Live aborda direito de idosos à vida e situação de aposentados na pandemia

Solidão, distanciamento social, redes de solidariedade e combate às políticas governamentais que ameaçam brasileiros mais velhos vão estar na pauta, a partir das 17h30 deste dia 18..

O novo coronavírus tornou-se o inimigo número um da humanidade em todo o mundo. Mas o alto potencial de contágio e as políticas governamentais em curso ameaçam em particular as pessoas maiores de 60 anos e trazem uma série de especificidades para os trabalhadores aposentados. Para debater essa realidade, o Sintrajud realizará uma transmissão ao vivo voltada especialmente para os servidores aposentados, pensionistas e pessoas com mais de 60 anos, abordando as especificidades deste segmento da categoria e que iniciativas podem ser colocadas em prática durante o período de necessário distanciamento social para preservação da vida. A live acontece nesta segunda (18 de maio), a partir das 17h30, com transmissão pelo YouTube, Facebook e aqui pelo site.

Participam do bate-papo virtual as servidoras Ana Fevereiro (aposentada do TRE e ex-diretora do Sintrajud), Ana Luiza Figueiredo (aposentada do TRF-3 e integrante da atual direção), Maria Francisca Rueda (oficiala de justiça do TRT-2 aposentada e representante do segmento no Conselho de Base), além da diretora Luciana Carneiro (trabalhadora do TRF-3 em exercício de mandato sindical).

As vidas dos idosos importam

O envelhecimento natural é visto com muito preconceito em sociedades como a brasileira, o que é mais um forma de exclusão e desrespeito. Não por acaso o agora ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, causou mais um dos muitos escândalos do atual governo quando veio a público declaração dele antes de se tornar integrante do primeiro escalão. Na entrevista, Nelson naturalizava a “escolha” entre as vidas de uma pessoa idosa e de um jovem como política de gestão em saúde.

Em um congresso de oncologia ocorrido em 2019, Teich concedera afirmou em uma gravação em vídeo que: “recursos são limitados” e que é necessário “fazer escolhas e vai ter que definir onde você vai investir”, disse. O oncologista que construiu a carreira atuando no meio empresarial falou ainda que “se eu tenho uma pessoa mais idosa, que tem uma doença crônica avançada e ela teve uma complicação, para ela melhorar eu vou gastar praticamente o mesmo dinheiro que eu vou gastar para investir num adolescente que está com um problema. O mesmo dinheiro que eu vou investir, é igual. Só que essa pessoa é um adolescente que vai ter a vida inteira pela frente e a outra é uma pessoa idosa, que pode estar no final da vida. Qual vai ser a escolha? Duas coisas importantíssimas na saúde hoje: o dinheiro é limitado e você tem que trabalhar com essa realidade; a segunda coisa é que as escolhas são inevitáveis.”

Diversas organizações, entre elas o Sintrajud, repudiaram essa perspectiva produtivista de lidar com vidas humanas.

Teich durou 28 dias no governo, tendo formalizado pedido de demissão do cargo de ministro nesta sexta-feira (15). Mas a ameaça de discricionariedade com vidas humanas não foi abandonada no Palácio do Planalto. O presidente da República continua defendendo o chamado “isolamento vertical”. Por essa fórmula, somente as pessoas maiores de 60 anos e integrantes de outros grupos de risco ficariam em casa, para permitir que a atividade econômica seja plenamente retomada. A proposta é criticada por especialistas porque pode levar à exposição dos idosos dentro de suas próprias residências, com parentes tendo contato com o vírus no espaço externo, ainda que de forma assintomática, e infectando quem tem condições de saúde mais debilitadas.

O avanço etário normalmente debilita a imunidade, seja pelo próprio desgaste do organismo ou por outras doenças e condições, como perda de massa corpórea, entre outras, que favorecem a maior agressividade do vírus ao organismo humano e podem resultar mais facilmente em óbitos.

Isolar somente um grupo populacional também tende a criar estigmas contra essas pessoas, violando seus direitos humanos.

O Brasil já ultrapassou a marca dos 200 mil casos confirmados de covid-19, apesar da reconhecida subnotificação gerada pelo baixo número de testes e demora nos resultados. Até a conclusão deste texto o número de mortos se aproximava dos 15 mil. “O isolamento e distanciamento social é um direito, que tem o objetivo de preservar a vida das pessoas, não podemos abrir mão. E temos direito de preservar nossas vidas com dignidade”, lembra Ana Luiza de Figueiredo Gomes, diretora do Sintrajud e integrante da coordenação do Núcleo de Aposentados do Sindicato. Ana é aposentada do TRF-3.

Organização coletiva para enfrentar as dificuldades

A transmissão ao vivo do Sindicato também vai debater as especificidades das pessoas mais idosas ou aposentadas para viver o isolamento social necessário. Muitos idosos vivem sozinhos e é importante organizar redes de apoio para compras. O convívio virtual ou por telefone com amigos e parentes deve ser incentivado para que o distanciamento não signifique abandono desses cidadãos, assim como trocar experiências para combater a ansiedade e a depressão. Outra questão que vale destacar é necessidade de aprender a lidar com a impossibilidade de convivência física com netos e filhos – uma das mais recorrentes queixas -, buscando alternativas de contato regular por meio de redes sociais ou aplicativos de conversa por mensagens de áudio e vídeo.

O fato de não estarem mais no local de trabalho cotidianamente muitas vezes também dificulta essa organização coletiva para enfrentar a pandemia. Por isso, o Sintrajud busca ser parte ativa da garantia de direitos dos colegas aposentados “jovens há mais tempo” ou não. Participe e traga suas experiências. Convide seus colegas para acompanhar repassando os endereços de exibição dos vídeos disponibilizados abaixo.

Link para assistir no Facebook – https://www.facebook.com/sintrajud/live/

Link para assistir no YouTube – https://www.youtube.com/user/sintrajud1