Enquanto Bolsonaro bate recorde de rejeição, luta contra a PEC 32 cresce


17/09/2021 - Helcio Duarte Filho
Campanha contra a 'reforma' administrativa (PEC 32) enfrenta momento decisivo, convoca mais participação e irá aos atos 'Fora Bolsonaro' em 2 de outubro.

É visível que as mobilizações contra o projeto do presidente Jair Bolsonaro para os serviços públicos ganharam mais força nas últimas semanas – o movimento já reúne dez centrais sindicais, centenas de sindicatos, frentes parlamentares e vem recebendo apoio inclusive de artistas. Ao lado desta batalha, a rejeição ao governo Bolsonaro bate recorde, segundo pesquisa de opinião divulgada pelo Instituto Datafolha.

Talvez por conta desse visível crescimento do movimento pela rejeição, a decisão do governo de adiar a votação do parecer da ‘reforma’ administrativa (PEC 32) na comissão especial da Câmara tenha sido tão comemorada pelos servidores que protestavam em Brasília, entre eles os que integravam a delegação do Sintrajud que foi à capital federal. “Eu me senti um pouco vitorioso, de alma lavada. A gente lá dentro do Congresso fazendo tanto barulho e perceber que isso fez eco”, constata Luiz Cesar de Paiva Reis (foto), diretor do Sindicato e servidor da Justiça Federal em Caraguatatuba. “O nosso ruído, as redes sociais, a pressão nos gabinetes… é fundamental neste momento todo tipo de pressão para barrar essa PEC tão nefasta ao fornecimento dos serviços públicos à população, que destrói nossos direitos, a própria noção de serviço público e, principalmente, a universalização de direitos [prevista na Constituição Federal]”, disse.

A terceira versão do parecer do relator, Arthur Maia (DEM-BA), que seria entregue na tarde desta sexrta-feira, também ficou para semana que vem, o que deve adiar ainda mais a votação.

O Sintrajud levará nova caravana à capital federal entre os próximos dias 20 e 24.

No mesmo dia em que os servidores conseguiram adiar a votação da PEC 32, pesquisa do instituto Datafolha apontou desaprovação recorde ao governo do presidente Jair Bolsonaro: 53% o consideram ruim ou péssimo (eram 51% no levantamento de julho). O estudo mostrou ainda que 22% da população com 16 anos ou mais considera o governo ótimo ou bom (eram 24% no levantamento anterior); 24%, regular (eram 24%); e 1%, não sabe (era 1%).

O crescimento da impopularidade do governo corrobora com o movimento que busca barrar a ‘reforma’ administrativa, pois tende a fragilizar a base de apoio ao presidente no Congresso Nacional, que já dá sinais indecisos quanto a como vai votar nesta matéria. “Não podemos errar no placar”, disse o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ao justificar o adiamento da votação, da quinta (16) para a terça-feira, 21 de setembro de 2021.

A pesquisa que constatou o aumento da rejeição ao governo Bolsonaro foi realizada entre 13 e 15 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Uma semana, portanto, após o presidente participar dos atos que defenderam o fechamento do Congresso Nacional, a cassação de todos os ministros do STF e intervenção militar no país.

O levantamento mostra que o avanço da reprovação a Bolsonaro foi bem superior em alguns segmentos. É o caso do grupo com renda familiar de 5 a 10 salários (de 41% para 50%) e das regiões Norte e Centro-Oeste juntas (de 41% para 48%). Houve recuo, porém, da reprovação entre quem tem renda superior a 10 salários mínimos (de 58% para 46%). Entre os evangélicos, a rejeição também cresceu: aumentou 11 pontos percentuais entre janeiro e setembro (de 30% para 41%).

Bolsonaro é ainda mais rejeitado por quem tem ensino superior (85%) e estudantes (73%). Os empresários se mantêm como o único segmento em que Bolsonaro tem aprovação (47%) superior à reprovação (34%) — percentual que talvez se explique pelos sucessivos projetos que beneficiam o capital privado. Como no caso da ‘reforma’ trabalhista, que eliminava direitos dos trabalhadores e acabou derrotada no Senado Federal, e a própria ‘reforma’ administrativa, que abre caminho para empresas assumirem serviços públicos.

A mobilização pelo arquivamento da PEC 32 terá uma nova semana de intensa luta, de 21 a 24 de setembro, para impedir a aprovação do parecer na comissão especial. Haverá atividades presenciais nos aeroportos, para contato com deputados em trânsito, e em Brasília, além da atuação nas redes sociais. A defesa dos serviços públicos também será levada aos atos pelo ‘Fora Bolsonaro’ que estão sendo convocados para 2 de outubro.

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