Mulheres negras ocupam o centro de São Paulo para denunciar machismo, racismo e ataques a direitos

Mais vitimadas pela violência doméstica, do Estado, os feminicídios e a ‘reforma’ da Previdência em tramitação na Câmara dos Deputados, mulheres negras voltaram às ruas de São Paulo no dia de Tereza de Benguela e da mulher negra latino-americana.

Faixa de abertura da manifestação (crédito: Alma Preta Jornalismo).

 

Pelo quarto ano consecutivo, cerca de 7 mil mulheres negras encheram as ruas do centro da capital nesta quinta-feira para denunciar as violências potencializadas pelas condições de gênero e raça impostas no Brasil à população negra. A manifestação organizada pela articulação de coletivos Marcha das Mulheres Negras de São Paulo celebrava o 25 de julho: dia da mulher negra latino-americana e caribenha e de Tereza de Benguela (primeira liderança quilombola feminina reconhecida na historiografia e legislação brasileira, que será homenageada pelo Coletivo de Mulheres do Sintrajud neste sábado e domingo, 27 e 28 de julho).

Neste ano, o protesto teve início na Praça da República com uma aula pública ministrada pela pesquisadora Nilma Bentes e foi encerrado no Largo do Paissandu com uma apresentação do cortejo feminino Ilú Obá de Mim e uma roda de capoeira jogada por mulheres.

Entre as principais reivindicações do ato, a defesa do direito à aposentadoria e pensões contra a ‘reforma’ da Previdência em tramitação no Congresso Nacional. De acordo com especialistas, mais de 90% do trilhão de reais que o governo Bolsonaro propagandeia que serão economizados em dez anos com a “Nova previdência” virá da retirada de direitos da população mais pobre, que recebe benefícios previdenciários médios de R$ 1.430,00.

A elevação da idade mínima para assegurar o direito à aposentadoria – de 60 para 62 anos no caso das trabalhadoras urbanas – e aumento do tempo de contribuição tem impacto direto sobre essa parcela da população. Hoje, 44% das mulheres negras encontram dificuldade para contribuir ao INSS, de acordo com a pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Unicamp Marilane Teixeira. Ainda de acordo com a pesquisadora, 45% das mulheres negras recebem até um salário mínimo. As causas são a alta informalidade, salários baixos em geral (negras recebem até 70,5% menos que mulheres brancas, segundo estudo publicado em março deste ano pelo Dieese) e a discriminação na evolução profissional. A expectativa média de vida deste segmento populacional é de 69,5 anos de idade.

As mulheres negras – pretas e pardas – somam 25% da população brasileira, mas estão sobrerrepresentadas em praticamente todos os índices de violação de direitos.

Leia aqui o manifesto da Marcha e as principais demandas apresentadas pelas mulheres negras de São Paulo. O Sintrajud apoia a marcha como parte da necessária luta antirracista na sociedade brasileira.

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