Coordenação do Coletivo de Mulheres se manifesta sobre caso de machismo na categoria

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Mulheres que atuam na diretoria e no coletivo de gênero do Sindicato demandam substituição de membro da chapa que proferiu palavras de baixo calão e conteúdo sexual contra servidora.

Diante de denúncia formalizada pela associada Anna Karenina de Souza Macedo, a coordenação do Coletivo de Mulheres do Sintrajud – Mara Helena dos Reis se manifesta e dá a conhecer seu posicionamento à categoria. O episódio envolvendo dois servidores da categoria se deu em um grupo de discussões por aplicativo de mensagens, no domingo (9 de agosto).

Ouça a mensagem enviada pelo servidor Anézio Henrique, em resposta à servidora, clicando na setinha do player abaixo. Reproduzimos a mensagem porque já é uma peça pública, que circula em diversos grupos de trabalhadores do Poder Judiciário Federal no estado de São Paulo e também em outros grupos de caráter nacional. Após o áudio, leia a nota do Coletivo de Mulheres.

 

Repudiar o machismo é tarefa de todos

“O opressor não seria tão forte se não tivesse aliados entre os oprimidos.” (Simone de Beauvoir)

Em meio aos acalorados debates que são parte da disputa eleitoral, mas que em nosso Sindicato sempre se deram em nível elevado, vivemos uma triste e inaceitável violência moral contra uma colega da Justiça Federal lotada em Presidente Prudente, perpetrada por um servidor do TRF. O episódio deu-se no último domingo (9/8), em um grupo nacional da categoria no WhatsApp.

Interpelado pela colega Anna Karenina, integrante da ‘Chapa 1 – Sempre em frente Sintrajud’, o associado Anézio Henrique Júnior, integrante da ‘Chapa 2 – Reconstrução’, respondeu: “Aninha, eu sei com quem estou falando. Vai lá dar uns amassos no Henrique. Seja feliz com ele”.

O comentário jamais seria proferido a um servidor homem, o que em si denuncia o machismo e a tentativa de desqualificação de uma concorrente política por meio de ilações sexuais. Nada, nada justifica tal postura, especialmente partindo de um homem que atua no movimento sindical judiciário há muitos anos e está disputando a coordenação geral do Sintrajud.

O referido servidor diz ter sido provocado, o mesmo discurso velho de todos os agressores de mulheres – que tentam sempre culpar as vítimas pelas agressões sofridas. Se tivesse sido “provocado”, se tivesse sido ofendido, teria todo o direito de buscar justiça. Se alguma razão pudesse ter tido, perdeu ao agredir moral e psicologicamente uma mulher.
Justificar que “a sociedade é machista” para minimizar o problema é tão somente reforçar o machismo estrutural, que mata 13 mulheres por dia no país.

O autor tanto sabe que está errado que buscou ocultar provas apagando a mensagem. Felizmente, tarde demais para que ficasse apenas a palavra dele contra a da vítima.

A maioria das mulheres não aceitam mais naturalizar tais violências e não toleram a instrumentalização das pautas dos oprimidos para uso em debates. A prática é o critério da verdade.

Estão no estatuto do Sintrajud o dever de colaborar e defender a luta pelos direitos fundamentais das mulheres (Art. 5, h) e os procedimentos para tratar os casos de desrespeito ao estatuto (Art. 10, parágrafos 1° e 2°).

O Coletivo de Mulheres do Sintrajud, fundado em 2017, tem como eixo de atuação a luta contra a violência machista, e não aceitamos mais a histórica tergiversação sobre as agressões aos direitos das servidoras do PJU em São Paulo e no Brasil.

E sabemos que não estamos sozinhas. Mulheres e homens de todos os segmentos que atuam na Fenajufe, independente das divergências, se uniram para barrar o machismo na plenária de Salvador (2018) e o racismo e machismo no 10° Congrejufe (2019). Reivindicamos esses exemplos de compromisso com a defesa dos direitos de mulheres, negros e LGBTs e avaliamos que este associado não tem condições de disputar a direção de nosso Sindicato. Se age assim durante a campanha, o que fará quando estiver com um mandato da categoria? Nosso entendimento é que a chapa 2 deveria tirar essa pessoa da nominata inscrita, em respeito a todas as mulheres da categoria. Opressão se combate, não se discute.

Coordenação do Coletivo de Mulheres do Sintrajud

Diretoras do Sintrajud