SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL NO ESTADO DE SÃO PAULO
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22/11/2016

Atividades culturais marcam o I Sarau da Consciência Negra no Sintrajud

Evento contou com hip hop, grafite, xequerê, percussão e exposição de turbantes

Música, grafite, percussão, exposição de turbantes, vídeos e vivência de xequerê marcaram o I Sarau do dia da Consciência Negra, organizado pelo Sintrajud. A festa aconteceu na última sexta-feira, 18, na sede do Sindicato e teve objetivo de marcar as comemorações do Dia 20 de novembro, dia da consciência negra, trazendo um pouco da resistência cultural do povo negro no país.

“Este ano tentamos fazer uma atividade diferente que, para além de discutir a situação a que os negros e negras são submetidos no país, mostrasse um pouco do lado da resistência da cultura negra, por isso temos grafite, vivência de xequerê e hip hop aqui”, declarou Inês Leal, servidora da JT e diretora do Sintrajud.

Durante o sarau, os servidores acompanharam de perto o grafite da premiada Nenê Surreal, que deixou sua arte em uma das paredes do auditório do Sindicato, ouviram presentação de hip hop, assistiram vídeos sobre mulheres negras e ainda aprenderam a tocar xequerê na vivência proporcionada pelo Coletivo Oya - Mulheres Negras da Periferia de São Paulo.

Além de resgatar a resistência cultural, a atividade serviu para trazer um pouco da experiência diária do povo negro e periférico, que ainda estão nos postos mais precarizados de trabalho e são os maiores alvos da violência policial. “É impossível estar aqui e não lembrar episódio do lamentável assassinato dos cinco jovens aqui em São Paulo pela polícia, infelizmente a realidade que enfrentamos é o extermínio da juventude negra, na periferia a polícia mata preto e pobre todo dia”, ressaltou Maria Helena, servidora aposentada e diretora do Sindicato.

Hertz Dias, do grupo Gíria Vermelha e do Quilombo Raça e Classe, chamou todos os presentes para lutar contra o genocídio do povo negro e participar da Marcha da Periferia, que aconteceu no domingo, dia 20. “A nossa classe e nosso povo vai dar uma resposta de resistência e luta contra Temer, nós confiamos nesse povo que veio para cá dividido em navios negreiros e conseguiu organizar os quilombos, vamos organizar os quilombos novamente, por isso, vamos construir a Marcha da Periferia”, afirmou.

Negros são excluídos do Judiciário

A falta de negros no Judiciário Federal no Brasil foi um dos temas levantados pelos servidores presentes na atividade. Para a diretora do Sindicato e servidora do TRE, Raquel Morel, a vivência com a cultura da periferia e do povo negro é importante, pois há poucos servidores do Judiciário negros. “Eu sou uma negra, mas sei que vivemos num espaço muito branco, e isso acontece porque o racismo ainda é muito latente no Brasil, o racismo existe e temos que combater”, afirmou Raquel Morel, diretora do Sindicato e servidora do TRE.

O diretor de base e servidor do TRF-3, Dalmo Duarte, ressaltou o caráter racista do Judiciário Federal, que tem cada dia menos negros no quadro funcional. “Nos prédios têm negros, mas são principalmente nos trabalhos terceirizados, temos empresas que pagam salário de 900 reais para os trabalhadores, mulheres que fazem uma jornada, que é ilegal, de 4 horas diárias, e que ganham meio salário mínimo”, declarou.

Luta contra Racismo

                      Luciana Barroso, servidora do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa

Na luta contra a invisibilização do povo negro que, em geral, não são representados na literatura, jornais  e televisão, a servidora do Fórum Ruy Barbosa, Luciana Barroso, criou a Editora Ina Livros, especializada em literatura com protoganismo negro. A editora tem um trabalho personalizado para feiras, congressos e eventos em geral.

Além da editora, Luciana também criou um blog chamado “A mãe Preta”, que trata de temas relacionados a o que é ser uma mulher preta, criando filhas pretas nessa sociedade racista. “Eu criei o blog depois que tive minha segunda filha porque eu não encontrava nada sobre educação de crianças negras e a gente sabe, como criança negra que fui, as dificuldades e eu não conseguia encontrar nos blogs esse tipo de diálogo”, declarou Luciana em entrevista a nossa equipe.

Além do blog (veja aqui), Luciana também fez uma lista de 100 livros infantis com protagonismo de meninas negras (Veja aqui). “Eu queria mostrar para minhas filhas que elas podem estar nos livros, já que elas não se veem nos jornais, revistas, desenhos animados, então eu criei o projeto Cem meninas negras, buscando referencial para que as crianças possam se ver na literatura de uma maneira que elas não costumam se ver nos outros espaços”, finalizou.

 




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