Protesto contra a PEC 287 marca dia dos aposentados em São Paulo

Aposentados, pensionistas e também servidores da ativa participaram do ato público contra a reforma da Previdência na manhã desta quarta-feira, 24. A manifestação, organizada pelo Sintrajud, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência (Sinsprev) e o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal do Estado (Sindsef), marcou o Dia Nacional dos Aposentados e a retomada da mobilização contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 287/2016.

O ato aconteceu em frente ao escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista. Os manifestantes fizeram falas e distribuíram uma carta aberta (veja aqui) para esclarecer a população quanto às consequências da reforma.

“Lembrando que hoje comemoramos 95 anos da criação da Previdência no Brasil, mais uma vez este é um dia de luta pelo direito à aposentadoria. Num momento em que querem aumentar o tempo de contribuição, achatar os benefícios, extinguir de vez a paridade e reduzir os proventos por meio do aumento da contribuição depois da aposentadoria. Atacando quem dedicou muitos anos de suas vidas ao serviço público, e também os trabalhadores do setor privado. É necessário avançar, e não retroceder 95 anos, quando nem existia previdência no Brasil. Por isso ressaltamos a todos os parlamentares que quem votar contra os trabalhadores não vai se reeleger. Vamos fazer campanha contra, perseguir cada um deles”, afirmou o servidor da Justiça do Trabalho e diretor do Sintrajud logo no início da manifestação.

“A PEC 287 é uma exigência do mercado financeiro, assim como o ajuste fiscal que vem sendo aplicado, para massacrar ainda mais os trabalhadores e trabalhadoras, ativos e aposentados”, afirmou Nelson Novaes, aposentado e diretor do Sinsprev. “A luta contra esta reforma é de todos nós, ativos e aposentados, em defesa do direito à aposentadoria”, complementou.

A diretora do Sintrajud Ana Luiza Figuereido, aposentada do TRF, lembrou que a seguridade social vem sendo atacada historicamente. “O governo de Fernando Henrique Cardoso acabou com a aposentadoria por tempo de contribuição. Depois, Lula, em 2003, fez uma reforma nefasta que decretou o fim da paridade e da integralidade das aposentadorias no serviço público. Dilma criou o Funpresp, que significa nada mais que a privatização da aposentadoria. E agora Temer que acabar de vez com este direito aumentando a idade mínima”, destacou.

Os participantes do protesto também destacaram a necessidade de resistência dos trabalhadores do serviço público e da iniciativa privada para barrar a reforma. “O governo Temer pretendia aprovar a reforma da previdência no primeiro semestre do ano passado. Nossa luta impediu a aprovação. Agora a reforma está prevista para ser votada dia 19 de fevereiro, precisamos rearticular a mobilização e organizar a luta do serviço público e dos trabalhadores da iniciativa privada para impedir que nossos direitos sejam retirados”, ressaltou Ana Lúcia Lamaneres, diretora do Sindsef.

Durante o ato uma comissão de trabalhadores iria protocolar uma solicitação de audiência com o chefe do Poder Executivo para discutir as demandas do conjunto do funcionalismo e dos aposentados em particular, além do posicionamento contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 287/2016. No entanto, o escritório estava fechado. A segurança do prédio informou que o gabinete do Executivo Federal no Estado foi fechado às 18h desta terça-feira, 23, e só reabriria na segunda, 29. A justificativa seriam os protestos dos movimentos sociais diante do julgamento do ex presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, que acontece nesta quarta-feira, 24.

O documento será protocolado na segunda-feira, 29, e os representantes do Sintrajud, Sindsef e Sinsprev farão o registro de que estiveram no local nesta quarta, porém, encontraram o prédio fechado.