TRT: servidores discutem PJe e condições de trabalho em café da manhã com o Sindicato

Problemas com a nova versão do PJe tem dificultado o trabalho da categoria; participação nas manifestações do dia 30 de maio e na greve geral também foram pautadas.

Os problemas que os servidores do TRT estão enfrentando com a nova versão do PJe (processo judicial eletrônico) foram debatidos na manhã desta sexta-feira, 24 de maio, durante o café da manhã com o Sindicato no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa. Segundo os servidores, desde a implementação da nova versão do PJe, a performance do sistema está ruim, apresentando desempenho mais lento e, muitas vezes, interrupções antes do final dos procedimentos necessários ao andamento processual. As falhas comprometem a prestação do serviço com qualidade por falta de condições de trabalho.

O Sintrajud recebeu denúncias de servidores que estão tendo que trabalhar a partir de suas residências em horários alternativos (das 6h às 9h e de 20h às 0h) para conseguir usar o sistema.

“Nós avaliamos que está situação é muito grave, pois, muitas vezes, o servidor não consegue concluir a resolução do processo e ainda perde tempo tentando resolver os problemas do sistema, isso gera situações de estresse que podem levar ao adoecimento”, afirmou o diretor do Sintrajud Fabiano dos Santos, servidor do Tribunal.

Ainda segundo os trabalhadores, a lentidão no sistema tem gerado atrasos, tensão com jurisdicionados e advogados (no caso destes últimos não houve atualização no módulo de usuários e têm sido recorrentes os questionamentos). A diretoria do Sintrajud esteve reunida com o setor de Tecnologia da Informação do Tribunal, mas não há garantias de que a nova atualização do PJe, prevista para agosto, resolva os problemas. “O problema não é apenas técnico, é político, a Segunda Região é responsável por 20% de todo o trabalho do Brasil, portanto, a Administração deve posicionar-se diante do CSJT, com avaliações sobre as atualizações. Além disso, não é possível que se cobre metas para os servidores se não há condições de trabalho adequadas”, afirmou Henrique Sales, diretor do Sindicato e também servidor do TRT.

O servidor Ismael Souza, que trabalhava até recentemente no TRT-15, explicou que naquela Região a cada atualização do PJe os servidores passavam por treinamentos. “Na última atualização foram dois dias de treinamento para todos os colegas, isto facilitou o manuseio do sistema”, ressaltou o servidor.

A diretoria do Sintrajud vai pedir uma reunião extraordinária com a presidente do Tribunal, desembargadora Rilma Hemetério, para debater o problema e cobrar que a Administração dê publicidade à questão para que os servidores sejam resguardados. Além disso, o Sindicato buscará também reuniões com a Amatra e a AAT/SP.

Outras pautas

Além dos problemas com o PJe, os presentes ao Café com o Sindicato também destacaram o número insuficiente de nomeações. Segundo a Secretaria de Gestão de Pessoas a nomeação de apenas 24 novos servidores homologada pelo Órgão Especial na semana passada, por falta de orçamento.

Outro ponto destacado é que os colegas enfrentam problemas com as impressoras, pois o Tribunal ainda não fez licitação para compra de cartuchos e há máquinas paradas. “Todos estes problemas são decorrência dos cortes orçamentários e da Emenda Constitucional 95. Eles encolhem o orçamento do serviço público causando precarização nas nossas condições de trabalho e no serviço que é oferecido à população”, afirmou Marcus Vergne, diretor do Sindicato e também servidor do Regional.

Greve Geral

Crédito: Gero Rodrigues

Durante a atividade, os diretores do Sindicato informaram aos presentes sobre a resolução aprovada na assembleia geral da categoria, que aconteceu no dia 18 de maio, de participação na greve geral em defesa das aposentadorias, convocada para o dia 14 de junho.

Como parte das tarefas na construção da greve geral, os servidores debateram ter uma representação dos trabalhadores do Judiciário Federal no segundo ato contra os cortes na educação que acontece na próxima quinta-feira, 30 de maio. “No dia 15 de maio, milhões de pessoas fizeram atos em todo o país. Não há na história recente notícias de um início de governo com tanta gente na rua, temos que usar isto a nosso favor, como parte da construção da greve geral e aproveitar para debater porque esta ‘reforma’ vai acabar com o nosso direito a aposentadoria”, afirmou Inês Leal, diretora do Sintrajud e também servidora do TRT.

O Sindicato convida os servidores para a manifestação, marcada para começar às 16h, no Largo da Batata. “Por mais que seja um ato prioritariamente dos setores da educação, é importante que todos mundo participe, será um verdadeiro esquenta para a greve geral e vai demonstrar a força dos trabalhadores e estudantes nas ruas”, finalizou Marcus Vergne. A CSP-Conlutas e outras centrais sindicais também estão convocando a participação na manifestação, que a própria União Nacional dos Estudantes, uma das entidades organizadoras do protesto, está convocando como uma data para acumular “forças também para a luta contra a Reforma da Previdência que terá seu ápice na Greve Geral de todos trabalhadores no dia 14 de Junho”.

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