Eduardo Bolsonaro defende reduzir salários de servidores e não taxar as grandes fortunas


07/04/2020 - Helcio Duarte Filho

Filho do presidente disse, durante sessão da Câmara, que esse é o momento de reduzir salários e que ricos já fazem muito pelo país.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro defendeu durante sessão da Câmara a redução dos salários dos servidores e que as grandes fortunas sejam poupadas de quaisquer taxações. Tanto uma como outra defesa ocorreram quando o parlamentar se pronunciava como líder do PSL durante a apreciação da PEC 10/2020, chamada de “Orçamento de Guerra”, votada em decorrência da pandemia do coronavírus.

Ao falar da redução salarial, o filho que o presidente Jair Bolsonaro queria ver embaixador dos Estados Unidos deixou clara a intenção de aproveitar o momento decorrente da pandemia, no qual os servidores estão em casa no distanciamento social e o acesso ao Palácio do Congresso Nacional está proibido. “Mais cedo ou mais tarde a gente vai ter que enfrentar essa questão da redução dos salários. Eu acredito que é melhor a gente enfrentar essa questão agora, dentro do destaque que o [Partido] Novo pretende fazer, do que esperar que dentro de um caldeirão, dentro da pressão popular, a gente venha a votar essa matéria”, disse, na sessão realizada no dia 3 de março.

O parlamentar tentou se justificar: “Não é que existam malvadões aqui não, até porque nós estaríamos cortando os nossos próprios salários. Eu tenho uma série de contas a pagar, vou ter que me virar, mas assim está sendo pra todo mundo”. A remuneração de um deputado é próxima a R$ 40 mil.

Em seguida, Eduardo saiu em defesa das grandes fortunas e criticou quem propõe a taxação dessas riquezas, prevista há 31 anos na Constituição Federal, para gerar recursos para combater a pandemia e os efeitos dela. “Sou contra o imposto sobre grandes fortunas. Num primeiro momento todo mundo vai bater palmas, parabéns, pegaram tantos bilhões dos ricos. No segundo sabe o que vai acontecer? Vai acontecer como em alguns países da Europa, vão pegar todo o seu dinheiro e vão mandar lá para Rússia”, disse. Por fim, disse que os bilionários e milionários já “fazem grandes caridades em todo país”, sendo retrucado neste momento até pelo deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ), presidente da Câmara, que respondeu: “Poderiam fazer mais”.

Os recursos que seriam obtidos pela União com a redução dos salários são considerados simbólicos, para efeitos de combate às crises, até mesmo por quem o propõe, embora tenham impacto grande sobre a vida dos servidores. Entidades dos movimentos sociais e sindical afirmam que com a criação da taxação sobre os ricos a situação seria inversa. O impacto seria baixo sobre quem tem muitas riquezas e grande para as políticas públicas e a maioria da população.

É o que mostra estudo divulgado pela Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), Auditores Fiscais pela Democracia (AFD) e o Instituto Justiça Fiscal (IJF). Elas afirmam que a criação do imposto sobre grandes fortunas, a tributação da renda dos mais ricos, a taxação dos dividendos e o aumento da contribuição social dos bancos, que já existe, arrecadaria R$ 272 bilhões por ano, que poderiam ser usados no combate à crise econômica e à pandemia.

O tema foi tratado em live realizada pelo Sindicato no dia 2 de abril, com o economista Washington Moura, e é parte da  mobilização virtual promovida pelo Sindicato para pressionar deputados e senadores desde o dia 18 de março e intensificada na quinta e sexta-feira passadas (envie a sua clicando aqui).

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