Trabalhadores prometem voltar às ruas para derrotar reformas de Temer

A Paulista ficou pequena para os milhares de trabalhadores de diversas categorias que ocuparam a avenida e fizeram do 15 de março de 2017 – o 15M – um dia histórico de luta contra as reformas do governo Temer. Como extensão das manifestações do 8 de março – Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora – e ensaio de greve geral, o dia foi marcado por paralisações, protestos, bloqueios de estradas, piquetes, greves e multidões nas ruas. O resultado foi uma inesquecível unidade de trabalhadores dizendo NÃO às reformas da Previdência e trabalhista.

Os servidores do Judiciário Federal juntaram-se à mobilização em todo o país. Na Avenida Paulista, eles se concentraram em frente ao Fórum Pedro Lessa da Justiça Federal e se misturaram à enorme corrente humana que tomou conta da avenida. Antes, servidores da JT fizeram uma manifestação com panfletagem no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa. Na Baixada Santista, os servidores participaram de um ato unificado com diversas categorias na Praça Mauá, no centro de Santos.

A exemplo do que aconteceu em várias outras cidades pelo país, a capital paulista amanheceu com paralisação no transporte público. Motoristas e cobradores de ônibus cruzaram os braços até as 8h, enquanto os metroviários enfrentaram a liminar concedida pela justiça ao governo de Geraldo Alckmin (PSDB) contra a paralisação.

Escolas não funcionaram, com a adesão ao protesto por parte de professores estaduais e municipais, além de trabalhadores do setor de organização escolar. Metalúrgicos, químicos, trabalhadores dos Correios, da construção civil, petroleiro
s, portuários e diversas categorias de servidores federais das três esferas de governo, além de incontáveis movimentos sociais, também aderiram ao dia de luta contra as reformas.

“Nós, trabalhadores, provamos hoje que a unidade é muito necessária e é possível, para barrar as reformas de Temer, fazer a greve geral e construir uma alternativa para governar esse país”, disse Inês Leal de Castro, diretora do Sintrajud e servidora da JT Barra Funda, do alto do carro de som estacionado diante do Pedro Lessa.

Governo mente

Dirigentes sindicais, representantes de movimentos sociais, lideranças da juventude e dos movimentos de mulheres, entre outros, sucederam-se nos discursos durante toda a tarde e parte da noite, enquanto a avenida se transformava em um mar de protesto.

“O que o governo está propondo com essa reforma [da Previdência] é acabar com a possibilidade de os trabalhadores se aposentarem”, discursou Fabiano dos Santos, servidor da JT Millenium.

“Não tem como ficarmos assistindo a essa campanha mentirosa do governo, que diz que a população está envelhecendo e que não poderá pagar os benefícios da Previdência, enquanto
vemos toda essa corrupção e a dívida pública consumir metade do orçamento da União, sem auditoria”, acrescentou. “Vamos voltar a fazer o que fizemos hoje quantas vezes for necessário.”

O servidor do TRF-3 e diretor do Sintrajud Antonio Melquíades, o Melqui, mencionou os estudos que apontam a existência de superávit – e não de déficit – na Previdência. “As empresas ainda devem mais de R$ 426 bilhões à Previdência e o governo quer perdoar essa dívida”, apontou. “Se houvesse o déficit de R$ 150 bilhões que o governo diz existir, só com a cobrança dessa dívida sobrariam quase R$ 300 bilhões.”

Lição de unidade

Para Mauro Puerro. da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, o que aconteceu nesta quarta-feira foi uma lição da classe trabalhadora. “Vamos construir comitês com os sindicatos e centrais, nas nossas cidades e regiões, para preparar novas ações unificadas até derrotarmos essas reformas”, propôs o dirigente.

“A derrota do governo Temer, desse Congresso corrupto e das políticas da burguesia no nosso país passa pela unidade dos trabalhadores”, concordou Paulo Barela, também da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas. “Já tínhamos dado um passo importante no 8M, com as mulheres na rua e suas organizações fantásticas pelo país inteiro, e hoje o 15 de março está fortalecendo ainda mais a edificação da greve geral”, complementou.

Na avenida, a multidão respondia a esses apelos com o refrão “Um, dois, três, quatro, cinco, mil… Ou param essas reformas ou paramos o Brasil!”. Outro coro cantava: “Ai, ai, ai! Se empurrar, o Temer cai!”.

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