Depois do 24J, servidores planejam agosto de lutas contra Bolsonaro e PEC 32


27/07/2021 - Hélio Batista Barboza
Mobilização pelo impeachment foi às ruas em mais de 400 cidades, enquanto combate à ‘reforma’ entra em momento decisivo

 

Manifestação do 24J na Paulista (Foto: Jesus Carlos)

O povo brasileiro não pode esperar as eleições de 2022 para tirar Jair Bolsonaro da Presidência da República e seu afastamento é essencial para defender os serviços públicos e os direitos da população, contra a ‘reforma’ administrativa, as privatizações e outras propostas do governo. Esse foi o recado que milhares de manifestantes levaram no último sábado à Avenida Paulista e aos demais 400 atos de protesto no Brasil e no exterior.

Para os servidores públicos, os atos foram uma demonstração de unidade das categorias e uma preparação para os próximos eventos da agenda de mobilização do funcionalismo (veja agenda abaixo). Dirigentes sindicais defenderam também a necessidade de se construir uma greve geral dos trabalhadores.

Foto: Gero Rodrigues

“Somos nós que temos salvado vidas nesse país, são as trabalhadoras e trabalhadores do setor público que têm feito toda a diferença no enfrentamento dessa pandemia”, disse a diretora do Sintrajud Luciana Carneiro. “Essa é mais uma oportunidade de conversarmos com a população sobre todos os males desse governo e sobre todos os males que advirão se essa ‘reforma’ administrativa for aprovada.”

Para Tarcísio Ferreira, também diretor do Sindicato, a luta contra a PEC 32 está entrando em um momento decisivo. “É importante, sim, fazer pressão sobre os parlamentares, mas é fundamental a mobilização para derrotar em definitivo essa proposta”, disse Tarcísio. “A estabilidade do governo Bolsonaro é condição para a aprovação dessa e de outras propostas, como as de privatizações.”

O 24 de julho foi o quarto dia de grandes manifestações pelo “Fora Bolsonaro e Mourão”. Assim como nas três jornadas anteriores – em 29 de maio, 19 de junho e 3 de julho – a preocupação com a covid-19 foi suplantada pela indignação popular contra o presidente, numa avaliação de que Bolsonaro é mais perigoso do que o coronavírus.

“Nossa pauta central hoje é derrubar Bolsonaro para recuperar a democracia. Não podemos esperar até as eleições”, afirmou Nelson Novaes, diretor do Sindicato dos Servidores e Trabalhadores Públicos em Saúde, Previdência e Assistência Social no Estado de São Paulo (Sinsprev).

Transmissão ao vivo

Mais uma vez os protestos foram caracterizados pelo uso de máscaras, álcool gel e distanciamento – medidas que o próprio presidente despreza.

(Foto: Gero Rodrigues)

Um boneco gigante com o uniforme dos Correios pairou sobre os manifestantes na Paulista e simbolizou a defesa da estatal contra o projeto de privatização, que tramita na Câmara dos Deputados. “O governo Bolsonaro quer privatizar uma estatal que tem mais de 358 anos e atende a todos os municípios”, declarou Paulo Cesar Almeida, diretor da federação nacional dos trabalhadores da empresa (Fentect) e dirigente da CSP-Conlutas.

A manifestação foi marcada ainda por um inédito esforço coletivo de cobertura jornalística, com a transmissão ao vivo do ato realizada pelo Sintrajud em parceria com as entidades que compõem o Fórum dos Trabalhadores do Setor Público de São Paulo e a CSP-Conlutas.

Durante as mais de três horas de transmissão, sucederam-se entrevistas in loco ou por videochamada com dirigentes de várias entidades sindicais e trabalhadores de diversas categorias do funcionalismo, além do economista Washington Moura Lima, assessor do Sintrajud, e o sociólogo Ricardo Antunes, professor da Unicamp. A cobertura do ato na Avenida Paulista foi complementada ainda pela exibição de imagens dos protestos em outras cidades, como Santos, Belo Horizonte, Salvador e Teresina.

Ato em Santos

“É muito importante mostrar os atos pelo Brasil, mostrar como a população está se mobilizando para derrubar esse governo genocida”, apontou Maira Martins, do núcleo paulista do Sindicato Nacional dos Servidores Federais (Sinasefe-SP).

“É importante que a gente leve essa luta para as cidades pequenas, porque a ‘reforma’ administrativa atinge em cheio os servidores municipais e estaduais. Além de um ataque à carreira do servidor público, é um ataque ao direito da população”, acrescentou Maira, falando de Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, onde também foi realizado um protesto.

Em Santos, a subsede do Sintrajud participou do ato realizado na Praça da Independência, com entidades que também integram a Frente Sindical Classista, além de outros movimentos e organizações.

Protesto em Salvador (Foto: Coletivo Resistência e Luta)

Em Maceió, os manifestantes fizeram uma parada em frente a uma das residências do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP). “Fizemos a denúncia pela cumplicidade dele com o genocídio que o governo comete, por ele estar sentado em cima de mais de uma centena de pedidos de impeachment, principalmente do último, que foi um superpedido”, contou Paulo Falcão, coordenador do Sindjus/AL que também participou da transmissão.

“Acredito que as mobilizações populares deram outro tom, porque vemos a popularidade do governo caindo. Hoje, nesse dia importante em que mais de 400 cidades se mobilizam, a derrubada do governo está mais perto”, avaliou Maria Madalena Nunes, diretora do Sintrajufe-PI, falando de Teresina.

Mais pobres pagam

“Só a pressão vai fazer com que o Parlamento abra [o processo de impeachment], a partir das conclusões já muito evidentes da CPI, de alto nível de envolvimento do governo contra as vacinas e em corrupção, enquanto a população brasileira morria aos milhares”, afirmou Ricardo Antunes. “Cada vez mais teremos de pensar em paralisações, greves e vários movimentos para demonstrar o cabal descontentamento popular.”

A servidora do TRT Inês Leal de Castro observou que metade da população do Brasil vive em insegurança alimentar, sem saber se vai ter o que comer no dia seguinte. “O mais grave é que essa situação poderia ser diferente se houvesse vontade política”, comentou.

“A população mais pobre é quem de fato está tendo o ônus da pandemia. Já há uma perspectiva de uma inflação dos alimentos de 50% neste ano”, acrescentou Washington Moura Lima. “A dívida pública representou no ano passado R$ 1,381 trilhão do orçamento da União. Enquanto isso, o auxílio emergencial no ano passado foi [orçado] em R$ 322 bilhões, mas só uma parte foi gasta”, comparou o economista.

Agenda de mobilização do funcionalismo

29 de julholive de abertura do Encontro Nacional dos Servidores Públicos

30 de julho – Encontro Nacional dos Servidores Públicos

3 de agosto – Manifestação em Brasília, diante do Congresso Nacional (volta do recesso)

18 de agosto – data indicada para greve nacional do funcionalismo

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