Economista demonstra: redução salarial tem impacto zero para o Estado e destrói vidas

Na oitava transmissão ao vivo realizada pelo Sintrajud desde que teve início o isolamento social, o economista Washington Moura Lima, assessor do Sindicato, explicou em detalhes como não há nenhuma necessidade de corte salarial, nem no setor público e nem no setor privado, para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. A live foi realizada nesta quinta-feira (2 de abril).

Acompanhado pelos diretores Inês Leal e Tarcisio Ferreira, ambos servidores do TRT-2, Washington apresentou um resumo do estudo sobre o qual se debruçou no último período, em relação às destinações orçamentárias da União, comparativo dos investimentos que o Brasil e outros países têm feito para enfrentar a pandemia e como as tentativas de reduzir salários dos servidores não respondem às necessidades econômicas do país, mas a uma política.

O economista reforçou que para entender a crise econômica atual é necessário retroceder ao período de 2008 para cá. “Duas crises se encontraram, a que já estava em curso e agora a da Covid-19, que tornou a situação mais caótica, explosiva e complicada”, ressaltou.

Orçamento para 2020 soma R$ 3,565 trilhões, dentro deste montante, as despesas com pessoal totalizam R$ 354 bilhões (9,67% do orçamento total), já incluídos aposentados e pensionistas civis e militares. Já as despesas destinadas ao pagamento dos juros da dívida pública somam R$ 409 bilhões. “Qual a despesa que o governo decide cortar? Os salários! Mesmo que seja uma ‘contribuição simbólica’, como eles dizem “, destacou o economista. “Mas tem ainda R$ 1,193 trilhão [de despesas] com amortizações e refinanciamento da dívida, que também é uma forma de endividamento do Estado porque mesmo que no refinanciamento ele não tenha que fazer o pagamento daquele título neste ano isso vai, para a frente, impactar”, acrescentou. “Se somarmos amortização e refinanciamento mais os juros, vamos ter que do total do orçamento de R$ 3,565 trilhões, R$ 1,602 trilhão vão para o pagamento dos juros, amortizações e refinanciamento da dívida, 45% do orçamento”, ressaltou o especialista. Uma montanha de dinheiro que beneficia cerca de duas mil famílias no país frente a uma população de 210 milhões de habitantes.

A economia que o governo faria com o corte salarial dos servidores seria ridícula para o Estado, embora cruel na vida das pessoas – 0,06% do orçamento ou cerca de R$ 2 bilhões mensais, explicou Washington. “Uma das questões da economia que é fundamental neste período é a questão da renda, porque se você tira o salário das pessoas vai aprofundar a crise”, afirmou. Num cenário em que a economia vem decrescendo desde 2016, o desemprego já vinha aumentando, havia um fechamento de inúmeras fábricas e o dólar sobe aceleradamente. Num cenário que faz o país queimar bilhões em reservas cambiais diariamente.

“E tudo que o governo falava, que precisava fazer a reforma trabalhista, a reforma da previdência, privatizações, o congelamento do orçamento, como a gente viu com a EC95 [emenda constitucional 95], foi feito e a economia não andou”, lembrou Washington. O mesmo que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos quando da maior crise desde o Crash de 1929, que eclodiu em 2008 e os estados salvaram os bancos enquanto as pessoas que tinham dívidas hipotecárias perderam suas casas.

Washington também demonstrou como a bolha especulativa é a verdadeira razão da crise, que mais uma vez é jogada sobre as costas dos trabalhadores dos setores público e privado. E falou também como a dificuldade do país para enfrentar a pandemia é outro produto dessas políticas. “Só com a EC95 foram tirados R$ 30 bilhões da saúde”, lembrou, trazendo também os cortes generalizados no investimento em saneamento básico, fornecimento de água potável e outras questões básicas de sobrevivência.

“Se ainda assim a gente precisar de mais dinheiro, é preciso avançar sobre os lucros dos grandes capitalistas. Hoje em nosso país oito bilionários têm tanto rendimento quanto metade da população”, ressaltou Inês.

Tarcisio lembrou que “agora se coloca o endividamento público para assegurar a economia, no sentido de garantir a vida da população”.

A próxima transmissão ao vivo acontece nesta segunda (6 de abril) às 17h30, nas páginas do Sindicato no Facebook, YouTube e no próprio site.

Confira aqui as tabelas do estudo apresentado na transmissão pelo economista e assista abaixo ao vídeo.