Servidores do Judiciário Federal e do MPU em 17 estados e no DF vão aderir à greve geral

Assembleias gerais de trabalhadores do Judiciário Federal e, em muitos casos, do Ministério Público da União em 17 estados do país e no Distrito Federal votaram pela adesão à greve geral de 24 horas convocada para o dia 14 de junho, próxima sexta-feira, contra a reforma da Previdência Social. As bases representadas nestes estados correspondem a mais de 90% dos servidoras e servidores que integram nacionalmente a categoria.

Em duas regiões, no Sul e no Sudeste, assembleias em todos os estados ratificaram a indicação nacional da categoria de participação na greve, aprovada no 10° Congresso da federação nacional (Fenajufe).

“Vejo com bons olhos os sindicatos aderindo à greve geral no Brasil inteiro”, disse Marcus Vergne, servidor do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa e diretor do Sintrajud. “A reforma da Previdência é um ataque muito grave a toda a classe trabalhadora. Nós, servidores públicos, somos usados como bode expiatório, como portadores de privilégios, o que não é verdade”, afirmou.

“A reforma da Previdência não ataca nenhum privilégio; mais de 80% da população brasileira é atacada com essa reforma que nos traz a capitalização, que vai quebrar o Estado brasileiro no futuro e que tira de nós a mais importante conquista que tivemos na Constituição Federal de 1988”, ressaltou o diretor do Sintrajud.

Dirigentes sindicais alertam para o impacto que a reforma, caso aprovada, terá sobre a categoria e os demais trabalhadores. “É um dia sem trabalhar para não trabalharmos até morrer. Temos que parar o país para fazer tremer os vendilhões do Congresso Nacional. Nas ruas daremos o recado: não aceitaremos que roubem nossas aposentadorias”, disse Rafael Scherer, da direção do sindicato no Rio Grande do Sul (Sintrajufe-RS).

No Nordeste, em sete dos nove estados as assembleias votaram a paralisação – a última delas ocorreu em São Luís, no Maranhão, na qual foi aprovada a adesão à greve, com participação no ato geral e a realização de uma manifestação específica em frente à Justiça Federal.

Na véspera, o mesmo já havia ocorrido em Recife, onde os servidores decidiram ainda por realizar um ato em frente ao Tribunal Regional do Trabalho, para depois se juntar à mobilização geral convocada pelas centrais sindicais e movimentos sociais.

“É de suma importância a participação da categoria do PJU e do MPU na greve geral do dia 14 de junho, para fortalecer a unidade da classe trabalhadora contra a ofensiva ultraliberal dos patrões, banqueiros e governos aos nossos direitos históricos, para derrotar a nefasta proposta de destruição da Previdência Social do desgoverno Bolsonaro. A situação é grave e por isso exige a participação de toda a nossa categoria”, disse Paulo Falcão, da direção do sindicato de Alagoas (Sindjus-AL).

A greve geral foi convocada pelas centrais sindicais, sindicatos, movimentos sociais e da juventude. Ocorrerá após as manifestações dos dias 15 e 30 de maio, que levaram à realização de atos em centenas de cidades do país contra as políticas do governo Bolsonaro, provavelmente as maiores já realizadas desde os grandes protestos de junho de 2013.

“Os dias 15 e 30 de maio foram uma demonstração de que há disposição de luta contra os ataques do governo Bolsonaro. É importante que trabalhadoras e trabalhadores do PJU e do MPU possam se somar aos processos de luta construindo a greve geral do 14J. É preciso dar uma resposta ao governo que corta verbas da educação e tenta acabar com a Previdência pública”, assinalou Elcimara de Souza, servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e coordenadora da Fenajufe.

Para Denise Carneiro, dirigente do sindicato da Bahia (Sindjufe-BA), é possível uma expressiva participação dos servidores do PJU e do MPU neste dia. “A análise de alguns de que nossa categoria não quer greve caiu por terra, basta ver os vídeos das assembleias. Nas ruas também sentimos a insatisfação enorme do povo com esse governo e o medo de perderem o direito de se aposentar. É só informar, com dados, que até os mais reticentes ficam apreensivos e dispostos a evitar isso. A greve geral vai acontecer”, afirma.

Onde os servidores já decidiram parar na Greve Geral – 14J

SUL

Rio Grande do Sul (Sintrajufe-RS)

Santa Catarina (Sintrajusc)

Paraná (Sinjutra: categoria decidiu parar – Sinjuspar: não informou)

 

SUDESTE

Espírito Santo (Sinpojufe/ES)

São Paulo (Sintrajud – Sindiquinze)

Rio de Janeiro (Sisejufe)

Minas Gerais (Sitraemg)

 

CENTRO-OESTE

Mato Grosso do Sul (Sindjufe-MS)

Mato Grosso (Sintrajufe-MT)

Distrito Federal (Sindjus-DF)

 

NORDESTE

Alagoas (Sindjus-AL)

Bahia (Sindjufe-BA)

Paraíba (Sindjufe-PB)

Pernambuco (Sintrajufe-PE)

Rio Grande do Norte ((Sintrajurn)

Ceará (Sindssétima – Sintrajufe )

Maranhão (Sintrajufe-RS)

 

NORTE

Tocantins (Sindjufe)

 

Decidiram participar da mobilização, sem paralisação

=Piauí (Sintrajufe-PI) – Assembleia decidiu participar das mobilizações gerais contra a reforma, sem paralisação.

=Amazonas – Aprovou convocação da categoria para o ato unificado e panfletagens, sem paralisação.

=Pará/Amapá (Sindjuf-PA-AP) – Assembleia aprovou participar dos atos unificados.

=Goiás (Sinjufego) – Participação nos atos, sem paralisação.

* Amazonas (Sinjeam/AM e Sitra/AM) – O Sinjeam informa que os servidores da Justiça Eleitoral decidiram participar das manifestações, mas sem paralisação; o Sitra-AM está divulgando a greve e a ida ao ato, mas não informa se houve deliberação da categoria de parar.
**Em Sergipe (Sindjuf-SE), não foi realizada assembleia.