir uma alternativa dos trabalhadores. “É um governo que para atender interesses dos grandes investidores, dos grandes empresários, coloca a vida das pessoas em risco. Passa uma mensagem de que as pessoas ou voltam para o trabalho ou vão ficar sem renda: morra doente ou morra de fome. Essa é a solução do governo. A gente precisa construir uma terceira opção. A nossa opção tem que ser a da gente enfrentar esse governo, tirar esse governo, que nesse momento está colocando as nossas vidas em risco”, disse, durante a live.

O servidor Cristiano Moreira, da coordenação da Fenajufe e do PJU no Rio Grande do Sul, disse que lutar pela saída de Bolsonaro é defender a vida. “O papel do movimento sindical, do movimento popular e do povo nesse momento é cobrar do governo e exigir, inclusive, a saída do Bolsonaro. São inúmeros crimes de responsabilidade que já foram praticados por ele. Já se falou até em intervenção psiquiátrica no governo, tamanho o disparate das declarações do Bolsonaro. Mas é importante que a gente passe a defender que ele saia do poder como forma de ter o mínimo de segurança para as nossas vidas e a manutenção dos nossos direitos – que são necessários sempre, mas num período como esse são mais do que nunca imprescindíveis para que as pessoas passem por essa tempestade”, defendeu.

Pronunciamentos

Em dois pronunciamentos recentes, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou pelo fim das medidas de distanciamento social adotadas nos estados e municípios. No último pronunciamento, no dia 31 de março, disse que “os efeitos colaterais do coronavírus não podem ser maiores do que a própria doença”. Demonstrou mais uma vez que a preocupação com a economia, num país que já possuía mais de 12 milhões de desempregados antes da pandemia, é bem maior do que com as centenas ou até milhões de vidas que, segundo pesquisadores da área, podem ser perdidas se as medidas de combate ao novo vírus não forem adotadas.

Propostas

Ao criticar as políticas aplicadas pelo governo federal neste momento, os servidores também apresentaram propostas para enfrentar este momento. Entre elas, a suspensão do pagamento da dívida pública, como forma de obter recursos, a revogação da Emenda Constitucional 95, do teto dos gastos, a taxação das grandes fortunas, a garantia de uma renda mínima para todos os brasileiros, aluguel social ou hospedagem em hotéis para quem está em situação de rua ou mora em habitação precárias e inadequadas para o distanciamento social.

A suspensão do pagamento da dívida pública foi ressaltada como uma das medidas essenciais para enfrentar esse momento. “O sistema de dívida pública é o grande gerador da crise que a gente vive. Essa crise vem sendo construída ao longo dos anos. Durante muitos anos, [inclusive] nos governos do PT, as contas públicas eram superavitárias e ainda assim a dívida pública aumentou durante esse período. Então existe uma política de geração de dívida pública que vai se aprofundando e, inclusive, ataca a economia. É por isso que a gente defende que a melhor forma de fazer esse enfrentamento é a suspensão do pagamento da dívida pública”, disse Fabiano.

Teletrabalho

A situação dos trabalhadores do Judiciário Federal e do MPU deslocados para o teletrabalho por conta da pandemia também foi abordada ao longo da live. “Nós fomos todos colocados em teletrabalho, todos os servidores da Justiça, das três esferas, e na verdade as condições para que se faça o teletrabalho não foram observadas muitas vezes. Não estou dizendo 100% dos casos, mas nós temos reclamações de colegas que não têm o computador, do colega que não tem internet, que não tem as condições de ergonomia, por exemplo”, observou Inês. “É muito importante também que a gente defenda a suspensão da cobrança de metas do CNJ e que os tribunais todos mantenham os trabalhadores em casa, mas garantindo [soluções] para o trabalhador que não tem estrutura em casa para fazer o teletrabalho”, disse Cristiano.

Homenagem

A live foi encerrada com tristeza pela morte do servidor Carlos Alberto de Araujo Rocha, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio de Janeiro, primeira vítima fatal da Convid-19 na categoria. Os servidores prestaram uma homenagem póstuma a Carlos Alberto. Ainda não havia a notícia da internação que resultou na morte do servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, José Dias Palitot Júnior, também vítima da Covid-19.

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