Crise abre espaço para superar liberalismo e debater a “revolução brasileira”, diz Nildo Ouriques

Fotos: Jesus Carlos

A despeito de fases de recessão ou crescimento, de crise ou de certo progresso burguês, o Brasil é essencialmente um país dependente, subdesenvolvido e periférico. “Esse dado tão eloquente consegue ser ocultado pelas duas faces do liberalismo – o de direita e o de esquerda”, afirmou o professor de Economia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Nildo Ouriques, em palestra aos servidores no auditório do Sintrajud no último sábado, 18 de maio.

Ouriques apresentou o minicurso “Liberalismo : o caminho brasileiro da dependência e do subdesenvolvimento”, atividade de formação oferecida pelo Sindicato com o objetivo de ampliar a compreensão da categoria acerca da realidade brasileira atual.

A partir de uma perspectiva marxista, Ouriques condenou as duas versões do liberalismo que, para o professor, “é a ideologia da classe dominante por excelência”. Ele acrescentou que não chega a ser surpreendente que o governo Bolsonaro busque implementar uma nova versão dessa ideologia: o ultraliberalismo.

Instabilidade

O liberalismo de direita e o de esquerda vinham se aproximando desde 1994, com o Plano Real, a eleição de Fernando Henrique Cardoso para a Presidência da República e a gradual convergência programática que se seguiu, entre PT e PSDB. O surgimento do ultraliberalismo cancelou essa aproximação, disse o professor da UFSC.

Segundo Ouriques, a ideologia liberal se apresenta como uma “luta eterna entre o moderno e o atrasado e entre o democrático e o autoritário”. O professor alertou, no entanto, que essa dicotomia faz parte de uma mesma “jaula” de pensamento, a ser rompida pela classe trabalhadora para a realização do que ele chama de “revolução brasileira”.

“A época desse ultraliberalismo está se desgastando muito rapidamente e o desgaste do [governo] Bolsonaro é muito rápido, como prevíamos em novembro do ano passado; é um governo de instabilidade permanente”, disse Ouriques. “O jogo das classes sociais não permite estabilidade e vai fazer com que Bolsonaro ataque cada vez mais as instituições”, previu.

Na avaliação do professor, essa instabilidade abre espaço para uma mudança radical da sociedade. “Temos de constituir uma crítica de esquerda ao sistema e essa crítica, no seu marco totalizante, é o debate sobre a revolução brasileira”, declarou.

Veja a palestra completa do professor Nildo Ouriques neste link, na página do Sintrajud no Facebook.