Coletivo de Mulheres define agenda de formação e começa a planejar 2021

Mulheres convidam as servidoras que ainda não integram o Coletivo a comporem o colegiado, e o conjunto da categoria a participar das atividades abertas.

Com a presença de servidoras de todos os ramos do Judiciário no estado, o Coletivo de Mulheres do Sintrajud – Mara Helena dos Reis decidiu nesta segunda-feira (14 de setembro) realizar três atividades de formação até o final deste ano.

No dia 26 deste mês (sábado), das 14h às 17h, acontecerá o seminário ‘O que é machismo: origens e consequências’. O evento será realizado por meio da plataforma Zoom e aberto à participação de mulheres e homens de toda a categoria – as inscrições podem ser realizadas clicando aqui.

No dia 17 de outubro (também um sábado), no mesmo horário, das 14h às 17h, será realizado o seminário ‘Feminismos’, com a proposta de discutir das diversas vertentes e visões sobre a luta contra as desigualdades sociais motivadas pela condição de gênero. As inscrições para esta atividade serão abertas em breve.

Os dois eventos vão contar com a presença de especialistas e servidoras que atuam em defesa dos direitos das mulheres.

Combater a masculinidade tóxica

Também será organizada uma live, com participação de homens que discutem os efeitos nocivos da perspectiva tóxica de masculinidade hegemônica na sociedade e a contribuição desta visão patriarcal para a realidade violenta que temos no Brasil.

A noção de “ser homem” que cerceia sentimentos e tudo o que é considerado “fraqueza” (em geral associado ao feminino) afeta toda a sociedade. Às mulheres é imposto o papel social hierarquizado e dos homens se exige que “conquistem” tudo o que entenderem como objeto de cobiça, ainda que por meio da violência. Assim construiu-se uma cultura de naturalização das violações aos direitos da parcela feminina da população, desde o período da colonização baseada na escravização de seres humanos.

Essa trajetória histórica levou o Brasil a ser o quinto país que mais mata mulheres de forma violenta, ao primeiro lugar mundial em assassinatos de pessoas transexuais ou transgêneras e à chocante média de 180 estupros diários (sendo que estima-se que somente 10% dos crimes sexuais chegam a ser registrados).

2021

A reunião desta segunda aprovou ainda a realização, no ano que vem, de uma série de atividades temáticas de formação que vão desde os termos fundamentais usados no debate feminista, passando pela história dos feminismos, práticas anti-machistas, feminismo classista e afro-latino-americano. Além da realização de rodas de conversa temáticas.

As iniciativas do Coletivo dão continuidade a um processo de atuação para o combate ao machismo que vem se consolidando desde novembro de 2017. De lá para cá já foram realizados quatro seminários de formação política feminista: sobre a origem das opressões, assédio sexual, sobre violências contra mulheres negras e sobre o racismo interseccionado com o machismo.

O coletivo adotou o nome Mara Helena dos Reis em homenagem à servidora da Justiça Federal em São Bernardo do Campo e ex-diretora de base vítima de feminicídio cometido pelo homem com quem vivia em 2018.

A principal campanha do Coletivo desde a sua fundação é o combate ao assédio sexual. Inclusive, em 2018, foi lançada a cartilha ‘Assédio sexual: a culpa nunca é da vítima’ (baixe aqui o PDF).

Desde o início da pandemia, o Sintrajud também realizou diversas transmissões ao vivo que debateram as violações de direitos das mulheres, em meio aos ataques ao conjunto dos trabalhadores. Foram tratados temas como o aumento da violência contra elas, o racismo institucional e a realidade das mulheres negras na sociedade e no PJU, e também como as exigências e desorganização do sistema de teletrabalho na pandemia afetam mais às servidoras.

Comissão contra opressões

Também foram comunicadas ao conjunto do Coletivo as medidas já encaminhadas pela diretoria do Sindicato para apuração do caso de machismo ocorrido em meio ao processo eleitoral do Sindicato (saiba mais aqui). As servidoras Bruna Guimarães (do TRT) e Cláudia Vilapiano de Souza (da JF em Campinas) foram indicadas para representar o Coletivo na Comissão de Combate às opressões referendada na assembleia do dia 27 de agosto, por unanimidade.

Serão convidadas ainda para compor a Comissão representantes da CSP-Conlutas (central sindical à qual o Sindicato é filiado), da Fenajufe, da Marcha Mundial de Mulheres, do Movimento Mulheres em Luta e uma jurista com experiência no debate sobre opressões.