Greve defende Correios, cuja privatização é rejeitada pela maioria segundo pesquisa

Greve nacional dos trabalhadores dos Correios, iniciada na noite de 10 de setembro, contesta a tentativa do governo federal de privatizar a estatal, de eliminar benefícios e praticamente congelar os salários da categoria. O acordo coletivo de trabalho já deveria ter sido renovado desde julho passado, mas a direção da empresa se recusou a negociar.

O governo tenta aplicar para os funcionários da estatal uma política similar a que vem adotando para o funcionalismo público. A direção da empresa apresentou como proposta de renovação do acordo a retirada de uma série de direitos – como a redução do percentual sobre as horas-extras trabalhadas, limitações no plano de saúde e diminuição do adicional noturno -, além de um reajuste de 0,8%. Faz poucas semanas, o Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, anunciou que pretende privatizar a empresa, que é apontada como a mais antiga estatal do Brasil – o serviço postal no país existe há 356 anos.

Mais antiga e também querida pelos brasileiros. É o que demonstra pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha também na terça-feira (10), algumas horas antes da deflagração da greve da categoria. Para a maioria da população (60%), os Correios não devem ser privatizados. Apenas 33% se declararam favoráveis à venda da estatal, que integra o pacote de empresas que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deseja entregar para o setor privado. A mesma pesquisa também demonstrou que expressiva maioria dos brasileiros é contra os planos de privatização de empresas estatais que o governo deseja pôr em prática.

Papel da estatal

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos está presente nos 5.570 municípios e registrou lucro líquido de R$ 161 milhões em 2018. Os sindicatos da categoria alertam que, caso seja privatizada, milhares de municípios ficarão a descoberto. Isto porque muitas empresas que tentam disputar espaço com os Correios só querem atender aos grandes centros – quando as encomendas são para cidades distantes, tais empresas utilizam o serviço dos Correios para realizar a entrega.

As entidades sindicais também ressaltam que os Correios são essenciais para a realização de políticas públicas e serviços sociais prestados à população, como as campanhas de vacinação e de amamentação, e pela logística do Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos também tem atuação destacada na distribuição das urnas no período eleitoral e na atuação em tragédias como Mariana e Brumadinho. Funciona, ainda, como banco postal, cumprindo papel de agência bancária em localidades nas quais não existe esse serviço.

O governo não apresentou nenhum plano elaborado para a desestatização e muito menos capricha nos argumentos para defender a privatização dos Correios. Segundo o portal G1, em 1° de agosto de 2019, o ministro Paulo Guedes – que é economista e banqueiro – disse em uma palestra na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo (RS), para tentar justificar a venda às pressas: “Quem aqui ainda escreve cartas?”.