8 de Março: Mulheres vão às ruas contra os ataques do governo Bolsonaro e em defesa dos direitos

Foto: Kit Gaion.

A luta contra os ataques do governo Bolsonaro e em defesa dos direitos vai marcar os atos do 8 de março, dia internacional de luta das mulheres. Movimentos feministas e as entidades sindicais organizam manifestações em todo o país. Em São Paulo o ato acontece no próprio domingo, a partir das 14 horas, saindo do Parque Mário Covas, na Avenida Paulista. As servidoras do Judiciário Federal e os servidores que apoiam as lutas em defesa dos direitos das mulheres vão se concentrar em frente ao Tribunal Regional Federal (Paulista, 1842), às 14h.

Com o lema “Mulheres Contra Bolsonaro! Por nossas vidas, democracia e direitos! Justiça para Marielle, Claudias e Dandaras!”, o protesto será um momento de repúdio às declarações machistas do atual presidente e às políticas que retiram direitos e afetam mais as mulheres trabalhadoras, a exemplo da  ‘reforma’ da Previdência. A Emenda Constitucional 103, aprovada em 2019, aumentou a idade mínima para aposentadoria, endureceu as regras de acesso à pensão por morte (benefício pago majoritariamente a mulheres) e prevê que a pensão será 50% do que seria a aposentadoria do trabalhador, mais 10% por dependente. Desde 2015, com as mudanças feitas ainda sob o governo Dilma Rousseff, tempo que o beneficio será pago depende da idade do pensionista, sendo vitalícia só para maiores de 44 anos.

As mulheres também estarão nas ruas lutando por políticas públicas de combate à violência machista e ao feminicídio. O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres. Somente em São Paulo, entre janeiro e novembro do ano passado, 154 mulheres foram assassinadas em contexto de violência doméstica ou por razões de gênero. Os números superaram os 134 feminicídios que aconteceram em 2018 com um mês a menos de registros. Ainda assim, segundo levantamento do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ entre 2015 e 2019, o orçamento da Secretaria da Mulher – que desde 2016, quando foi extinto o Ministério da área, é responsável pelas ações de enfrentamento à violência de gênero – foi reduzido de R$ 119 milhões para R$ 5,3 milhões (R$ 0,05 para cada brasileira).

Justiça para Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada em 2018 e cujo crime continua sem solução, e por todas as mulheres negras assassinadas brutalmente, também está entre as pautas do manifestação. Em 10 anos, entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios de negras (pretas e pardas) aumentou 15%, enquanto entre as mulheres não negras houve redução de 8%. O dado foi apurado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado à União, e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

As mulheres também estarão nas ruas contra o aumento da violência que tira das mães milhares de jovens negros e pobres todos os dias no Brasil. Hoje no Brasil sete em cada 10 pessoas assassinadas são jovens negros.

O Coletivo de Mulheres do Sintrajud estará presente no ato unificado em São Paulo e convida todas as servidoras e servidores da categoria para participar da manifestação. Para as servidoras que são parte do coletivo, o 8 de março abrirá as mobilizações unitárias nas ruas este ano e será uma primeira resposta ao chamado antidemocrático do presidente da Republica que convocou em suas redes sociais atos contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional (veja nota de repúdio aqui).

Ato unificado 8 de março
Onde? Av. Paulista (concentração de trabalhadoras e trabalhadores do Judiciário em frente ao TRF)
Horário? 14h

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