TRT-2: Ato e assembleia nesta sexta, 13, reforçam defesa da creche
Por: Luciana Araujo

Trabalhadoras e trabalhadorea atendidos pela creche do TRT-2 e funcionários da unidade participam do protesto em defesa do serviço convocado pelo Sintrajud nesta sexta-feira (13 de setembro) às 14h30, no átrio do Fórum Ruy Barbosa. A decisão de realizar a atividade foi tomada em reunião ocorrida na última quarta-feira (11), com a participação de dirigentes do Sindicato. O protesto vai cobrar a permanência do atendimento às crianças filhas e filhos de servidores e magistrados do Regional.
Hoje a creche atende 26 pequenos e o Tribunal emitiu ofício no início deste mês suspendendo as inscrições e anunciando estudos para um novo projeto no espaço. A notícia revoltou mães, pais e também servidores que não têm filhos mas têm manifestado apoio à mobilização nos grupos, redes sociais do Sindicato e assinando o abaixo-assinado movido pela Associação de Mães.
O Sindicato busca junto à administração que abandone qualquer nova proposta de extinção da creche, que já foi tentada outras vezes ao longo dos 29 anos de funcionamento.
Entre os motivos apontados por mães e pais servidores pelo suposto esvaziamento pontuado pelo TRT está a limitação do atendimento até o fim do semestre em que a criança completa 24 meses, sem possibilidade de prorrogação desse prazo a menos que exista disponibilidade de vagas e apenas até o final daquele ano.
"Se a idade estabelecida para as crianças em creche é de três anos, o Tribunal também tinha que oferecer a creche até os três anos, porque essa limitação desmotiva alguns pais porque trocar uma criança de projeto pedagógico, equipe de cuidado e local não é simples, envolve toda uma adaptação", relata Maria Paula Fusco, servidora da 19ª Vara Trabalhista.f
Paula foi usuária da creche até que sua filha mais velha, que está para completar 3 anos, teve que ser transferida para outro estabelecimento. Grávida novamente, ela já fez a reserva de vaga para a próxima bebezinha que está a caminho, e teme o fechamento do serviço. "Estou contando com isso [ter a creche quando a próxima filha nascer]. Hoje minha filha está em outra escola e, mesmo sendo bem mais cara, não chega aos pés do atendimento que tínhamos aqui. As profissionais oferecem um acolhimento que não existe, nos deixam tranquilas para trabalhar. Você fica seis ou sete meses cuidando de seu filho e, de repente, tem que deixá-lo sob os cuidados de uma pessoa estranha, é muito complicado, aqui elas nos tranquilizam, atendem muito bem", afirma.
O fato de as funcionárias da creche serem colegas de trabalho e conhecerem a realidade do Tribunal, também é um diferencial. "Elas sabem nossos horários, perguntam como está o ritmo de trabalho nas varas. Têm um cuidado muito especial com nossos filhos. Ser perto para podermos amamentar, e hoje quase todas as mães amamentam, também é fundamental. Ter que sair do trabalho, pegar o carro, ir ao local onde está a criança, ou deixar leite congelado, é muito ruim", completa Paula.
Projeto pedagógico
Entre as justificativas que circulam informalmente no Tribunal que levariam ao fechamento do berçário estaria a falta de um projeto pedagógico. Paula, no entanto, afirma que esta não é a realidade. "As professoras desenvolvem todo um projeto, organizado em períodos trimestrais, com modelo de aprendizagem por brincadeiras, desenhos, como muitas escolas aí fora. Mandam fotos no grupo de mães e pais das atividades que as crianças estão desenvolvendo. No final do trimestre recebemos a cartilha com todas as atividades que as crianças realizaram e acontece uma reunião para avaliação do desenvolvimento delas, que ficam super empolgadas de terem todos os pais presentes para apresentar o que já aprenderam", explica.
A servidora Natália Boher, usuária da creche ouvida ontem pela reportagem do Sintrajud, também defendeu o projeto pedagógico e ressaltou que é importante que todo o Tribunal tenha conhecimento do trabalho desenvolvido na creche.
As mães estão coletando assinaturas em toda a Segunda Região em defesa da manutenção da creche (assine aqui).
Instalações
Paula também elogia a estrutura do berçário. "O espaço do parquinho é aberto, ao ar livre, e você vê que a estrutura foi projetada para ser uma creche, quando hoje a maioria das escolas são casas adaptadas. Lá os banheiros são para crianças, as tomadas são todas altas, a limpeza é impecável, a segurança nos conhece pelo nome", diz. A servidora lembra ainda que nada disso é gratuito, referindo-se a outro argumento apresentado pela administração para reconsiderar a oferta da creche. "Deixamos de receber o auxílio e pagamos um valor descontado no holerite, percentual do salário. No meus caso ficava em cerca de R$ 800", conta.
Somado o valor descontado dos servidores usuários e o não pagamento do auxílio creche, cada trabalhador paga em média R$ 1.600,00 - valor equivalente a uma creche de padrão mediano na cidade de São Paulo.
Assembleia
O Sindicato alterou o horário da assembleia marcada para esta sexta a fim de compatibilizar a participação de mães, pais e trabalhadores da creche no ato que será realizado após o horário de sono das crianças. A assembleia está convocada para as 14 horas, e vai discutir a luta pelos quintos e a data-base, a defesa da creche, da Justiça do Trabalho e dos serviços públicos diante dos ataques do governo.
A direção do Sindicato destaca que a iniciativa da administração de suspender o atendimento da creche no local de trabalho num momento em que o próprio Judiciário Trabalhista está sob ataque vai na contramão da defesa da Justiça do Trabalho.




