Comissão divulga relatório sobre episódio de machismo nas eleições do Sintrajud


20/04/2021 - Luciana Araujo
Autor do áudio ofensivo à servidora Anna Karenina, hoje diretora do Sindicato, foi notificado das deliberações.

A Comissão de Combate às Opressões formada após denúncia de um episódio de machismo denunciado durante o último processo eleitoral do Sintrajud finalizou seus trabalhos e apresentou uma série de resoluções e recomendações à diretoria da entidade e à categoria.

O caso envolveu os servidores Anézio Henrique, agente de segurança no TRF-3, e Anna Karenina de Souza Macedo, lotada na JF em Presidente Prudente e atual integrante da diretoria executiva do Sindicato. Durante o processo eleitoral que elegeu a direção atualmente à frente do Sintrajud, Anézio integrava a chapa 2 e Anna, a chapa 1. Em meio a um debate em um grupo de WhatsApp nacional de servidores da categoria, o servidor enviou áudio à rede social no qual afirmava: “Aninha, eu sei com quem eu estou falando, vai lá dar uns amassos no Henrique lá, seja feliz com ele, um abraço” (ouça abaixo).

Apagada posteriormente pelo autor, a mensagem gerou revolta entre servidores e servidoras pela tentativa de constrangimento e silenciamento a uma mulher com insinuações de caráter sexual em meio a uma discussão de divergências de projetos para a condução da entidade.

Anna demandou que o servidor apresentasse retratação, nas mesmas condições, proporções e meios do ato proferido. Ou seja, a divulgação de novo áudio a ser enviado ao mesmo grupo de WhatsApp e outras mídias para os quais tenha sido enviada a mensagem ofensiva, e por meio do qual o autor reconhecesse seu erro. O pedido foi acatado na Comissão por unanimidade.

Os encaminhamentos de composição da comissão e do pedido de retratação feito por Anna Karenina foram acolhidos ainda em assembleia estadual da categoria ocorrida no dia 27 de agosto do ano passado, também por unanimidade.

A Comissão de Combate às Opressões foi composta pelas servidoras e integrantes do Coletivo de Mulheres do Sintrajud Cláudia Vilapiano e Bruna Gimarães, por Juscileide Maria Rondon (representante da Fenajufe), Sirlene Maciel (da CSP-Conlutas), Anny Fabíola Rocha (do Movimento Mulheres em Luta) e a juíza do Trabalho Patrícia Almeida Ramos (que integra a Comissão de Igualdade e Diversidades do TRT-2).

A comissão ouviu Anna Karenina e convidou Anézio a prestar esclarecimentos, caso fosse de seu interesse, perante o colegiado, bem como, se quisesse, a apresentar retratação escrita ou opinião sobre o episódio. Embora notificado com antecedência, o servidor não compareceu perante a Comissão e, até a publicação deste texto, não havia divulgado a retratação solicitada pela servidora e o colegiado.

Analisados o áudio e informações prestadas pela servidora, o colegiado entendeu, por ampla maioria, como “grave e inaceitável” a conduta adotada pelo servidor, “sendo a omissão e ausência de participação e manifestação acerca do tema fatos agravantes para o comportamento realizado, demonstrando descaso e desrespeito”, diz o relatório.

A comissão recomendou à direção do Sintrajud que, caso Anézio solicite retorno ao quadro de associados da entidade, o pedido seja encaminhado previamente à diretoria em mandato e à categoria para ciência. Diante da repercussão do caso, Anézio pediu desfiliação ao Sindicato ainda em meio à discussão sobre como tratar a questão.

Tendo em vista a situação, também foi recomendado pela Comissão que a diretoria do Sintrajud promova discussões sobre machismo para adoção de deliberações no âmbito estatutário acerca de como tratar casos de constrangimento associado às desigualdades de gênero, raça, orientação sexual e identidade de gênero.

O servidor foi notificado das resoluções da comissão.

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