Em live, servidores defenderam continuidade do isolamento e condições de trabalho

Desde o inicio das orientações de isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus no Brasil, a diretoria do Sintrajud adotou as lives como forma de garantir o diálogo com a categoria. No bate-papo virtual desta segunda-feira, 01 de junho, os servidores conversaram sobre suas experiências e dificuldades no regime de exercício remoto das funções durante a pandemia e as iniciativas do Sindicato para garantir condições de trabalho.

A transmissão teve a presença dos diretores Cláudia Vilapiano, da JF/Campinas; Henrique Costa, do TRT-2; Maria Ires Graciano, do JEF/Capital; e Fabiano dos Santos, que também integra a coordenação da Fenajufe. Dentre as principais dificuldades relatadas pelos servidores estão a continuidade da cobrança de metas consideradas absurdas e falta de estrutura de trabalho quase três meses após a migração para o teletrabalho.

“Desde o início da pandemia, o Sintrajud vem reivindicando que sejam asseguradas as devidas condições de trabalho para todos os servidores e suspensão de metas neste período de exceção. Neste sentido, estamos pleiteando reuniões com as administrações para reforçar esta demanda”, afirmou Fabiano dos Santos.

Além da falta de estrutura básica, os servidores ressaltaram o aumento nas contas básicas, como água e luz, e as dificuldades impostas pela pandemia, como a conciliação entre o trabalho remoto e o cuidado com seus filhos e parentes. “Vários colegas relatam que estão trabalhando muito mais, sem hora de descanso, falam que vão almoçar seis horas da tarde, para cumprir, além de suas metas, demandas impostas pelos juízes, que também estão sendo cobrados”, destacou Maria Ires. “As metas são perversas, a administração quer apresentar um número de produção para a sociedade, mesmo que isto seja a preço da saúde do servidor”, concluiu a servidora.

Para Claudia Vilapiano, outro elemento que afeta os trabalhadores neste período é que o isolamento social pode levar a confusão entre a fronteira dos dias e horários de trabalho e do descanso. “Não estamos trabalhando em condições normais, nossa folga é dentro de casa, passamos a não ter descanso, nem folga e, muitas vezes, nem horário. As pessoas começaram a trabalhar no fim de semana e muito mais, o próprio formato do PJe gera ansiedade, porque a ‘caixinha’ sempre está cheia, e ainda somos cobrados por metas absurdas”, afirmou Claudia.

Além dos problemas com a falta de estrutura, têm chegado ao Sindicato denúncias de assédio moral contra os servidores que encontram qualquer problema durante o regime de teletrabalho. Por isso, a diretoria reforça a necessidade de denunciar. “Este é um momento que exige compreensão da Administração, não é um momento de normalidade e, infelizmente, algumas chefias estão usando este momento para pressionar e assediar mais os colegas”, disse Henrique Sales. “Estamos acompanhando casos de assédio contra os servidores e intervindo. É importante que se você, colega, estiver passando por uma situação de assédio, procure o Sindicato, atuaremos na defesa da categoria sempre”, destacou o diretor do Sintrajud.

Os servidores também ressaltaram que os direitos da categoria precisam ser garantidos durante este período. A diretoria do sindicato defende que seja garantida a remarcação de férias em todos os tribunais. O tema será pautado nas reuniões solicitadas junto às administrações.

Volta ao trabalho presencial

Ainda durante a transmissão, os diretores ressaltaram que já estão buscando as administrações para procurar informações sobre a ameaça de volta aos trabalhos presenciais. Nesta segunda-feira, o Conselho Nacional de Justiça publicou a Resolução 322/2020, que estabelece regras de retorno ao trabalho presencial, de acordo com as condições de cada regional. Em São Paulo, o governo de João Doria anunciou um plano de reabertura em um momento em que o estado segue batendo recordes de mortes. Até o fechamento desta matéria, são 7994 mortes e 118 mil casos no estado. Segundo o levantamento do site G1, a taxa de ocupação de UTI chega a 73,5% no estado e 85,3% na Grande São Paulo.

A diretoria do Sindicato defende a manutenção do isolamento social para preservar vidas, e considera que qualquer recuo das medidas de isolamento social neste momento pode resultar num desastre.  “Vemos com muita preocupação a resolução do CNJ, e a retomada dos trabalhos, neste momento. Temos no estado de São Paulo várias regiões com estágios diferentes de contagio”, disse Claudia. “Estamos questionando às administração qual o plano de volta: como será a garantia da saúde dos colegas? Vai ter teste para os servidores? Queremos um parecer médico sobre essa reabertura”, afirmou Cláudia Vilapiano.

Para diretoria do Sintrajud, neste momento o teletrabalho é uma medida de contenção do contágio. “O que está sendo proposto é um retorno ao trabalho independentemente das condições para isso, estamos num momento em que vemos números crescentes de mortes. Por isso, o que deveria ser garantido é quarentena para todos os trabalhadores, com emprego e renda garantido”, destacou Fabiano. “No Judiciário, é nosso papel, enquanto servidores, pressionar as administrações, para que pressionem também os tribunais superiores, buscando um entendimento e compreensão da situação atual”, concluiu o servidor.

Lives do Sintrajud

Esta foi a vigésima quarta live realizada pela diretoria do Sintrajud desde o início do isolamento social para contenção do coronavírus. As transmissões acontecem toda segunda-feira, às 17h30, e quinta-feira, às 11h, no Facebook, no YouTube e aqui pelo site. Os vídeos ficam disponíveis em todos os canais para consulta posterior, mas no momento da live é possível tirar dúvidas e trocar experiências.

A transmissão desta quinta-feira, 4 de junho, terá a participação da doutora Yeda Aparecida de Oliveira, professora da Escola de Enfermagem da USP, para conversar sobre qualidade de vida e os cuidados necessários com as pessoas idosas neste período.

Veja a íntegra da última live aqui: