Pesquisa da Fenajufe aponta que 66% da categoria teve doenças relacionadas ao trabalho

Professor Emílio Peres Facas, da UnB, apresentou relatório da pesquisa sobre saúde dos servidores do Judiciário Federal e do MPU durante o 10º Congrejufe.

Crédito: Joca Duarte

 

Nos últimos 12 meses, 66% dos servidores do Judiciário Federal e MPU que responderam à pesquisa da Fenajufe tiveram problemas de saúde relacionados à vida laboral. O dado consta no levantamento sobre sofrimento e adoecimento no trabalho na categoria. O relatório da pesquisa foi apresentado na última terça-feira, 30 de abril, pelo professor da UnB Emílio Peres Facas, no 10º Congresso Nacional da Fenajufe, em Águas de Lindoia.

Segundo o professor, os dados da pesquisa apontam elementos muito relevantes para a atuação da Federação em defesa da saúde dos trabalhadores. Para ele, o número de servidores que reportaram o adoecimento relacionando a vida laboral pode ser muito maior. “Muitas vezes os trabalhadores têm dificuldades de reconhecer que estão adoecendo por conta do trabalho, por isso, este tipo de problema é subnotificado”, afirmou Facas.

O professor apontou ainda que o adoecimento da categoria é agravado pelos cenário político, de cortes no orçamento do Judiciário, número de trabalhadores insuficientes, além de prazos e metas inatingíveis, que resultam em sobrecarga de trabalho.

Além disso, também são fatores destacados por Facas como responsáveis pelo adoecimento laboral o esgotamento mental e falta de reconhecimento (apontados por 62% dos entrevistados). “Falta o reconhecimento do esforço que cada servidor faz para cumprir seu trabalho, mesmo tendo que enfrentar condições adversas, é preciso que haja reconhecimento do esforço feito por cada pessoa, mesmo que a meta não tenha sido cumprida, por ser irrealizável, o trabalho não se limita a números e nem a índice”, destacou o professor.

O modelo de gestão do Judiciário Federal foi criticado pelo professor Emílio Facas. “É um modelo de gestão da iniciativa privada e tentam encaixar isso na organização do serviço público, criando, por exemplo, metas sem analisar as especificidades de cada lugar, com uma divisão de trabalho verticalizada, que gera adoecimento nos trabalhadores e cria um ambiente fértil para assédio moral”, ressaltou.

Assédio Moral

A mesa aconteceu às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Assédio Moral, comemorado neste dia 2 de maio. O especialista apontou a prática do assédio moral como um dos problemas enraizados no ambiente de trabalho no Judiciário. “Os relatos de violência e assédio moral são constantes, encontram chão no abuso de poder e na verticalização do processo de trabalho”, afirmou Facas. “Infelizmente, as pessoas ainda desconhecem o que é assédio moral, o que resulta no seu adoecimento é que as vítimas de violência passam a se sentir culpadas pela violência que elas passam”, destacou.

O professor recomendou que a Fenajufe utilize a pesquisa como instrumento político em defesa da saúde da categoria. “Reforço: pensar propostas de intervenção a partir da pesquisa deve ser uma prioridade, pois sem saúde a gente não consegue lutar”, finalizou o palestrante.

O relatório final da pesquisa de saúde do trabalhador da Fenajufe pode ser lido aqui.

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