‘Modelo’ de Guedes levou Chile à convulsão social

Fundador do BR Investimentos e do Banco Pactual (o maior gestor de previdência privada do país), o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta implantar no Brasil o modelo chileno de reestruturação do Estado. Instituído há 30 anos, na ditadura Pinochet, os efeitos do projeto liberal conservador cobram hoje preço altíssimo.

Após um reajuste nas tarifas do metrô, o país explodiu em protestos por justiça social que derrubaram ministros e fizeram o governo recuar de várias medidas. No último dia 13, houve mais uma greve geral, apesar da forte repressão policial.

Veículos de mídia do mundo inteiro noticiaram quando 1,2 milhão de chilenos, segundo dados oficiais, foram às ruas de Santiago em 26 de outubro – a capital do país abriga 7 milhões de pessoas e aquela foi considerada a maior manifestação desde a redemocratização, em 1990.

“Vivemos num cenário de profunda crise, que se expressa na impossibilidade de acessar serviços sociais básicos e na agudização das distintas violências que atravessam nossa sociedade”, relatou em entrevista exclusiva à reportagem do Sintrajud a psicóloga Alondra Carrillo Vidal. Ativista do movimento de mulheres chileno, Alondra destaca ainda que “hoje, três de cada quatro pesos destinados ao sistema público de saúde vão para as empresas privadas geridas pelos mesmos investidores que gerem as AFPs [Administradoras de Fundos de Pensão privadas].” (Leia a íntegra aqui)

Também falando exclusivamente ao Sintrajud, o professor e advogado chileno Raul Marcelo Devia Ilabaca explicou que “o sistema de capitalização individual que existe no Chile não é um sistema de seguridade social, mas de acumulação de capital”. (Veja a entrevista na íntegra aqui)

O modelo de capitalização foi incluído por Paulo Guedes na primeira versão da ‘reforma’ da Previdência, e o ministro afirmou à imprensa que pretende retomá-lo “lá na frente”, após a Câmara dos Deputados excluir esse dispositivo.

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