Mandela, presente!

Há exatos 100 anos nascia em Mvezo, província do Cabo Oriental Sul-africano, Nelson Rolihlahla Mandela. O Madiba, como era chamado em seu clã da etnia Xhosa.

A história reservou um lugar especial no panteão dos heróis de carne e osso àquele menino negro de origem nobre que emigrou a Joanesburgo, capital de seu país, em meio ao Apartheid, viveu as agruras da pobreza e discriminação impostas pelo regime institucionalmente racista à maioria negra da Àfrica do Sul, tornou-se advogado, fundou o maior partido negro do qual já se ouviu falar e passou 27 anos encarcerado pela “traição” de enfrentar o racismo. Depois de tudo isso, Madiba foi eleito presidente da África do Sul e reunificou o país, mesmo sob críticas de que teria se tornado conciliador ao extremo. Tornou-se Nobel da Paz e morreu, aos 95 anos, em 2013, celebrado como um dos maiores líderes da humanidade.

Fez valer a frase registrada em um discurso realizado no ano de 2005. Disse Mandela naquela oportunidade que “às vezes, cabe a uma geração ser grandiosa. Vocês podem ser essa grande geração.”

A geração de Madiba certamente cumpriu essa missão ao protagonizar o levante do bairro negro de Soweto em rebelião contra a violência do Estado, derrotar um regime de segregação racial que durou 46 anos, superar os milhares de assassinatos promovidos pelos setores extremistas brancos contra o fim do Apartheid mantendo em curso o projeto de reconstrução de uma nação, e reafirmar ao mundo que mudar a História é tarefa de mulheres e homens do povo.

Como humano que era, Mandela não teve nada em sua biografia que o associasse às imagens quase religiosas construídas no imaginário social sobre os grandes líderes. Cometeu erros, entre eles a reprodução do machismo apontado por sua companheira de vida e luta Winnie Mandela, e foi criticado pelas opções políticas que fez. Mas nada disso muda o que é o marco de sua biografia.

Aquele homem, em 20 de abril de 1964, declarou em seu julgamento: “Durante a minha vida, me dediquei à luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu defendi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e conseguir realizar. Mas, se preciso for, é um ideal para o qual estou disposto a morrer.”

Leia aqui a íntegra do discurso, publicado pelo jornal ‘Folha de S.Paulo’ logo após a morte de Mandela.

Esta declaração, sua causa de vida, que contribuiu nas razões de saúde física que o levaram à morte já perto de completar também ele um século, é a síntese de Madiba. Que merece todas as homenagens no dia de hoje.

Viva Madiba! Mandela, presente!