Luta antirracista e papel do Judiciário serão tema da live desta 5ª

Transmissão terá a participação do professor da USP Dennis de Oliveira e servidores do TRT-2, a partir das 11h nas páginas do Facebook, Youtube e aqui pelo site.

Os significados do novo ascenso da histórica luta contra a discriminação racial que mantém a hierarquização de vidas e naturaliza violências contra a população negra serão o tema da 35º live do Sintrajud, que acontece nesta quinta-feira, 9 de julho, às 11h,  no Facebook, no YouTube e aqui no site.

Desde o mês passado, milhões de pessoas ao redor do mundo tomaram as ruas, enfrentando a maior pandemia dos últimos 100 anos, para reafirmar que vidas negras importam. Os protestos de caráter massivo, que começaram nos Estados Unidos após do assassinato do segurança George Floyd por um policial que permaneceu quase nove minutos ajoelhado sobre o pescoço do rapaz, resgataram para o centro do debate político a luta contra o racismo que estrutura a sociedade, pelo direito das pessoas negras à vida com direitos e dignidade.

No Brasil, os movimentos negros também voltaram às ruas, respeitando o distanciamento social, para denunciar que a pandemia escancarou o racismo na sociedade brasileira – como mostram os números do contágio e de mortes pela covid-19, as desigualdades de condições para o isolamento social e o aumento da violência policial.

A diretoria do Sintrajud convidou o jornalista Dennis de Oliveira e os servidores do TRT-2 Fernanda de Oliveira e Filipe Gioielli Mafalda. A transmissão também terá a participação da diretora do Sindicato Luciana Carneiro, servidora do TRF-3, e vai abordar também o combate ao racismo institucional no Judiciário Federal.

Docente da Escola de Comunicação e Artes da USP, onde coordena o Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC), Dennis também integra o conselho consultivo do Instituto Luiz Gama. O jornalista foi um dos fundadores da UNEGRO (União de Negras e Negros pela Igualdade) e esteve à frente da mobilização que levou à criação da CONE (Coordenadoria dos Assuntos da População Negra), em 1992, na capital paulista. Dennis ainda integrou o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, como representante da sociedade civil, e hoje atua na Rede Antirracista Quilombação e na Coalizão Negra por Direitos.

Os servidores são parte de uma mobilização pela mudança do nome do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa para Fórum Luiz Gama. A proposta toma por base os registros históricos sobre o papel de Ruy Barbosa na política de queima de milhares de documentos relativos à escravização de africanos que então estavam sob guarda de repartições públicas submetidas à autoridade do ministério da Fazenda, logo a após a proclamação da República.

Luiz Gama, jornalista negro que atuou como advogado em processos judiciais que conquistaram a liberdade de mais de 500 escravizados, frequentou a Faculdade de Direito da USP sem matrícula formal em razão do racismo, e só foi reconhecido como advogado pela seccional paulista e o conselho federal da OAB em 2015. Seu busto no Largo do Arouche (centro da capital) e o título de patrono da cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras são parte de um processo de reconhecimento histórico de seu papel na luta antirracista.

“A ideia surgiu depois de responder um ‘Bom Dia TRT’ sobre o movimento de destruir as estátuas. Naquele momento eu questionei o nome dado ao Fórum, porque graças à queima de arquivos da escravidão, nunca soube de onde eu vim”, explicou Fernanda.

Ela e Filipe são trabalhadores negros num Tribunal que funciona no estado com o maior contingente populacional negro do país, mas divulgou recente pesquisa onde apenas 16% dos servidores se autodeclaram pretos (1,7%) ou pardos (14,3% pardos). A pesquisa também aponta, além das dificuldades no acesso, o racismo presente no cotidiano: 2,6% dos servidores responderam já terem sofrido alguma violência étnica/racial no Tribunal.

Participe e convide seus colegas A live será um momento de debater o assunto e tirar possíveis dúvidas sobre o tema.