SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL NO ESTADO DE SÃO PAULO
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16/12/2015

Entidades publicam declaração sobre situação política do país

Espaço de Unidade de Ação convocou Plenária Sindical e Popular para debater um plano de lutas para o próximo período

 Diversas entidades sindicais, populares e estudantis participaram da reunião do Espaço de Unidade de Ação para discutir o quadro político atual em nosso país. A reunião aconteceu na quarta-feira, 9, no auditório do Sinsprev.

Após o debate, as entidades presentes aprovaram uma declaração sobre a conjuntura política do Brasil. Em nota, o Espaço de Unidade de Ação afirma que não irá construir nem os atos do dia 16, convocados em defesa da manutenção do atual governo, e nem os que aconteceram no dia 13, construído por movimentos e partidos da oposição burguesa de direita que defendem o impeachment como saída política para a crise.

”Somente pela ação independente do movimento de massas vão ocorrer as mudanças que defendemos. Essas não virão com a continuidade do governo Dilma/PT nem pelas mãos de Temer, Cunha, Renan ou Aécio. Por isso lutamos contra os dois blocos”, afirma nota.

Diante do cenário atual e com o objetivo de definir um plano de ação para o próximo período, as entidades que fazem parte do Espaço Unidade de Ação realizarão uma Plenária Sindical e Popular, no dia 22 de janeiro, em São Paulo.

Todo o debate político iniciado na reunião do Espaço de Unidade de ação terá continuidade na Plenária.

Confira declaração do Espaço de Unidade de Ação na íntegra:

 

As manifestações convocadas para os dias 13 e 16 desse mês não representam os interesses e anseios dos trabalhadores e da juventude brasileiras.

O dia 16 é convocado pela “Frente Brasil Popular” e pela “Frente do Povo Sem Medo”, compostas por organizações sindicais, estudantis e populares como a CUT, UNE, CTB, MST e MTST, além do PT e PCdoB, partidos da base de sustentação do atual governo, responsável pelos brutais ataques que nossa classe vem sofrendo e que governa a serviço dos interesses do grande empresariado. Essa manifestação defende a manutenção do atual governo no poder.

Antes, no dia 13, irão às ruas movimentos e partidos da oposição burguesa de direita, que defendem o impeachment como saída política para a crise. São organizações de diversos matizes, incluindo elementos conservadores e mesmo de extrema direita, capitaneados pelo PSDB, DEM, PPS e amplos setores do PMDB ligados a Eduardo Cunha e outros reacionários, além de movimentos como o “Vem Pra Rua” e “Brasil Livre”.

As organizações que compõem o Espaço de Unidade de Ação não participarão dessas manifestações, pois trata-se da reedição das iniciativas dos dois principais campos políticos, ambos dominados por setores burgueses de peso, que disputam os rumos do pais.

A defesa da manutenção do governo Dilma, responsável direto pelos principais ataques que estamos sofrendo, mesmo que com críticas à sua política econômica, é parte de uma política de engano dos trabalhadores e da juventude, e de blindagem dessa coalizão com grandes setores da burguesia, que já governa o país há treze anos.

O suposto golpe alardeado por segmentos que sustentam o governo é parte dessa política de engano. Não há golpe sendo tramado. O que estamos assistindo é um espetáculo grotesco de disputa do poder por frações do grande capital, alinhadas ou em oposição ao governo Dilma/PT, governo esse que perdeu o controle sobre a economia e a capacidade de deter as mobilizações dos trabalhadores.

 A serventia desse governo para os patrões, banqueiros e latifundiários já não é, portanto, tão importante. A ruptura de amplos segmentos dos trabalhadores e da juventude, com o governo, com o PT e as direções burocráticas que defendem o governo é um processo histórico e muito positivo. A situação exige uma ampla reorganização da classe trabalhadora em oposição ao que está posto, que não são de fato alternativas para a classe.

Já a saída apontada pela oposição burguesa de direita, através do impeachment, significa entregar o poder ao atual vice, Michel Temer, do PMDB, partido fisiológico, expressão de caciques e oligarquias regionais, e que tem entre seus quadros figuras como Renan, Cunha, Sarney e tantos outros corruptos e aproveitadores. Essa saída, portanto, não é de interesse dos trabalhadores e da juventude e não vai mudar a nossa vida, pois seguirá sendo aplicada a mesma agenda econômica, expressa no documento “Uma ponte para o futuro!”.

Não devem os trabalhadores e a juventude escolherem, portanto, entre os senhores da casa grande e os seus capatazes.    

Nesse sentido nos causa preocupação que organizações combativas, como o MTST e a Intersindical/CCT, além de expressivos segmentos do PSOL, se somem aos atos do dia 16 e da defesa da permanência do governo Dilma/PT.    

São segmentos com os quais temos procurado trabalhar em conjunto, na perspectiva de construção de mobilizações independentes e unitárias, que expressem esse esforço de construção de um polo alternativo, necessário para que não sejam os trabalhadores a pagarem mais uma vez os custos da crise que não criamos.

Foi com essa perspectiva que realizamos uma grande marcha nacional de trabalhadores e trabalhadoras em setembro desse ano, seguida de um encontro nacional de lutadores e lutadoras.    

Esse encontro apontou bandeiras e uma perspectiva que seguem vigentes: “Contra Dilma-PT, Cunha, Temer e Renan-PMDB; Aécio/PSDB! Derrotar o ajuste fiscal! Que os ricos paguem pela crise! Por uma alternativa classista dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre!”.

A razão de fundo dessa posição também está expressa em nossa resolução: “perante a crise econômica, o governo Dilma, o Congresso Nacional, a oposição burguesa, o imperialismo, banqueiros e toda a patronal, apesar das fissuras inter-burguesas, das disputas políticas e da crise de governabilidade, possuem um acordo mais geral: jogar a crise nas costas dos trabalhadores”.

Essa situação não mudou, ao contrário, aprofundou-se. Agudizaram-se a crise econômica e a polarização política, bem como a resistência operária e popular, expressa em inúmeras greves e mobilizações, como entre os petroleiros, trabalhadores dos correios, bancários, operários metalúrgicos, servidores públicos, estudantes secundaristas de São Paulo, ocupações de escolas e universidades, luta das mulheres contra o PL 5069, dos povos indígenas contra a invasão de seus territórios, dos atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco/Vale, dentre tantas outras.

De nossa parte, seguimos fazendo o chamado a que as organizações dos trabalhadores e da juventude, que estão sustentando o governo Dilma, nesse momento, rompam com essa política e se somam às lutas em defesa da classe.

Somente pela ação independente do movimento de massas vão ocorrer as mudanças que defendemos. Essas não virão com a continuidade do governo Dilma/PT nem pelas mãos de Temer, Cunha, Renan ou Aécio. Por isso lutamos contra os dois blocos.

Nem dia 13 nem dia 16! Construir uma alternativa dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre!    

São Paulo, 9 de dezembro de 2015




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