Chico de Oliveira, presente!

Sociólogo, morto aos 85 anos nesta semana, analisou contradição fundamental do Brasil.

Sociólogo Francisco de Oliveira, o Chico de Oliveira, no 7º Congresso do Sintrajud, em março de 2014. (Fotos: Joca Duarte)

 

Faleceu nesta quarta-feira, 10 de julho, o ensaísta, escritor e sociólogo Francisco de Oliveira, o Chico de Oliveira, aos 85 anos. O corpo foi cremado na manhã desta quinta-feira, 11, em São Paulo.

Natural de Recife, Chico de Oliveira foi professor da USP e participou da fundação do PT e do PSOL, partidos dos quais se afastou. Ele chegou a ser preso durante o regime militar e também ajudou a fundar o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). A causa de sua morte não foi divulgada.

Em março de 2014, Chico de Oliveira participou do 7º Congresso do Sintrajud, realizado ainda sob o impacto das manifestações de junho de 2013 e da deterioração econômica do final do primeiro governo Dilma Rousseff (PT).

Entre seus principais livros, destacam-se “Crítica à razão dualista” (1972), “Elegia para uma Re(li)gião” (1977) e “O ornitorrinco” (2003). O mais recente, lançado no ano passado, foi “Brasil: uma biografia não autorizada”.

Avanço e atraso

Considerando a obra do sociólogo, chega a parecer ironia do destino que ele tenha morrido no dia da aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência, como observou o diretor do Sindicato e servidor do TRT-2 Tarcisio Ferreira, que integra a caravana do Sintrajud em Brasília para acompanhar a votação.

“Tivemos a honra de contar com a participação dele no Congresso do Sindicato em 2014, quando ele trouxe uma reflexão muito instigante sobre a realidade que estamos vivendo e sobre nossas perspectivas”, afirmou Tarcisio.

“O professor foi uma das grandes expressões do pensamento crítico brasileiro e é muito importante sua reflexão sobre a convivência  entre o moderno e o arcaico na constituição social e econômica nacional”, observou o diretor do Sintrajud.

Reportagem publicada no site do Jornal da USP lembra que Chico “inverteu a visão tradicional sobre as relações trabalhistas no Brasil”.

Para ele, “os trabalhadores que chegavam à cidade grande em busca de trabalho – normalmente vistos como mão de obra atrasada – contribuíram para a modernização dessas relações ao reivindicar direitos consagrados nas economias capitalistas centrais”, diz o jornal. “Já os empresários viam nessa nova formação social – os trabalhadores urbanos – uma oportunidade de aprofundar a exploração e aumentar os lucros, promovendo a exclusão.”

A combinação de atraso e avanço caracteriza a economia brasileira, na visão do sociólogo, que por isso comparava o país a um ornitorrinco, “um bicho estranho, mistura de ave, mamífero e réptil, resultado de diversos tipos de evolução, que não é passagem para nada”, conforme explicou o cientista político e professor da USP André Singer, da USP.

Para o economista e professor da Unicamp Plínio de Arruda Sampaio Jr. , Chico foi um intelectual criativo, corajoso e desbravador. “Abria picadas na mata, desconstruindo verdades estabelecidas e sugerindo novos caminhos. Nunca se acomodou aos confortos da academia e nunca tergiversou na hora de entrar em bolas divididas”, escreveu Plínio, em postagem no Instagram.

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