Na véspera de votar Previdência, ex-líder do governo afirma: ‘Bolsonaros’ têm rede de fake news

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Na véspera do dia em que o governo de Jair Bolsonaro pretende concluir a votação da reforma da Previdência no Senado Federal, a ex-líder do governo no Congresso Nacional Joice Hasselmann (PSL-SP) disse ao portal de notícias “UOL” que os filhos do presidente da República mantêm uma rede paga de propagação de “fake news”.

A deputada federal não teria detalhado em que momentos centrais tal rede de notícias falsas foi usada. O esquema ilegal seria composto por 1.500 perfis falsos e contaria com funcionários voltados para isso. A reportagem do “UOL” não afirma, mas não descarta que tais profissionais usados para cometer esses crimes de informação em série sejam pagos com dinheiro público.

Colega de partido dos filhos do presidente – Carlos, Flávio e Eduardo, todos parlamentares – e do próprio Jair Bolsonaro, Joice Hasselmann foi destituída do cargo de líder do governo no dia 17 de outubro. A substituição se deu em meio à briga pública entre parlamentares do PSL, na qual está em disputa o milionário fundo partidário que a legenda terá nas eleições de 2020. A denúncia da deputada por São Paulo ganha mais relevância por partir de alguém do próprio partido do presidente e que até poucos dias ocupava um cargo de confiança no Congresso Nacional, sendo uma das principais articuladoras políticas da PEC-6.

Os movimentos contrários à reforma da Previdência Social vêm, desde o primeiro semestre do ano, denunciando a existência de uma rede de propagação de inverdades sobre os direitos da aposentadoria e a Previdência Social pública. O objetivo seria reverter a enorme rejeição que a reforma previdenciária têm entre a população brasileira. De acordo com as pesquisas de opinião, embora ainda siga majoritariamente rejeitada pela maioria da população de 16 anos ou mais, o apoio à proposta cresceu nos últimos meses.

Neste aspecto, o feito do atual governo é inédito dentre as pelo menos quatro vezes, desde a entrada em vigor da Constituição Federal em 1988, nas quais sucessivos governo propuseram propostas de reforma da Previdência, que eliminam direitos dos trabalhadores. Em todas as vezes anteriores, a rejeição aos projetos aumentou e não diminuiu ao longo da tramitação da reforma no legislativo.

Provável votação

A tendência é que os senadores votem nesta terça-feira (22), em Plenário, a PEC-6, que tornará o acesso à aposentadoria mais difícil e com valores menores. Há ainda uma proposta complementar, a PEC Paralela da Previdência, que pode levar a mais perdas de direitos. O Sintrajud enviou nova caravana a Brasília para acompanhar a possível votação. Os servidores também vão participar do lançamento da Frente Parlamentar Mista do Serviço Público, que acontece no dia 23, das 9 às 13 horas, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.

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