Servidores levam geladeira com ossos e ‘dólares’ a ministério para denunciar Guedes e a PEC 32


08/10/2021 - Helcio Duarte Filho
Delegação do Sintrajud participou do ato, que reuniu também estudantes, para denunciar milhões de Paulo Guedes no exterior e a política genocida 'de fome e mortes' de Bolsonaro.

Fotos: Valcir Araújo.

 

“Paulo Guedes, parasita é você”, disseram servidores públicos e estudantes em frente ao Ministério da Economia, em Brasília, na manhã desta quinta-feira (7). Disseram, ainda, que o “superministro” do governo de Jair Bolsonaro, que já chamou os servidores de parasitas e hoje nega, é autor de uma proposta de ‘reforma’ administrativa (PEC 32) que abre caminho para a corrupta prática da ‘rachadinhas’ nos serviços públicos. Tudo isso sob muito barulho, muitas bandeiras e uma ‘chuva de dólares’, ‘cédulas’ manchadas de sangue e que traziam o rosto do ministro estampado. Compôs o cenário do protesto a exposição de uma geladeira com ossos bovinos e as frases escritas à mão: “Fora Bolsonaro, Fora Guedes. A miséria não acaba porque dá lucro. Não à PEC 32” (foto).

A delegação do Sintrajud que foi a Brasília participar da quarta semana consecutiva de atos diários contra a PEC 32 compareceu e ajudou a organizar o ato. “É uma denúncia e um escracho do Paulo Guedes, que é o verdadeiro parasita. Quem lucra milhões de reais com a desvalorização do real nas suas offshores enquanto o povo passa fome é o mesmo Paulo Guedes que quer aprovar uma reforma administrativa que arrasa com os direitos da população. É o mesmo Paulo Guedes que quer acabar com os serviços públicos e entregar para a iniciativa privada aquilo que hoje é nosso direito assegurado pela Constituição”, disse o servidor Fabiano dos Santos, da direção do Sintrajud e da federação nacional (Fenajufe). “Guedes leva ao extremo a política do Bolsonaro que condenou milhares de pessoas à morte durante a pandemia. A luta contra Bolsonaro e Paulo Guedes e a luta contra a reforma administrativa são a mesma luta”, afirmou.

Para a servidora Cátia Machado, diretora de Base do Sintrajud em Bauru, a manifestação teve um significado importante ao levar às ruas a palavra dos servidores municipais, estaduais e federais. “Essa luta é por todos os servidores públicos, inclusive aqueles que estão ali, fardados e nos filmando, mas também pelo serviço público que é oferecido a toda a população brasileira. Essa PEC 32 destrói o acesso do povo aos serviços públicos universais e de qualidade. E o que não é de qualidade, pode ter certeza: a culpa não é do servidor. Isso é um projeto de destruição dos serviços públicos, que primeiro desqualifica para depois destruir”, disse.

A manifestação começou bem próximo dali, no Espaço do Servidor, também na Esplanada dos Ministérios. Na véspera, a Câmara dos Deputados aprovou por 310 votos a 142 convocar Paulo Guedes – assim como o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que igualmente possui uma empresa offshore no Caribe -, a comparecer ao Plenário para explicar por que mantém, em dólares, quase R$ 51 milhões na conta de uma empresa aberta num paraíso fiscal no Caribe.

No Brasil, pessoas que ocupam cargos públicos como os deles estão proibidas legalmente de manter investimentos assim. A revelação indesejada decorre da investigação jornalística que deu origem à série de reportagens “Pandora Papers”, cuja divulgação foi iniciada no dia 3 de outubro. Colaboração jornalística com cerca de 600 profissionais em mais de 100 países organizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, envolve pesquisas sobre milhares de empresas offshores e se desenvolve a partir de dados entregues por fonte anônima.

O servidor Henrique Salle, da direção do Sintrajud, disse que a luta vai continuar e que na semana que vem haverá novas mobilizações em Brasília. “Estamos aqui para denunciar essa política de morte do governo Bolsonaro e de Paulo Guedes. A gente trouxe aqui um monte de dólares, ensopados de sangue, e os ossos, que infelizmente representam a fome que o povo brasileiro está passando”, disse.

A servidora Maria Ires Lacerda ressaltou a importância da manifestação unir trabalhadores dos serviços públicos e estudantes. “Paulo Guedes junto com Bolsonaro, o genocida, estão fazendo chacota da vida das pessoas enquanto esbanjam dinheiro nos paraísos fiscais”, disse a dirigente do Sintrajud, ainda durante o ato.

“A geladeira da classe trabalhadora está vazia enquanto os bolsos de Paulo Guedes estão [cheios] de dólares. [Não precisamos] desta reforma administrativa, [precisamos] que o governo dê condições à classe trabalhadora de ter comida no prato, vacina no braço e educação, saúde e transporte público gratuitos e de qualidade”, defendeu Luciana Carneiro, também dirigente do sindicato.

A professora Rivânia Moura, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes-SN), disse que o protesto denunciava um governo responsável por centenas de milhares de vidas perdidas na pandemia. “Estamos denunciando uma política econômica que tem deixado milhares e milhares de brasileiros passando fome, enquanto Paulo Guedes mantém o seu paraíso fiscal, com dólar sujo de sangue do povo brasileiro, com o dólar sujo de sangue das mais de 600 mil vidas que foram ceifadas pela falta de gestão da pandemia. Queremos dizer para o Paulo Guedes, que chamou o servidor público do parasita, que o parasita é ele, que faz o paraíso fiscal com o nosso dinheiro”, criticou.

Assista abaixo à transmissão realizada pelo Sintrajud durante o ato:

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