Luta contra o racismo e machismo na sociedade foram debatidos em seminário no Sindicato

Atividade, que aconteceu no último sábado, 23, marcou homenagens ao mês da Consciência Negra e os “21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”.

Fotos: Joca Duarte

 

Os desafios e opressões enfrentados pelas mulheres negras no Brasil foram parte do debate que aconteceu no último sábado, 23 de novembro, no auditório do Sintrajud. O seminário “Ativismo pela vida das mulheres e passos do racismo brasileiro: violência, trabalho e exploração”, foi realizado para marcar o mês da Consciência Negra e os “21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”. O período entre 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, e 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, é dedicado pela ONU à erradicação das violências de gênero.

A atividade contou com a presença de Jane Barros, doutora em Sociologia pela Unicamp, Deise Barbosa, educadora da área de Artes Visuais e ativista do MML, e Marina Rebelo, cientista política e trabalhadora da Unicamp.

As palestrantes dedicaram suas explanações a demonstrar o quanto o machismo e o racismo fazem parte do cotidiano da sociedade brasileira, sendo elementos usados pelo Estado para obter maior lucratividade. “Diferenças existem, o problema é quando elas são transformadas em desigualdades e opressão, o pepino é quando as diferenças entre os sujeitos são hierarquizadas e valoradas, subjugando alguns em detrimento de outros. O machismo, por exemplo, é uma forma de subjugar as mulheres diante dos homens”, afirmou Jane Barros. Para a socióloga, o estado utiliza a opressão para aprofundar a exploração, não à toa, segundo dados da PNAD, as mulheres seguem tendo salários menores e sendo a maioria entre os desempregados.  A PNAD é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios realizada mensalmente pelo IBGE.

Para Deise Barbosa, ter entre os trabalhadores terceirizados no Brasil uma maioria de mulheres negras também é um exemplo de como o Estado e as empresas lucram com as opressões. “Os trabalhadores terceirizados trabalham sob péssimas condições. Dados de pesquisa do DIEESE mostram que, em 2015, a cada 10 acidentes de trabalho, 8 foram entre trabalhadores terceirizados”, afirmou a educadora que lembrou que a terceirização aumentou nos últimos anos com aprovação da reforma trabalhista (Lei 13429/2017).

As palestrantes também chamaram a categoria para combater o machismo e racismo nos locais de trabalho e no cotidiano. “Nós funcionários públicos, não podemos ignorar que estamos aqui para servir à sociedade, principalmente quem não pode pagar, a serviço da garantia dos direitos desta população oprimida. Por isso, ou nos tornamos um agente antirracista ou perpetuamos a lógica racista do estado”, destacou Marina Rebelo.

Durante o debate, a servidora Fausta Fernandes, diretora do Sintrajud e integrante do Coletivo de Mulheres do Sindicato, convidou as servidoras presentes a participar das atividades e reuniões do coletivo para combater o machismo nos locais de trabalho. “Que este nó na garganta que estamos aqui depois de ouvir as palestras se transforme em força para lutar contra as opressões e as desigualdades nesta sociedade”, finalizou Fausta.

Além do debate, a atividade também teve um momento de confraternização entre os servidores com as apresentações do músico Yunei e da performance  “NegrAlohAranhA – Tributo às Mulheres que Morreram de Violência ”, da artista Aloha De La Queiroz. Ao longo da tarde, houve exposição acessórios, roupas, bonecas e turbantes no hall do auditório do Sintrajud.

Veja a íntegra do seminário aqui:

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