Servidores relatam experiências no teletrabalho em live do Sindicato

Transmissão aconteceu na segunda-feira, 11 de maio, e teve a participação de servidores de todos os ramos.

As condições, problemas e desafios do regime de trabalho remoto no Judiciário Federal foram debatidos na live que aconteceu nesta segunda-feira, 11 de maio. A diretoria do Sindicato convidou um servidor de cada ramo para contar um pouco da sua experiência diária nestes quase dois meses de expediente suspenso no Judiciário Federal em São Paulo. Participaram do bate-papo os servidores Eduardo Borges, da JF, Natália Bohrer, do TRT-2, Marcos Pereira, do TRE e diretor de base, além do diretor Fabiano dos Santos.

Os servidores relataram as dificuldades com a falta de equipamentos eletrônicos e móveis ergonomicamente adequados para a realização da jornada de trabalho. “O início foi bem complicado, na minha casa eu só tinha um computador velhinho que era ligado uma  vez por ano para fazer a declaração do imposto de renda. No setor estávamos acostumados a trabalhar com duas telas, aqui em casa improvisei, mas não é igual”, afirmou Eduardo Borges. “Essa questão dos equipamentos faria uma grande diferença porque as pessoas não necessariamente trabalhavam em casa. Ficar horas sentado numa cadeira e numa mesa inadequada começa a gerar dores, e nesse aspecto a administração não está preocupada”, destacou o servidor.

Natália Bohrer, do TRT-2, também relatou o mesmo problema. “Tivemos que nos virar com o que tinha em casa desde que o isolamento começou, na minha casa somos, eu e meu marido, servidores, inclusive trabalhamos na mesma vara. Temos apenas um computador, que usávamos para coisas pequenas e, de repente, ele virou o instrumento de trabalho”, disse a servidora.

Além do uso de apenas um computador,  Natália e o marido precisam conciliar o teletrabalho com os cuidados com o filho, que tem apenas dois anos. “Com uma criança pequena em casa a gestão se torna muito complicada e o trabalho, interminável. Precisamos de um fluxo pra trabalhar, concentração, e só consigo isso quando ele dorme, às 22 horas. Daí, vou até às 3 horas, enquanto meu marido acorda às 4 horas para trabalhar”, afirmou a servidora.

Outro problema relatado pelos servidores foi a falta de estruturação e resoluções claras por parte das administrações, que tornam a organização do trabalho tarefa da chefia imediata apenas. “A gente vem trabalhando com ferramentas como WhatsApp há muito tempo, inclusive de formas institucionalizada, em grupos com os chefes, nos quais informações e tarefas são passadas. O problema é que é feito de forma desregrada, sem horário, e às vezes até durante o fim de semana” afirmou Marcos Pereira. “As componentes espacial e temporal se perdem nessa falta de gestão, e ficamos o tempo todo disponíveis para pensar problemas do trabalho”, completou.

A diretoria do Sindicato vem ressaltando a todo momento que a prestação jurisdicional é uma preocupação dos  servidores, que fazem chegar à população os direitos sob guarda do Poder Judiciário, mas não pode ser que o funcionamento dos serviços se dê à custa da saúde física e mental dos trabalhadores que asseguram o direito à justiça.

Na Justiça Eleitoral o problema é ainda maior, porque o calendário do pleito municipal deste ano ainda está mantido, apesar da pandemia. “A Justiça Eleitoral está tentando nos fazer cumprir um calendário como se estivesse tudo dentro da mais absoluta normalidade, como se estivéssemos bem. Eu não estou bem, tem amigos meus adoecendo e eu mesmo corro o risco de adoecer”, ressaltou Marcos.

Durante esse período, a diretoria do Sintrajud  tem procurado acompanhar as demandas e denúncias de servidores sobre problemas no desenvolvimento do trabalho. Ainda em março, foi protocolado requerimento junto às administrações para suspensão das metas durante a pandemia. “A suspensão dos prazos não se refletiu na realidade dos servidores. O que vimos foi a intensificação do ritmo como se nada estivesse acontecendo, a administração desconsidera as diversas realidades dos servidores, que muitas vezes estão passando por uma série de fatores que alteram a estrutura nesse momento”, afirmou Fabiano dos Santos, servidor do TRT e dirigente do Sindicato.

A diretoria, junto ao departamento Jurídico, também está em contato para atuar nas denúncias de assédio moral. “O trabalho no Judiciário Federal já é propenso a situações de assédio moral, e não é diferente neste momento. Como estamos sujeitos às chefias imediatas, o assédio assume novos contornos”, disse Fabiano. “É papel do sindicato acompanhar essa situação, e pedimos para todo colega que esteja passando por situações de assédio que procure o Sindicato”, destacou o diretor.

Para o servidor Marcos Pereira, a atual situação dos servidores leva à reflexão do que é necessário para o teletrabalho, quais as exigências os servidores podem fazer para os órgãos. “Queria até fazer um chamado aos colegas do TRE, para que possamos debater e construir um documento sobre nossas exigências para o teletrabalho e que este documento seja referendado no próximo congresso do Sintrajud”, finalizou Marcos.

Lives do Sindicato

Esta foi a décima nona live do Sintrajud, que adotou os bate-papos virtuais para  manter o contato com a categoria durante a quarentena. As lives acontecem sempre às segundas (17h30) e quintas-feiras (11h),  com transmissão pelas páginas no Facebook, no YouTube e também aqui pelo site. Além dos debates temáticos, os dirigentes da entidade sempre informam o que vem sendo feito durante esse período para defender os direitos dos trabalhadores do Judiciário.

As atividades presenciais do Sindicato estão suspensas, mas o atendimento às demandas da categoria continua. O telefone do plantão remoto é (11) 98933-6276.