Mês da Consciência Negra termina com poesia e debate no Sintrajud

Para marcar o Mês da Consciência Negra, o Sintrajud realizou no sábado, 25, uma série de atividades de conscientização e de confraternização reunindo servidores e ativistas do Movimento Negro.

Sob o tema “A condição das negras e negros na sociedade brasileira”, o evento no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência (Sinsprev) teve seminário, espetáculo teatral, leitura de poesias e música.

Como palestrantes, o seminário contou com a participação da advogada criminalista Paula Nunes, do rapper Diogo Dutra e de duas integrantes do Coletivo Oya – Mulheres Negras da Periferia: a enfermeira Leila Rocha e a professora Ayni Estevão de Araújo.

Eles traçaram um histórico dos movimentos de resistência dos negros na formação da sociedade brasileira, apontaram a desigualdade, a exclusão e a violência a que ainda está submetida a população negra (principalmente as mulheres) e destacaram a necessidade de combater o racismo como parte da luta contra a exploração capitalista.

“Não existe capitalismo sem racismo”, afirmou Diogo Dutra, que é membro do Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil. “É preciso uma revolução e essa revolução deve ser negra ou não vai acontecer.”

Falando sobre as políticas de segurança pública e de combate às drogas, Paula Nunes mostrou como tais políticas têm levado ao encarceramento e à morte de jovens negros.

 

“Vidas são ceifadas exclusivamente pelo fato de as pessoas serem negras”, apontou a advogada, militante do movimento negro. “Temos de ser linha de frente no combate ao avanço de ideias conservadoras e de políticas que querem nos exterminar.”

 

 

 

Ayni Estevão de Araújo destacou a necessidade de se dar atenção à luta das mulheres dentro do movimento negro. “Olhar analiticamente a mulher negra é olhar uma categoria formada por dois grandes sistemas de opressão”, afirmou a professora, mestra em Antropologia Social e doutoranda em Ciências Sociais. “Quando se fala em mulher negra, estamos falando da base da pirâmide, que concentra os piores índices sociais”, acrescentou.

 

“Temos menos acesso às consultas de pré-natal, os médicos ficam menos tempo conosco e fazem procedimentos cirúrgicos dolorosos sem anestesia ou com menos anestesia [do que com as mulheres brancas]”, explicou Leila Rocha, pós-graduada em Gestão de Políticas Públicas com recorte em gênero e raça.

O grupo de teatro Erga Omnes, apoiado pelo Sintrajud, apresentou trechos do espetáculo “Rebeldia, Rebeldia”, de Maria Cecília Toledo e Carlos Ricardo, sob a direção de Jairo Maciel, com músicas, poemas e textos de denúncia da situação dos negros e negras no país.

No final do evento, servidores se alternaram na leitura de poesias de autores negros ou relacionados à questão racial.

Veja a galeria de fotos da atividade (clique nas fotos para ampliar).

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