Maior panelaço da quarentena deve ser nesta terça, 31, aniversário do golpe de 64

As janelas e varandas do Brasil vão ressoar às 20h30 desta terça-feira, 31 de março, o que promete ser o maior panelaço da quarentena imposta pela pandemia do coronavírus. As publicações feitas na manhã de hoje pelo Ministério da Defesa e o vice-presidente, general da reserva Hamilton Mourão, de que o 31 de março de 1964 teria sido um “marco democrático” repercutiram negativamente e aumentaram a indignação com um governo que nega os riscos da pandemia do coronavírus e tenta aproveitar a crise para cortar salários dos servidores públicos.

Convocado por diversos partidos, movimentos sociais e centrais sindicais, o protesto já estava previsto para marcar os 56 anos do golpe empresarial-militar no país. O panelaço foi o caminho encontrado pelas organizações defensoras dos direitos humanos, num momento em que todas as atividades presenciais em defesa do resgate da memória dos crimes do regime de quartéis, por reconhecimento da verdade histórica das responsabilidades do Estado brasileiro e por justiça para as vítimas da ditadura foram canceladas.

Somou-se à pauta o repúdio à irresponsabilidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que vem combatendo o isolamento social defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), governos de todo o mundo, governadores, prefeitos, especialistas e por seu próprio ministro da Saúde.

No último domingo, 29 de março, Bolsonaro saiu em caminhada por Brasília, onde conversou com pessoas na rua, visitou estabelecimentos comerciais e atraiu aglomerações. Durante o percurso, o presidente voltou a atacar as medidas de isolamento social, defendendo a volta ao trabalho e ao funcionamento normal de atividades econômicas. Bolsonaro chegou a dizer que estuda baixar um decreto com essas determinações.

Antes, o presidente já havia participado de uma manifestação contra o STF e o Congresso Nacional, em 15 de março, e feito um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão no dia 24 de março, quando minimizou o risco do coronavírus e defendeu o fim do isolamento social.

Aniversário do golpe

O panelaço também vai defender o Sistema Único de Saúde (SUS) e a democracia. Ainda nesta terça-feira, será lançado um abaixo-assinado com a proposta de taxação das grandes fortunas para angariar recursos para a saúde.
A data do panelaço é significativa porque marca os 56 anos do golpe de 64. Bolsonaro é um entusiasta do golpe e admirador de militares ligados à tortura durante o regime, como o general Carlos Alberto Brilhante Ustra.

O presidente tem sido alvo de panelaços quase diários durante a quarentena. Servidores do Judiciário Federal participam das manifestações para protestar contra as medidas que atacam o funcionalismo, como a proposta de reduzir salários e jornada de trabalho, as medidas previstas no Plano ‘Mais Brasil’ e o congelamento orçamentário imposto pela Emenda 95.

Mande sua foto ou vídeo participando do panelaço por meio do WhatsApp do Sintrajud: (11) 99128-5217.

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