Sintrajud e servidores reforçam ações de solidariedade na pandemia

Sindicato e trabalhadores impulsionam ações de suporte ao direito de isolamento social; para direção do Sindicato, organização autônoma dos trabalhadores ganha mais importância ante a inércia do Estado na resposta à pandemia.

Passados já quase três meses de efeitos da pandemia, necessidade de isolamento social e aumento das dificuldades colocadas pela histórica desigualdade social brasileira, a solidariedade e a auto-organização dos trabalhadores ganharam um novo significado frente à crise do novo coronavírus. E desde o começo da quarentena o Sintrajud e servidores da categoria têm estado ativos nas iniciativas de partilha.

Entre as ações que receberam apoio do Sindicato está a campanha de solidariedade organizada pelo padre Julio Lancellotti, coordenador da Pastoral Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo. A pastoral está acolhendo pessoas com suspeita de infecção pelo novo coronavírus e necessidade de abrigo, oferecendo a esses cidadãos e cidadãs doações de roupas, alimentos e produtos de higiene e limpeza.

Outra iniciativa, impulsionada pelo servidor do TRT-2 Alexandre Zanella, também anterior à pandemia mas ampliada durante este período é o Projeto Formigueiro, também recebeu doação do Sintrajud. O ‘Formigueiro’ atua junto a pessoas em situação de rua na região central da capital e na comunidade do Jardim Ipanema, na zona Sul. No Centro, são distribuídos entre 400 e 500 refeições por dia, às terças e quintas-feiras, e cafés da manhã aos domingos. Com a chegada do frio, também estão sendo distribuídos cobertores e agasalhos. No Jardim Ipanema são organizadas doações para famílias carentes e um café da manhã com crianças.

“Nossa intenção é entregar, junto com os alimentos, que são apenas uma porta de entrada, outras ações de solidariedade, bem como tratar os moradores de rua com respeito, carinho e fraternidade, reconhecendo-os como seres humanos, parte da sociedade, devolvendo a eles a dignidade. Para isso, em breve, iremos aumentar nossas ações, fazendo atendimento psicossocial”, explica Alexandre.

O servidor afirmou ainda à reportagem que “a atuação do Sintrajud foi essencial para que não tivéssemos que diminuir o número de pessoas assistidas. Infelizmente, com a pandemia e paralisação das atividades econômicas, aumentou muito o número de pessoas necessitando de assistência e as doações, especialmente em dinheiro, vêm diminuindo rápido, desde o mês de março. Quando vejo o sindicato agindo desta forma, não só em prol dos associados, mas de toda a sociedade, renovo minhas esperanças e vejo o quanto é importante que as organizações do terceiro setor sigam atuando de forma positiva, suprindo em parte uma ação que o Estado peca muito ao não realizar”, disse.

Auto-organização frente à ausência do Estado

O Sindicato fez ainda doações a aldeias indígenas da Baixada Santista e à Rede de Educadores e Solidariedade, além de movimentos de ocupação urbana. Fotógrafos que prestam serviços esporádicos à entidade na cobertura de atividades e trabalhadores que auxiliam na organização de atividades de rua do Sindicato também receberam solidariedade da entidade.

Na avaliação da diretoria, diante da inércia dos governos federal, estaduais e municipais, que não cumprem suas funções, a organização dos próprios trabalhadores para assegurar o mínimo para a sobrevivência de outros trabalhadores ganha importância. Especialmente tendo em conta que o pagamento do auxílio emergencial, de R$ 600 a R$ 1.200, tem sido dificultado das mais diversas formas pela União, embora o Banco Central e o Congresso Nacional tenham aprovado medidas que liberam mais de R$ 1,2 trilhão para bancos e financeiras.

As doações realizadas pelo Sindicato até maio estão disponibilizadas na prestação de contas publicada periodicamente aqui no site. As iniciativas realizadas a partir deste mês entrarão no próximo demonstrativo.

Engajamento de servidores fortalece redes de solidariedade

No mês de abril o Sintrajud também divulgou uma série de iniciativas nas quais servidores da categoria se envolveram neste período da pandemia. Ampliar e difundir as redes de solidariedade é parte da política para potencializar o isolamento social e que as populações em situação de maior vulnerabilidade possam ficar em suas casas, quando têm residência para morar.

Adilson Rodrigues, servidor da Justiça Federal em Santos, indica o apoio à comunidade indígena Guarani que vive na Baixada Santista. “Os Guaranis sempre lutaram para manter seu território, cultura e tradições ancestrais. Agora precisam de nossa ajuda para sobreviver e se alimentar, pois a venda de artesanatos, palmito e plantas ornamentais, que são sua principal forma de geração de renda, foi zerada com a pandemia. A doação de qualquer valor será uma ajuda valiosa neste momento tão desafiador”, relata. “O povo Ñande da Aldeia Rio Silveiras agradece a ajuda recebida do Sintrajud, que está sendo muito útil, principalmente para comprar alimentos, frutas e legumes que não têm por lá. O cacique Adolfo agradece e convida a todos para conhecer a Aldeia, assim que tivermos segurança para tanto. Participe e, após a quarentena e pandemia, vá conhecer este povo”, convida o servidor.

As contribuições para as aldeias de São Vicente e Bertioga podem ser feitas na conta corrente do Banco do Brasil em nome da Aldeia Rio Silveiras (Bertioga), agência 7009-2, conta corrente 1.567-9, em nome do cacique Adolfo Timótio.

Bruna dos Santos, servidora do TRT-2, indica a ONG Mulheres da Luz. Atuante desde 2013, o projeto atende mulheres em situação de prostituição no centro da capital, oferecendo cursos de capacitação profissional e alfabetização, além de promover brechós de roupas em bom estado. Em meio à pandemia, as mulheres estão produzindo máscaras de tecido reutilizáveis e sabonetes para gerar renda e doar a pessoas em situação de rua.

“O trabalho realizado pela organização envolve o auxílio à garantia da saúde física e mental, bem como à promoção do desenvolvimento educacional e social dessas mulheres, que se encontram em situação de extrema marginalização devido à falta de acesso a direitos básicos fundamentais e ao preconceito existente em relação à prostituição”, ressalta a servidora.

“Considero de extrema importância a nossa colaboração com este coletivo. Em especial agora, em que vivemos uma crise sanitária e econômica que aumenta ainda mais a exclusão e privação de todas essas mulheres no acesso aos bens básicos para a sobrevivência”, completa Bruna. Doações podem ser feitas por meio da conta do Banco do Brasil 113.899-5, agência 0717-x, em nome da Associação Agentes da Cidadania, CNPJ 08894876/0001-30. Produtos alimentícios e de higiene podem ser entregues na Casa do Povo do Bom Retiro, às terças e quintas feiras, das 14h às 18h (Rua Três Rios, 252, Bom Retiro).

Se você é servidora ou servidor do Judiciário Federal no estado e quer participar de alguma iniciativa, publicamos abaixo os contatos dos colegas que já estão envolvidos em ações em andamento. Se quiser indicar novos projetos nos quais confia, envie e-mail para <[email protected]> ou mensagem para o WhatsApp do Sintrajud (basta clicar aqui).

Iniciativas de solidariedade apoiadas pela categoria e contatos
 Projeto Formigueiro  Alexandre Zanella (TRT-2) – (11) 98578-4432
 Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis  Fernanda Martins (TRT-2) – (11) 98580-8920
 Comunidade Santa Cristina  José Dalmo Duarte (TRF) – (11) 97019-0193
 Grupo de solidariedade entre trabalhadores  Fausta Fernandes (aposentada/JF) – (12) 99786-2217
 Movimento Luta Popular  Raquel Morel Gonzaga (TRE) – (11) 98865-2045
 Ocupação Anchieta  Eveline Davi de Lima (TRE) – (11) 97368-2488
 Fundo de Emergência para Sem-Teto  Henrique Sales Costa (TRT-2) – (11) 98989-1289
 Aldeias indígenas de São Vicente e Bertioga  Adilson Rodrigues (JF/Santos) – (11) 99489-7594
 ONG Mulheres da Luz  Bruna Santos (TRT-2) – (11) 97191-5746

 

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