“O país precisa de quarentena para o conjunto dos trabalhadores”, defende sindicalista

Atnágoras Lopes, membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, participou da live do Sindicato na última segunda-feira, 20 de abril, e debateu as inciativas contra a retirada de direitos.

A necessidade de lutar por política públicas que garantam a vida das pessoas diante da pandemia do coronavírus foi do debate da transmissão ao vivo do Sintrajud na última segunda-feira, 20 de abril. O convidado da décima terceira live do Sindicato foi Atnágoras Lopes, integrante da secretaria executiva nacional da central sindical CSP-Conlutas. As diretoras Inês Leal e Luciana Carneiro também participaram do debate.

O dirigente sindical falou sobre as ações da Central, à qual o Sindicato é filiado, durante a pandemia e defendeu que a quarentena precisa ser ampliada e intensificada, com garantia de renda para toda a população. A Central organizou paralisações e greves de categorias do setor privado que continuam funcionando, além de ações de solidariedade junto a movimentos populares e de moradia.

Para Atnágoras Lopes, não é possível aceitar que durante uma pandemia que tem matado milhares de pessoas e põe em risco o sistema de saúde do país, o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional aprofundem a retirada de direitos. “Depois de mais de 2 mil mortes, o presidente insiste em dizer que as pessoas têm que voltar ao trabalho para garantir comida, é um absurdo que estejamos entre os únicos quatro países que negam a gravidade da pandemia”, afirmou. “Bolsonaro e o Congresso Nacional retiram a  responsabilidade com a vida das pessoas e avançam nas medidas neoliberais e tentam retirar direitos, inclusive dos servidores públicos, com ameaça de redução de jornada e fim da estabilidade”, disse o dirigente.

Atnágoras também se contrapôs ao argumentoa de falta de recursos. “No começo da pandemia o Bolsonaro conseguiu pegar o dinheiro público e entregar mais de R$ 1,2 trilhão para os banqueiros, isto significa 10 vezes mais do que o que foi destinado para o auxílio que será pago aos trabalhadores, 600 reais”, ressaltou. Parte das pessoas que têm direito ainda não receberam sequer a primeira parcela do benefício, após um mês de quarentena, e o governo adiou o pagamento da segunda parcela.

Ao invés de garantir políticas públicas, a ‘resposta’ do governo Bolsonaro à crise foram as MPs 927 e 936, que permitem redução salarial e suspensão temporária de contratos.  “O governo aproveita o cenário para afrontar os direitos conquistados pelos trabalhadores a duras penas. Diante deste cenário ainda quer reeditar a MP 905 que vai desobrigar empregadores de pagar a contribuição previdenciária e criar relações de trabalho mais precarizadas”, destacou Luciana Carneiro, servidora do TRF.

Para a diretora do Sindicato Inês Leal, é preciso repudiar as declarações do Bolsonaro e exigir  políticas que coloquem a vida dos trabalhadores acima dos lucros. “Além da gravidade da pandemia, aqui enfrentamos um presidente da República que tem uma política que tem como fim aproveitar o desespero da classe para aprofundar a exploração e retirar ainda mais direitos, é um absurdo”, afirmou Inês.

O dirigente da Central defendeu que diante dos ataques, é preciso organizar os trabalhadores, junto aos sindicatos e centrais, para defender os direitos. “É fundamental estimular a auto-organização dos trabalhadores em defesa da vida, das liberdades democráticas, do nosso direito a manifestações e greves e para botar para fora Bolsonaro e Mourão”, finalizou Atnágoras Lopes.

A live foi transmitida pelas páginas do Sintrajud no Facebook, no YouTube e também pelo site. Assista ao bate-papo virtual na íntegra:

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