Em aula pública da greve, palestrantes defendem greve geral sanitária pela vida e contra PEC 32


24/03/2021 - Shuellen Peixoto
Atividade na manhã desta quarta-feira, 24, abriu o dia nacional de lutas e greve do funcionalismo público; às 14h, Sala de Luta no Zoom será espaço de debate sobre próximas iniciativas — não haverá transmissão, acesse o link neste post.

Servidores do funcionalismo público de todo o país participaram aula pública ‘Enfrentamento à pandemia e defesa dos serviços públicos e dos direitos’, na manhã desta quarta-feira, 24 de março. A atividade abriu o calendário do Dia Nacional de Lutas e Greves em Defesa dos Serviços Públicos, e teve a participação dos professores Plinio de Arruda Sampaio Jr. (aposentado do Instituto de Economia da Unicamp), Flávia Bischain (professora da rede estadual e integrante da secretaria executiva da CSP-Conlutas) e Domingos Alves (docente da Faculdade de Medicina da USP/Ribeirão Preto).  Os servidores do Judiciário Federal de São Paulo aderiram ao dia de luta e estão fazendo uma paralisação de 24 horas em defesa dos serviços públicos e contra a PEC 32/2020.

A atividade foi transmitida pelo Youtube e Facebook do Sintrajud, com reprodução aqui pelo site, e pelas seguintes páginas de coletivos e entidades:  ASSIBGE regional São Paulo e Nacional, ASSOJUBS, SINTRAJUS, STU, SINASEFE-SP, Jornalistas Livres, SINDSEF, SINDJUFE-MS, Coletivo Comando de Base do Judiciário SP, Movimento Luta Fenajufe e o Fórum dos Trabalhadores do Setor Público de São Paulo. Além disso, cerca de 40 entidades sindicais, movimentos sociais e coletivos de trabalhadores participaram da aula pública.

Os professores conversaram sobre a gravidade da pandemia no país, a falta de política eficazes dos governos federal e estadual no enfrentamento da Covid-19 e os ataques aos serviços públicos.

Para o professor Domingos Alves, o atual colapso e a marca desastrosa de número de casos e mortes no Brasil é uma tragédia anunciada e causada pela política dos governos que escolheram aumentar leitos ao invés de buscar diminuir a taxa de transmissão do coronavírus.

“Nossa gestão de pandemia se resumiu em expansão de leitos e essa capacidade se esgotou, porque isso não é forma de contenção do vírus. A Organização Mundial da Saúde indicou, e nos países onde isso foi feito foi comprovado, que para conter a pandemia o protocolo é [a realização de] testes em massa, rastreamento de contato com infectados e isolamento com sustentação. Nada disso foi feito no Brasil”, afirmou o professor da Faculdade de Medicina da USP/Ribeirão Preto. “É urgente que os estados comecem fazer lockdown por pelo menos 15 a 20 dias e estabeleçam barreiras sanitárias, porque já viramos um laboratório de novas variantes do vírus”, destacou Domingos.

Na opinião de Plínio de Arruda Sampaio Júnior, a pandemia evidenciou a crise econômica e social, demonstrando que a resposta do governo é sempre retirar direitos dos trabalhadores e aprofundar a precarização dos serviços públicos. “Em um momento como este, eles aproveitam para promover uma reforma que não é técnica, é uma profunda reorganização do Estado, é estabelecer o estado mínimo para os pobres e proteção máxima para os ricos”, afirmou, referindo-se à tramitação da ‘reforma’ administrativa (PEC 32/2020).

Os professores defenderam a construção de uma greve geral sanitária em defesa da vacinação para todos e contra os ataques dos governos aos serviços públicos. “A política deste genocida que é o Bolsonaro é deixar a população morrer, seja de fome, seja pelo vírus, por isso nossa política tem que ser uma só: colocar para fora imediatamente esse governo, precisamos organizar nossa classe, encher de solidariedade as lutas nas categorias, e construir uma greve geral sanitária para lutar contra este projeto do capital de transformar a pandemia num grande legado para instituir o ensino híbrido, destruir os serviços públicos, acabar com os direitos trabalhistas e impor ainda mais exploração para os trabalhadores”, ressaltou Flávia.

Ao final da transmissão foi exibido também o videoclipe da canção ’14 de março’, da servidora da JF/Bauru e diretora de base Cátia Machado, que homenageia a vereadora Marielle Franco, assassinada naquela data em 2018. Três anos após a execução política da parlamentar carioca, entidades, movimentos sociais, artistas e organizações da sociedade civil em todo o mundo ainda cobram resposta sobre os mandantes do crime.

Veja a íntegra da atividade aqui:

Agenda da greve

Além da aula pública, durante todo o dia, o Sindicato vai realizar uma série de atividades online para dialogar sobre os temas da pauta de reivindicações e que visam integrar os participantes da greve — diante da impossibilidade de atividades presenciais em meio à pandemia.

Ao meio-dia, a diretoria do Sintrajud convocou a categoria para participar do tuitaço nacional contra a PEC 32/2020 (ação de mobilização digital pelo Twitter), que acontece até às 14h.

Entre 14h e 17h, o Sindicato disponibilizará também por meio da plataforma Zoom uma ‘Sala de Luta do PJU e do MPU’. O espaço será uma oportunidade para sanar dúvidas sobre a PEC 32 e seus impactos para os servidores — com a presença do advogado César Lignelli, coordenador do deptº Jurídico do Sintrajud —, para que os servidores tragam relatos sobre a realidade do seu local de trabalho e para debater iniciativas de luta contra os ataques do governo. Clique aqui e participe (esta atividade não terá transmissão online).

Servidores artistas do Judiciário participam da mobilização com manifestações culturais na sala virtual de debates.

Às  18h, o Fonasefe participa de um debate sobre a ‘reforma’ com trasmissão ao vivo pela TV Câmara, que será retransmitido pelo Facebook do Sindicato.

Participe!

Assine a lista de presença na greve

Como sempre nessas mobilizações, o Sindicato disponibiliza uma lista de presença (assine aqui) para os servidores e servidoras que participam do movimento. A assinatura na lista não é uma condição para aderir à greve, mas é um instrumento importante de acompanhamento do Sindicato em caso de pressão das chefias ou diretorias de fóruns ou de qualquer medida que vise prejudicar os trabalhadores participantes do movimento.

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