CSP Conlutas Sintrajud Fenajufe
SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL NO ESTADO DE SÃO PAULO
06/ago/2018

Servidores aprovam construção do coletivo nacional de mulheres da Fenajufe

Resolução aprovada na XXII Plenária da Fenajufe tem objetivo de combater o machismo e o assédio institucional.

Shuellen Peixoto

As delegadas e delegados da XXII Plenária da Fenajufe aprovaram a criação do Coletivo Nacional de Mulheres do Judiciário Federal e do MPU durante a plenária de votação das resoluções na manhã deste domingo, 5, em Salvador. O objetivo é organizar as servidoras da categoria em todo Brasil, para desenvolver as pautas de combate ao machismo, à violência contra as mulheres e ao assédio.

Na opinião da ampla maioria dos presentes, é necessário que a Federação paute os temas da defesa das políticas de igualdade de gênero dentro das entidades sindicais e tribunais. “É muito importante que o debate da condição das mulheres na sociedade seja reconhecido em todos os espaços que construímos, somos a maioria na sociedade e é preciso construir políticas de fortalecimento e ocupação dos espaços políticos e sindicais”, afirmou Claudia Vilapiano, diretora do Sintrajud e servidora da JF  Campinas.

O debate tomou ainda mais importância por acontecer na mesma semana em que a advogada Tatiane Spitzner foi encontrada morta em seu apartamento em Guaparuava (PR). O principal suspeito do assassinato é seu marido Luis Felipe Manvailer. Imagens das câmeras de segurança mostram a advogada sendo agredida pelo marido minutos antes da sua morte.

“Não podemos esquecer que vivemos em um país em que a cada duas horas uma mulher é assassinada pela violência machista, a cada minuto, 503 mulheres sofrem agressões físicas, recebem salários 40% menores do que os dos homens, não vivemos em uma bolha, essa situação se reflete em nossos locais de trabalho”, destacou Cláudia.

No Sintrajud, o Coletivo de Mulheres foi construído em 2017 e é composto por colegas da ativa, aposentadas e pensionistas. A criação do coletivo foi parte do amadurecimento do debate de combate ao machismo na categoria. Além dos espaços de debate, o coletivo produziu em março deste ano a cartilha “Assédio Sexual não pode ser segredo na justiça”, como parte da campanha de combate ao assédio sexual nos tribunais.

Protesto na Plenária

Em resposta à declaração machista de um dos participantes, as servidoras fizeram uma manifestação durante na manhã deste domingo, na XXII Plenária da Fenajufe. O participante colocou-se contra uma das resoluções referentes às pautas das mulheres, que, segundo o mesmo, colocaria em segundo plano o debate sobre as pautas que realmente seriam, na sua visão, da categoria.

A declaração gerou indignação das delegadas e observadoras no plenário, que foram para frente do plenário e, de braços dados, defenderam a manutenção do texto: “Pelo fortalecimento de campanhas e projetos de enfrentamento à violência contra a mulher! Pela garantia da proteção à criança; ao adolescente e contra a redução da maioridade penal, pela criação do coletivo nacional de mulheres da Fenajufe!”.

Foto: Valcir Araujo

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