Editorial JS 594 – O Brasil em defesa da vida e do ‘Fora Bolsonaro, Mourão e cia’


04/06/2021 - Redação
É possível e necessário varrer Bolsonaro para continuarmos vivos e com algum direito.

Após um ano de provocações e deboches do mandatário da República e mais de 460 mil vítimas da covid-19, a indignação popular explodiu nas ruas do país no dia 29 de maio.

Houve atos com participação acima das expectativas — e muita preocupação com a saúde de todos — em pelo menos 213 cidades brasileiras e em mais 14 países. Estima-se que cerca de 420 mil pessoas tenham ido aos protestos.

No Twitter, 202 mil participantes fizeram 1.828.048 postagens e retuitaram 841 mil vezes.

Na capital de São Paulo, onde o Sintrajud montou base de apoio com distribuição de máscaras e álcool gel e ponto de encontro para dezenas de servidores que compareceram, muitas pessoas relatavam ser sua primeira manifestação.

À pergunta “Não tem medo em meio à pandemia?”, as respostas irremediavelmente traziam um “não dá mais pra ficar quieto”, “temos que fazer alguma coisa; ele [Bolsonaro] não vai parar”.

O senso coletivo era de que ninguém queria estar ali, mas todos os que foram se sentiram obrigados a sair do conforto de seu lar, num dia em que choveu forte meia hora antes do protesto, que reuniu cerca de 80 mil na Avenida Paulista. O distanciamento preservado — a maioria absoluta usando máscara PFF2 ao longo de todo o trajeto, ou duas máscaras e face shield — fazia parecer mais de 100 mil presentes.

O respeito com quem não pôde ou optou por não ir também marcou os atos.

Além do genocídio promovido com a política de disseminar a covid-19, motivos não faltavam para a explosão do que pode ser o começo do fim do governo Bolsonaro.

A ‘reforma’ da Previdência tungou até 40% das pensões e até 50% das aposentadorias, além de elevar a contribuição previdenciária e o tempo de serviço. A PEC “Emergencial” autorizou o congelamento salarial até 2036, a restrição de concursos, entre outros ataques. A elevação dos preços do petróleo e do gás fez brasileiros voltarem a cozinhar a carvão ou lenha, quando têm o que comer — já são 113 milhões em situação de insegurança alimentar (não sabem se terão a próxima refeição). A privatização da Cedae e tentativas de privatizar a Eletrobrás (autorizada pelo Congresso), os Correios e dezenas de outras estatais dilapidam o patrimônio público. A autonomia do Banco Central formaliza a política monetária nas mãos dos banqueiros. O avanço do desmatamento e da violência policial e contra povos indígenas e ativistas de direitos humanos escandaliza o mundo. E, agora, Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, miram o funcionalismo para destruir os serviços públicos, com a PEC 32 (a ‘reforma’ administrativa).

A juventude em luta contra os ataques do governo negacionista à ciência e ao conhecimento também se destacou, denunciando os cortes orçamentários que ameaçam fechar instituições como a UFRJ.

A indignação contra tudo isso se uniu nas ruas. Como ensinaram os colombianos em luta contra similar ‘reforma’ do Estado, os chilenos que reescrevem a História e a constituição daquele país e o levante contra o assassinato de George Floyd, que levou Trump de roldão: quando o povo sai às ruas em meio à pandemia é porque o governo é mais perigoso que o vírus. As mobilizações nesses países mostram que esse é o único caminho para os trabalhadores vencerem. No Brasil, é possível, urgente e necessário varrer Bolsonaro, Mourão, Guedes e sua turma, para continuarmos vivos e com algum direito. Dia 19 tem novos atos.

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