Educação pode ir a greve nacional contra volta às escolas sem condições sanitárias

Live da última segunda-feira, 3 de agosto, debateu risco para pais, alunos e professores de um retorno às aulas enquanto não há controle da pandemia.

Os riscos para a saúde das crianças, pais e outros familiares e profissionais da educação com o retorno das aulas presenciais enquanto não há sinas de controle da pandemia foram debatidos durante a 41ª live do Sintrajud que aconteceu na última segunda-feira, 3 de agosto.  A transmissão aconteceu no  Facebook e no YouTube, e teve a presença das professoras Flavia Bischain, da rede estadual e diretora licenciada da Apeoesp, e Sirlene Maciel, docente Centro Paula Souza. As duas educadoras integram a Secretaria Nacional Executiva da CSP-Conlutas, central sindical à qual o Sintrajud é filiado.

Seguindo com o “Plano São Paulo”, o governador João Doria determinou o retorno às aulas a partir do dia 8 de setembro. A medida vale para as redes pública e privada, da educação infantil até o ensino superior, e preocupa pais e professores devido ao risco de contágio no momento em que ainda não há controle da pandemia. Em junho, mês em que foi colocada em prática a flexibilização do isolamento e a reabertura de comércios e serviços, a média diária de óbitos em São Paulo foi de 263 pessoas.

“Não existe condição sanitária de reabertura das escolas e de flexibilização da quarentena no geral, principalmente considerando que a maioria das escolas públicas não têm sequer papel higiênico ou sabonete líquido para lavar as mãos”, afirmou Flávia Bischain.

As professoras explicam que, além da falta de estrutura nas escolas, o governo estadual tenta responsabilizar professores e alunos pelos equipamentos de segurança individual. “O protocolo do João Dória não garante sequer a máscara, e a proposta é que cada funcionário e estudante tenha que arcar com sua própria máscara, garantindo a troca a cada duas horas”, destacou Sirlene Maciel.

Para as docentes, o retorno às escolas poderá tornar-se um grave problema de saúde pública, na medida que aprofunda a pandemia. “Reabrir as escolas é expor ainda mais a população ao risco de morrer. Não é perigoso apenas para a comunidade escolar, as crianças podem virar transmissoras assintomáticas e causar um aumento de casos e mortes em suas famílias”, ressaltou Flávia.

Na opinião da professora Sirlene Maciel, o retorno não responde à necessidade pedagógica, trata-se de mais um passo na tentativa de retornar todas as atividades como se houvesse normalidade. “O que está primando no país é aquela primeira fala do Bolsonaro que chamava a pandemia de ‘gripezinha’. O que eles querem é colocar as vidas dos trabalhadores em risco para garantir os lucros dos grandes empresários da educação”, disse a professora.

Segundo a pesquisa do Datafolha realizada em junho, 76% dos brasileiros concordam que as escolas devem continuar fechadas. Em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) orientou aos sindicatos realizar greves em caso de retorno às aulas. “Se os governos insistirem em abrir as escolas, será preciso fazer uma greve nacional da educação, uma greve sanitária em defesa das nossas vidas, somente nossa pressão e luta será capaz de fazer eles recuarem”, afirmou Flávia.

Na opinião da diretora do Sintrajud Inês Leal, a política de retorno às atividades normais é genocida. “Precisamos levar em consideração que o que está em jogo neste momento é a vida das pessoas, por isso é importante a unificação dos trabalhadores neste momento em defesa das nossas vidas. Não está mais em jogo salário ou direitos, é a nossa vida”, finalizou Inês.

NOTA DA EDIÇÃO: Nesta sexta-feira (7), o governador João Doria anunciou o adiamento da volta às aulas presenciais no estado para 7 de outubro – importante vitória da mobilização de educadoras, educadores e famílias.

Veja a íntegra da live aqui: