TRF-3: Administração Therezinha Cazerta se supera e faz festa em meio ao caos

A presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, desembargadora Therezinha Cazerta se superou. Ontem, às 10h18, e-mail da Diretoria-Geral comunicou a suspensão do expediente na sede, em resposta ao requerimento do Sindicato. Servidores de diversos setores, no entanto, tiveram que permanecer no Tribunal porque havia uma sessão do Conselho da Justiça Federal e a solenidade de inauguração do novo espaço do Centro de Memória do órgão. A festa, inicialmente marcada para 16 horas, teve início às 15 horas.

Enquanto desembargadores conversavam animadamente, trabalhadoras terceirizadas aguardavam determinações e o fim da festa: depois ainda caberia a elas limpar o ambiente (Arquivo Sintrajud).

A portaria 1804, formalizando a suspensão dos prazos na sede, foi assinada eletronicamente apenas às 15 horas, pouco antes do início da cerimônia de inauguração do Centro de Memória do Tribunal – mantida, à custa de obrigar servidores e trabalhadores terceirizados que moram distante e não sabiam como chegariam em casa a permanecer no prédio.

Para a diretoria do Sintrajud, a noção de justiça da atual gestão pode ser traduzida na imagem registrada durante o brunch de inauguração do Centro de Memória (foto ao lado).

A prioridade da administração, ao invés de ser a vida dos trabalhadores do TRF-3, foi posar para fotos e registrar para a história seu “grande feito”.

A direção do Sindicato ressalta que difere muito a manutenção de uma cerimônia de promoção institucional da sessão do Conselho da Justiça Federal, que também fora questionada pelo Sindicato. O CJF foi mantido, segundo a administração, em virtude da presença dos ministros do Superior Tribunal de Justiça e demais conselheiros na cidade. Além dos oficiais de justiça de todo o país que vieram acompanhar a apreciação do processo administrativo sobre o pagamento cumulativo da gratificação de atividade externa e a VPNI referente aos quintos incorporados por esses servidores.

No mesmo horário de início da inauguração, às 15 horas, foi assinada eletronicamente a portaria CJF3R 394, que suspendeu o expediente nos fóruns Cível, de Execuções Fiscais, Criminal e Previdenciário, Juizado Especial Federal, Turmas Recursais e áreas vinculadas à Diretoria do Foro na capital. Os trabalhadores destes locais, ao menos já tinham sido notificados por e-mail da liberação para retornar às suas casas. No entanto, o expediente e prazos só foram suspensos no mesmo momento nas subseções de Barueri, Botucatu, Guarulhos e Osasco (cidade onde até um jacaré dos que habitam os córregos e o próprio rio Tietê virou notícia ao ser flagrado por câmeras das emissoras de TV atravessando a Marginal em meio ao alagamento).

Apesar de o noticiário mostrar também os alagamentos em Santos e São Vicente, não foi suspenso o expediente na JF/Santos. De lá, servidores relatam que vazou água inclusive nos dois andares das e-Varas e da Central de Processamento Eletrônico, recém reformados e inaugurados.

O Sintrajud vai reiterar o requerimento de abono do dia de ontem para os servidores que não conseguiram chegar ao local de trabalho e também requerer que sejam realizadas vistorias técnicas em todas as unidades da Justiça Federal afetadas pelas chuvas. A morosidade desta administração na solução de problemas administrativos e estruturais, além da postura intransigente que a desembargadora Therezinha Cazerta teve nos dois anos de sua gestão, de não assumir os sucessivos erros e irregularidades, como a ausência de cumprimento da legislação na Resolução 326/2019 (ponto eletrônico), serão denunciados pelo Sindicato até o final de seu mandato.

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