Seminário debate desafios da comunicação sindical

Durante o Seminário sobre Comunicação Sindical realizado no último sábado, 21, no Sintrajud, ao longo de todo o dia servidores, profissionais da imprensa do Sindicato, dirigentes e especialistas debateram elementos de concepção, objetivos e desafios da imprensa dos trabalhadores na disputa por uma perspectiva ideológica contra-hegemônica e para fortalecer os vínculos entre as categorias e […]

Claudia Santiago fala, observada pela jornalista da equipe de comunicação do Sintrajud, Shuellen Peixoto (no meio) e Cláudia Costa.

Durante o Seminário sobre Comunicação Sindical realizado no último sábado, 21, no Sintrajud, ao longo de todo o dia servidores, profissionais da imprensa do Sindicato, dirigentes e especialistas debateram elementos de concepção, objetivos e desafios da imprensa dos trabalhadores na disputa por uma perspectiva ideológica contra-hegemônica e para fortalecer os vínculos entre as categorias e entidades representativas.

Na parte da manhã, as jornalistas Claudia Santiago Giannotti (coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação) e Claudia Costa (coordenadora de comunicação da CSP-Conlutas Nacional) falaram sobre a importância do jornalismo sindical expor de forma didática a relação entre os problemas específicos das categorias e a realidade geral do país, além de inserir os sindicatos na vida dos trabalhadores para além das campanhas e ações econômicas.

“Na década de 1970 quem pensou nisso foi D. Paulo Evaristo Arns, por meio das Comunidades Eclesiais de Base (as CEBs)”, lembrou Claudia Santiago, resgatando que na atualidade este debate se faz mais necessário especialmente para o funcionalismo público devido às políticas de desmonte do Estado.

“A estrutura do Judiciário Federal, com a terceirização, tende a ter cada vez menos concursos. E os novos trabalhadores tendem a ser cada vez mais contratados pelas chamadas “gatas” [empresas terceirizadas]. Como vamos falar com essas pessoas? Então, um lema importantíssimo da comunicação sindical é: ‘não sejam corporativos, falem para a classe”, afirmou Cláudia Santiago, que neste 2018 completa três décadas de experiência como profissional de comunicação dos trabalhadores e tornou-se referência internacional na área.

“A comunicação serve para conscientizar, organizar a classe e levá-la para a ação. Então, para nós é fundamental quando elaboramos a comunicação, pensar para quê ela serve. Quando vamos organizar uma campanha comunicacional nunca começo com adesivos, cartazes chamando a greve ou um caminhão de som informando que a greve está marcada para tal dia. Sempre começamos uma campanha salarial discutindo o que a categoria vem passando, seus problemas, porque é necessária a unidade em torno daquela campanha, o que o governo está nos impondo e quais as consequências, por exemplo para os servidores, das reformas da Previdência e trabalhista. Sem o que Vito Giannotti criticava muito – o ‘juridiquês’, o ‘sindicalês'”, ressaltou Claudia Costa. Ela também completa 30 anos de imprensa sindical neste ano.

Os termos ‘juridiquês’ e ‘sindicalês’ remetem, respectivamente, a linguagens de difícil compreensão, que utilizam termos específicos do mundo jurídico ou da militância sindical, e que acabam por não serem compreendidas pelas pessoas que não são parte dessas atividades.

Giannoti, companheiro de Claudia Santiago até o fim da vida, foi outra referência nos estudos sobre comunicação sindical no país, fundador do Núcleo Piratininga de Comunicação – que iniciou as atividades em 1992 e a partir de 2005 expandiu sua atuação também para a comunicação popular, de bairros e comunidades.

Impresso e novas tecnologias

Outro elemento levantado por Santiago, foi a importância dos materiais impressos, mesmo diante dos avanços tecnológicos. “Nada substitui o jornal impresso!”, proclamou.

Genilda Souza e a jornalista Luciana Araujo, da equipe do Sintrajud.

A pesquisa de perfil e opinião da categoria recentemente realizada pelo Sindicato, cujo relatório será divulgado na próxima semana, parece confirmar a opinião da especialista. 7 em cada 10 servidores entrevistados afirmaram conhecer o jornal do Sintrajud e seus boletins impressos. Mesmo assim, e com todo o acesso à internet e outras mídias eletrônicas, 39% dos servidores participantes da pesquisa declararam que o Sindicato deve investir ainda mais no jornal impresso para aprimorar a comunicação com a categoria.

O estudo “Perfil e opiniões dos trabalhadores do Judiciário Federal” foi coordenado pela psicóloga Genilda Souza, por contratação do Sindicato à empresa Huno Consultoria & Treinamento. Durante o seminário foram debatidos os principais destaques do levantamento que estão diretamente relacionados à comunicação.

Outro dado que parece reforçar que o ‘velho’ jornal em papel ainda tem espaço nos corações dos leitores é a movimentação de grandes publicações jornalísticas internacionais. Em 2010, o ‘The New York Times‘ anunciou o fim da edição impressa, em meio ao debate sobre a atualidade e modernização das mídias. No ano de 2013, o jornal fundado em 1851 e que acumula mais de cem prêmios Pulitzer (o Oscar do jornalismo) recuou do anúncio da digitalização integral. E em fevereiro deste ano um de seus executivos declarou à mídia internacional que o ‘NYT’ impresso continuará a existir por pelo menos mais dez anos.

O jornalista Hélio Batista Barboza, da equipe do Sintrajud, apresenta Renata Assumpção e Henkeo Peixoto.

A combinação entre as mídias tradicionais e as novas tecnologias foi pauta também na terceira mesa de debates do evento. Participaram do painel Mídias sociais e disputa de consciência: como usar para fazer efeito, a jornalista Renata Assumpção (especialista em mídias  sociais e coordenadora de comunicação da área de advocacy do Instituto Alana) e Henkeo Peixoto (analista de mídias sociais da RP1 Comunicação).

“Muito se fala em investimento em redes, trabalhar com as redes, estar nas redes, mas pouco se discute o que são as redes e suas diferentes linguagens. O que é o funcionamento orgânico da rede, o que funciona nelas, sobre a conexão de pessoas com interesses e valores em comum”, destacou Henkeo, lembrando que não basta utilizar todas as mídias sociais, embora 94,4% das empresas brasileiras estejam presentes nelas.

Oespecialista frisou que “mostrar conteúdo de qualidade e relevante”, é o primeiro passo fundamental para a comunicação engajar o público-alvo na replicação da mensagem do sindicato, o que vem sendo muito estudado pelas grandes empresas dado o potencial de expandir suas mensagens a baixo custo, utilizando as próprias medidas de consumo de temas e áreas de interesse das pessoas que usam as redes sociais que o Facebook, LinkedIn, YouTube e outras plataformas disponibilizam.

“Antes de simplesmente colocar o conteúdo para as pessoas, você precisa ser interessante para as pessoas”, disse.

Informação de qualidade para falar mais e melhor

Para além de medir o que pensa e pelo que se interessa a categoria em nível estadual, nacional e também a sociedade, “nosso trabalho na comunicação, e em todas as plataformas, é como deixar o que queremos falar interessante, ‘sexy'”, afirmou Renata Assumpção, levando o plenário à gargalhada.

Avaliar também se vale mesmo a pena estar em todas as mídias sociais e qual a capacidade de investimento de dinheiro, tempo e equipe é possível disponibilizar para tornar a mídia sindical um influenciador digital, estudando constantemente onde o público está e como ele utiliza essas mídias. “Esse dado fundamental vocês já têm na pesquisa, e isso é um avanço fantástico”, ressaltou.

Combater as fake news deve estar entre as metas e preocupações permanentes de todos que produzem e reproduzem a comunicação do Sindicato.

“A gente pensa primeiro na questão de como falar nessas plataformas, que o conteúdo seja produzido de maneira singular e maravilhosa, e isso vocês já fazem. Então, se conteúdo nós temos, vamos para a forma que vamos dar a isso. É aí que mora o perigo. É fácil as pessoas pedirem ‘faz um meme aí pra mim’, ‘faz um viralzinho’. Mas aí tem toda uma discussão de estratégia, equipe e equipamentos. Compartilhar uma informação de forma que ela não seja facilmente alterada e falsificada, ter marcas editoriais também devem ser preocupação permanente”, frisou Renata

“E ter em mente que sem uma rede offline nada on-line vai funcionar muito bem. Mapear as pessoas dessa rede, construir relações, chamar de vez em quando todo mundo pra uma conversa presencial”, concluiu a jornalista.

O jornalista Hélcio Duarte Filho, que também integra a equipe da comunicação do Sintrajud e assessora o Coletivo Luta Fenajufe.
Atrás: a secretária Juliana Silva, Hélio e Shuellen. Sentados: Luciana, Roberto Gouveia (diagramador) e Luci Silva (atenção aos sindicalizados).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Avaliação da categoria

Uma experiência positiva

A reportagem do Sintrajud ouviu a avaliação de servidores presentes à atividade. Confira abaixo algumas declarações:

Adilson Rodrigues dos Santos, servidor da JF/Santos e atualmente na coordenação-geral da Fenajufe, avaliou que “o seminário cumpriu o importante papel de debater a comunicação do Sintrajud e como melhorá-la utilizando as mais recentes ferramentas que a tecnologia nos traza; aprofundar o debate sobre algumas boas experiências em curso em outros espaços, e nos deixou o desafio de nos comunicarmos mais e melhor com nossa categoria e o conjunto da classe. Saí animado para continuar perseguindo os objetivos do Sindicato: unir, fortalecer e organizar as lutas”.

 

Arquivo pessoal

Maria da Penha de Freitas, aposentada do TRE, considerou o evento “muito bom, com coisas que a gente nunca tinha ouvido falar e outras que estamos aprendendo de novo, e que a gente poderá aproveitar nas nossas vidas. Estou sempre no Sindicato e considero que foi muito importante a iniciativa”.

 

 

 

Para a servidora do TRE e ex-diretora do Sindicato Raquel Morel Gonzaga, o seminário “significou um incentivo a nossa categoria para pensar a comunicação de outra forma, pois o jornalismo da ‘Veja’, ‘Folha de S. Paulo’, do [Grupo] Globo, por exemplo, são totalmente ideológicos. Têm lado. O lado da classe dominante no Brasil. E, por princípio, a imprensa sindical tem um outro lado: o lado dos trabalhadores, dos desempregados, dos excluídos. E seminários como este nos proporciona a oportunidade de resgatar essa essência e principalmente fortalecem nossa luta cotidiana”.

 

(Cláudio Cammarota)

Pedro Breier, servidor do TRT-2, avalia que “por mais estranho que possa parecer, valeu a pena passar boa parte do sábado no sindicato! As palestrantes da manhã foram sensacionais, falando de forma muito elucidativa. Destaque para o magnetismo da Claudia Santiago. Manda bem demais e ainda arranca risadas do público. A análise e, principalmente, o debate sobre a pesquisa feita com os servidores foram bem interessantes. Assim como o painel sobre atuação nas mídias sociais. Resumindo, palestrantes muito qualificados e debates entre público e painelistas idem!”

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