Congresso enterra CPI mista para investigar Brumadinho e outras barragens

A identificação do corpo de um bebê de um ano elevou para 182 o número de mortos pelo rompimento da tragédia da Vale em Brumadinho, enquanto permanecem desaparecidas outras 126 pessoas. O nome do bebê Heitor Prates Máximo da Cunha foi incluído nesta quinta-feira, 28 de fevereiro, na lista divulgada pela Polícia Civil de Minas […]

Ponte em Brumadinho após rompimento da barragem da Vale. (Foto: Guilherme Venaglia/Wikimedia)

A identificação do corpo de um bebê de um ano elevou para 182 o número de mortos pelo rompimento da tragédia da Vale em Brumadinho, enquanto permanecem desaparecidas outras 126 pessoas. O nome do bebê Heitor Prates Máximo da Cunha foi incluído nesta quinta-feira, 28 de fevereiro, na lista divulgada pela Polícia Civil de Minas Gerais.

Ao mesmo tempo em que o número de mortos aumenta, um conflito entre deputados e senadores enterra a CPI mista que o Congresso criaria para investigar a tragédia de Brumadinho e a situação das barragens no país.

Embora os presidentes do Senado e da Câmara tenham anunciado a criação de suas próprias CPIs, a ideia de uma CPI mista parece ter ficado sob a lama.

Os deputados Júlio Delgado (PSB) e André Janones (Avante) acusaram o senador Carlos Viana (PSD),  todos de Minas Gerais, de barrar a criação da CPMI para atender aos interesses da Vale. Janones ainda acusou Viana de ter sua campanha financiada por um executivo da mineradora.

O senador, por sua vez, alegou que uma CPI mista acabaria embaralhando as investigações, porque teria de lidar com ritos diferentes na Câmara e no Senado. Em vez disso, ele disse preferir uma CPI apenas do Senado e se candidatou, primeiro, à presidência, e depois à relatoria.

Na última terça-feira, 26, Janones e Viana tiveram um bate-boca no Congresso e quase chegaram à agressão física. “Qual é a sua prova, sendo que eu nunca vi essa pessoa?”, indagou o senador, rebatendo a acusação de ter sido bancado por executivo da Vale.

Janones foi às redes sociais e postou uma nota em que chama uma eventual CPI do Senado presidida por Viana de “tapa na cara dos brasileiros”. À TV Câmara, o deputado Júlio Delgado declarou que “a CPI do Senado está com um cheiro de pizza muito grande”.

Ambos os deputados fazem parte da comissão externa criada pela Câmara, logo após o rompimento da barragem de Brumadinho, para investigar as condições em que opera o setor de mineração no Brasil. Nesta quarta-feira, 27, um dos deputados dessa comissão disse ao site ‘Congresso em Foco’ que o grupo já apurou uma série de desmandos na fiscalização do setor.

Deputados e o senador Carlos Viana batem boca no Congresso Nacional

A tragédia também trouxe à tona as contradições e as violações de direitos provocadas pela reforma trabalhista e agravadas pela ameaça de extinção da Justiça do Trabalho, conforme mostrou a última edição do Jornal do Judiciário.

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