Sintrajud participa de ato nesta 5ª contra usina para queima de lixo em Santos

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Protesto é organizado pela Frente Sindical Classista e acontece às 17h, em frente à Prefeitura

A Frente Sindical Classista da Baixada Santista – articulação que reúne diversas entidades de categorias dos setores público e privado na região – realiza nesta quinta-feira (3 de setembro), às 17 horas, um ato em frente à Prefeitura de Santos contra a construção de uma usina de incineração de resíduos sólidos na cidade. A manifestação seguirá as regras de distanciamento social e serão garantidas medidas de proteção, como máscaras e álcool gel. A Frente orienta que os participantes respeitem as orientações sanitárias e que pessoas dos grupos de risco se preservem de estar na rua, podendo contribuir para a divulgação da iniciativa em redes sociais.

O Sintrajud integra a Frente e estará representado no ato pelo dirigente Salomão Ferreira, servidor do TRT-2 em São Vicente.

O projeto, articulado pelo prefeito santista, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), com outros gestores municipais da região, o governo João Doria e a iniciativa privada, é visto como mais uma ameaça à saúde da população e à sobrevivência de trabalhadores de baixa renda, em meio à pandemia. “Caso se efetive, trará poluição para a região e tirará o trabalho de milhares de pessoas que atuam na reciclagem”, aponta a convocatória da Frente.

Os manifestantes também vão denuciar os riscos ambientais do projeto. Segundo a nota divulgada na página da Frente no Facebook, mais de duas mil pessoas ficarão sem meios de subsistência. A iniciativa vai contribuir para a difusão de gases extremamente tóxicos e que causam efeito estufa (aquecimento global) e chuva ácida. “Os metais pesados que este tipo de usina expele causam uma infinidade de doenças, que vão de câncer e problemas neurológicos até má formação fetal. Por isso, muitos países já vetaram empreendimentos deste tipo. Ecossistemas importantes como o ambiente marinho, os estuários, os manguezais e a Mata Atlântica também podem ser diretamente afetados. É um projeto obsoleto, preguiçoso, que só gera lucro ao empreendedor, transformando lixo comum em lixo tóxico”, destaca a convocatória.

Os organizadores do ato lembram também que a reforma do Emissário Submarino, no Parque Mário Roberto Clemente Santinni, localizado no bairro José Menino, foi suspensa pelo Judiciário em julho. A “revitalização” do emissário seria o investimento Valoriza Energia SPE LTDA como contrapartida ambiental e financeira à exploração do projeto da usina de incineração no Sítio das Neves. O Tribunal de Justiça do Estado suspendeu a obra e o termo firmado entre a Prefeitura daquela cidade e a empresa com base na expectativa do direito de exploração da usina. A multa diária por descumprimento da decisão judicial foi estipulada em R$ 30 mil, mas o governo municipal informa que vai recorrer.

“O que está em jogo é o menosprezo de autoridades e empresários à saúde socioambiental da Baixada Santista para beneficiar investimentos privado! A qualidade de vida da população vale menos que o lucro de uma empresa?”, questiona a Frente Sindical Classista.

* Com informações do jornalista Leandro Olímpio, da Frente Sindical Classista, e do portal ‘G1’.