Trabalhadores aprovam carta unitária e plano de lutas contra Bolsonaro

Foto: Marcus Vergne

 

Trabalhadores, estudantes e representantes de movimentos sociais de todo o país aprovaram uma carta unificada e um plano de lutas para 2020 contra os ataques a direitos impostos pelo governo Bolsonaro. O debate sobre a organização da mobilização e a necessidade de construção de uma nova greve geral, marcada para o dia 18 de março, aconteceu durante o Seminário Nacional do Fórum Sindical, Popular e de Juventudes pelos Direitos e pelas Liberdades Democráticas, nos dias 14 e 15 de dezembro, em São Paulo.

O Sintrajud participou da atividade representado pelos diretores Luciana Carneiro, servidora do TRF, Henrique Sales e Marcus Vergne, servidores do TRT. Além disso, também esteve presente a servidora Anna Karenina, da JF/Presidente Prudente. O seminário teve palestras dos economistas e professores da Unicamp Marco Antônio Martins Rocha e Plínio de Arruda Sampaio Jr. (aposentado), da cientista política Andréia Galvão, também docente da Universidade Estadual de Campinas, do sociólogo Ricardo Antunes e de Jupiara Castro, integrante do Conselho Nacional de Saúde e fundadora do Núcleo de Consciência Negra da USP.

Os participantes debateram os desafios das organizações sindicais e estudantis para construir uma forte mobilização em defesa dos direitos sociais e trabalhistas. “O seminário surpreendeu por reunir muita gente disposta a construir nas ruas a resistência contra os ataques. Sabemos que 2020 será um ano difícil, e que só construindo a unidade entre trabalhadores do serviço público e privado, estudantes e movimentos sociais e fazendo uma forte greve geral no dia 18 de março será possível impedir a retirada de direitos”, destacou Henrique Sales.

Além da carta e do calendário de lutas (confira abaixo), o seminário também debateu a realização de um novo Encontro Nacional da Classe Trabalhadora. Foi em iniciativas desse tipo que foram gestadas a fundação da Central Única dos Trabalhadores, na década de 1980, e a CSP-Conlutas em 2010. Na avaliação dos ativistas presentes, as centrais sindicais e os movimentos sociais de expressão no país precisam construir, de modo unitário, um grande encontro que reúna o conjunto dos ativistas das mais diversas lutas — sindicais, mulheres, negros e negras, LGBTs, sem-terra, sem-teto, indígenas, quilombolas, entre outras.

Calendário de mobilização aprovado no seminário

– 21 de fevereiro: Bloco na rua no carnaval 2020
– 8 de março:
Atos pelo Dia Internacional da Mulher
– 18 de março:
Greve nacional da educação e contra as privatizações
– 1 de maio:
Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras

CARTA DO SEMINÁRIO DO
FÓRUM SINDICAL, POPULAR E DE JUVENTUDES
POR DIREITOS E LIBERDADES DEMOCRÁTICAS

As classes dominantes vêm realizando uma brutal ofensiva contra os trabalhadores, a juventude, em especial a classe trabalhadora das periferias, mediante um conjunto de políticas neoliberais, que vêm avançando com o objetivo de rebaixar o salários e cortar direitos e garantias de nossa classe, como representou a contrarreforma trabalhista e previdenciária.

Essas políticas, resultado da crise estrutural e Internacional do capitalismo, se intensificam com o governo Bolsonaro, atingindo amplos segmentos da classe trabalhadora via fundamentalismo religioso e fakenews. Tudo isso agravado por uma política de invisibilidade e ofensiva conservadora contra amplos segmentos da população como negros e negras, mulheres, LGBT, indígenas, quilombolas, ribeirinhos e moradores das periferias brasileiras.

Vale constatar a intensificação de retrocessos e obscurantismo com a ascensão do governo de extrema-direita com elementos neofascistas, tanto no governo federal como em alguns estados e municípios, com retirada de direitos e ataques às liberdades democráticas, o que torna as tarefas para a classe trabalhadora ainda mais desafiantes.

Ao mesmo tempo, o ano de 2019 segue marcado por importantes mobilizações da classe trabalhadora, com destaque para o 15M, 30 M, 14J e para as greves e mobilizações de vários setores nos estados e municípios. Houve dificuldades da classe trabalhadora em reagir aos ataques. Mesmo as respostas, com explosões de luta, foram insuficientes para arrancar vitórias. No entanto, há condições para serem construídas.

O governo Bolsonaro e outros seguem implantando medidas que irão aumentar as contradições e insatisfações. Por isso, a luta popular nas ruas, locais de trabalho e moradia seguem sendo o nosso Horizonte a ser construído.

Essa conjuntura exige das entidades e organizações da classe a construção de estratégias para a ampliação da mobilização pela base. bem como o avanço da consciência social de amplos segmentos dos trabalhadores, visando ao destravamento das lutas sindicais, populares e da juventude. Vale ressaltar que essas lutas têm sido contidas nos últimos tempos, entre outras coisas, por parte das direções políticas e sindicais e pela grande imprensa que buscam o apassivamento da população.

Assim, a tarefa de entidades, organizações e movimentos populares, sociais e estudantes, deve ser a de se empenhar ao máximo no processo de intensificação do trabalho de base, visando conquistar corações e mentes para a construção de um projeto de sociedade que não se pauta pelos princípios do capitalismo, combatendo os retrocessos impostos pela EC/95, a privatização, a apropriação privada do fundo público, a destruição ambiental, a alienação cultural e a desestruturação do trabalho. Julgamos ainda fundamental combater a discriminação contra as pessoas com deficiência, a LGBTfobia, o machismo, o racismo e todas as outras opressões que estruturam a sociedade e impedem a construção do poder da classe trabalhadora.

As entidades que estão construindo o Fórum Sindical Popular e de Juventudes por Direitos e Liberdades Democráticas conclamam a todos os lutadores sociais e políticos em todos os estados do país para que possamos impulsionar, em ampla unidade de ação, com chamamento público as entidades, partidos, organizações políticas, movimentos e frentes da classe para a construção do Encontro Nacional da Classe Trabalhadora, etapa fundamental para o processo de reorganização de nossa classe.

Por isso, nossa tarefa imediata, além de RESISTIR, é avançar na luta e construir alternativas que não alimentem ilusões aos projetos de conciliação de classe. É preciso ampliar as mobilizações e construir um amplo calendário de atividades, que seja capaz de impulsionar, atos, paralisações e greves e manifestações para um 2020 de intensas lutas. Para tanto, é fundamental a construção do Fórum Sindical, Popular e de Juventudes por Direitos e Liberdades Democráticas em TODOS os estados do país, como forma de contribuir para a construção da frente única dos trabalhadores e seu processo de reorganização nesse novo ciclo.

Derrotar o governo Bolsonaro e Mourão nas ruas, reverter as contrarreformas e lutar por emprego, reforma agrária, saúde, educação, cultura, segurança e moradia para a classe trabalhadora.

Inspirados nas lutas da classe trabalhadora internacional, é necessário ousar lutar e ousar vencer!

São Paulo, 15 de dezembro de 2019