Professora detida no campus do IFG, em Águas Lindas, denuncia truculência policial

Camila Marques, que também é coordenadora do Sinasefe, e três estudantes detidos foram liberados após depoimentos.

Camila Marques. Foto: reprodução WhatsApp

 

Uma ação truculenta da Polícia Civil no campus de Águas Lindas do Instituto Federal de Goiás (IFG) resultou na prisão, nesta terça-feira, 15 de abril, da professora de Sociologia Camila Marques. A professora, que também é coordenadora do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), foi algemada na frente dos alunos, levada à delegacia e liberada horas depois. Também foi agredida, recebeu atendimento médico (quando sofreu mais intimidações) e teve de engessar o braço.

A operação policial no campus foi motivada por uma denúncia de que estaria sendo planejado um ataque semelhante ao que aconteceu no mês passado na escola Raul Brasil, em Suzano (SP). Os policiais buscavam uma aluna e dois alunos que estariam compartilhando mensagens relativas ao planejamento do ataque. Os três também foram levados à Delegacia de Águas Lindas e, segundo Camila, não foram acompanhados pelos pais nem por representante do Instituto.

Os agentes teriam se voltado contra a professora quando ela insistiu em filmar a abordagem com o celular. Nesse momento, eles disseram que Camila também seria conduzida à delegacia como testemunha. Quando tentaram colocá-la em uma viatura descaracterizada, a professora pediu para entrar em contato com um advogado, mas os policiais recusaram e ainda tomaram seu celular.

Camila sofreu escoriações no braço e foi algemada. Na viatura e na delegacia, ouviu gritos de policiais, que continuaram impedindo-a de fazer ligações. “Me mandavam calar a boca o tempo todo”, contou a professora. “Repetiam que eu não mandava lá.”

Liberada depois de assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), Camila foi acompanhada pelos policiais ao hospital, onde passou por exames. Enquanto isso, voltou a sofrer intimidações. “Chegaram a gritar comigo lá dentro quando falei que tinha sido agredida”, disse.

Movimento estudantil

Os estudantes também foram liberados sem que fosse encontrado nada que os incriminasse. Camila estranhou a acusação contra os três adolescentes. “Um absurdo o que fizeram com eles, que foram levados sem os pais e sem um representante da instituição”, afirmou a professora.

Segundo Camila, os três estudam no primeiro ano do ensino médio, têm bom histórico escolar e militam no movimento estudantil. Os estudantes são negros e moram na periferia de Águas Lindas, o maior município do entorno do Distrito Federal, com 207 mil habitantes.

“Vamos tomar medidas, juntamente com o departamento jurídico da nossa entidade, por conta da violência policial”, disse Camila.

Em nota, a Reitoria do IFG informou que “está apurando os fatos” e que “tomará as providências cabíveis no âmbito da administração pública”. A Reitoria também declarou que “reafirma sua posição em defesa da integridade física, da liberdade, da pluralidade de pensamento dos professores, dos técnico-administrativos e dos estudantes”.

O Sinasefe, por sua vez, apontou que “diversos casos de violência e feminicídios estão sendo registrados na cidade”. Segundo a entidade, “um protesto de estudantes e da comunidade na semana passada contra estes assassinatos pode ter despertado a ação dos policiais”. O Sindicato recebeu manifestações de apoio de outras entidades. Leia aqui a cobertura feita pelo Sinasefe, inclusive com os vídeos gravados pela professora Camila Marques relatando o incidente.

O Sintrajud manifesta seu repúdio à violência policial, bem como a qualquer tentativa de reprimir a liberdade de pensamento e criminalizar os movimentos sociais.

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