Exposição sobre Dom Paulo Evaristo Arns termina neste fim de semana

“Ser cristão é trabalhar para que haja justiça e solidariedade em todos os lugares“, dizia dom Paulo Evaristo Arns, o arcebispo que marcou a história da luta contra a ditadura. Em pleno ano eleitoral, essa história está sendo reinterpretada por grupos políticos que enaltecem justamente o regime que ele ajudava a combater.

Refletir sobre o contexto atual e sobre aquele período é um dos motivos irresistíveis para visitar a exposição sobre a vida de dom Paulo, em cartaz no Centro Cultural dos Correios. Foi o que fez um grupo de aposentados do Núcleo de Aposentados e Pensionistas (NAS) do Sintrajud na última quarta-feira, 19 (foto à direita).

“Achei maravilhoso, porque muitos não sabem tudo o que aconteceu tempos atrás e aqui foi revelado”, disse a servidora aposentada Deusa Assis dos Santos. “Eu estava por dentro dessa história porque meu pai me falava sobre as coisas que aconteciam no Dops [órgão de repressão da ditadura]”, acrescentou.

Eventos paralelos

Apoiada pelo Sintrajud e outras entidades, a exposição é gratuita e fica aberta até o próximo domingo, 23.

Além dos painéis com os momentos mais marcantes da trajetória do “bispo dos oprimidos”, o visitante ainda pode ver vídeos com algumas de suas entrevistas e de pessoas que conviveram com ele. Eventos paralelos enriquecem a visita, como o espetáculo teatral “Lembrar é Resistir” (foto ao lado) e as rodas de conversa – a última será neste sábado (22), sobre a “Democracia Corinthiana”.

 

 

A reprodução de uma cela dos porões da ditadura e de um cemitério de ossadas de presos políticos – como o que foi encontrado em Perus – reforçam o realismo da exposição. A fachada e os contrafortes da Catedral da Sé também compõem o cenário, lembrando missas históricas que dom Paulo celebrou em memória de alguns dos mortos pela ditadura, como os operários Manoel Fiel Filho e Santo Dias e o estudante da USP Alexandre Vannucchi Leme.

“Os grandes objetivos são, além de homenagear dom Paulo, fazer com que as pessoas que viveram nesse período se sintam reconhecidas e dialogar com a juventude, que muitas vezes desconhece a história e a importância da democracia”, afirma Paulo Pedrini, curador da exposição (foto à direita).